O nitrogênio (N) é o nutriente mais requerido pela soja, desempenhando papel fundamental na formação de proteínas, no crescimento vegetativo e na definição do potencial produtivo da cultura. Sua deficiência pode limitar significativamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade. Embora a adubação nitrogenada seja uma alternativa para suprir a demanda de N, seu uso em soja apresenta baixa viabilidade econômica, já que por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN) bactérias fixadoras de N, do gênero Bradyrhizobium, são capazes de fornecer todo o nitrogênio necessário para boas produtividades, via simbiose.

Além da inoculação padrão com bactérias do gênero Bradyrhizobium, estudos demonstram que a coinoculação da soja, com o uso adicional de bactérias do gênero Azospirillum tem demonstrado grande viabilidade técnicas e econômica para a cultura da soja, principalmente pelos bons resultados decorrentes da FBN e do estímulo ao crescimento radicular promovido pelo Azospirillum. Conforme observado por  Santos et al., (2024), a coinoculação da soja o uso combinado dessas bactérias contribui de forma efetiva para o melhor desenvolvimento vegetal, especialmente do sistema radicular da planta.

Ganhos na produtividade

Embora os benefícios da coinoculação na produtividade da soja sejam amplamente relatados, principalmente quando comparada a cultivos sem inoculação ou apenas inoculados, os ganhos proporcionados em relação à adubação mineral ainda constituem uma importante linha de investigação. Avaliando parâmetros biométricos e produtivos de plantas de soja submetidas à inoculação, coinoculação e adubação com fertilizantes químicos no Cerrado Sul-Mato-Grossense, Barboza & Costa (2026) observaram que a coinoculação promoveu incremento de aproximadamente 8,5% na produtividade da cultura, equivalente a um aumento de cerca de 3,5 sacas ha⁻¹ em comparação à adubação química (Tabela 1).

Tabela 1. Avaliação da Inoculação com bactéria fixadora de nitrogênio, Bradyrhizobiume da coinoculação com Bradyrhizobium+ Azospirillum na cultura da soja, na cultivar Brasmax 65i65 Intacta.
Médias seguidas da mesma letra na mesma coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05). AP: altura de planta; AV: altura de inserção da primeira vagem; NV: número de vagens; NG: número de grãos; M100: massa de 100 grãos; PROD: produtividade; CV: coeficiente de variação. *Adubação química consistiu no uso de 200 kg ha-1 do fertilizante N-P-K 07-40-02.
Fonte: Barboza & Costa (2026)

Os resultados obtidos por Barboza & Costa (2026) corroboram os dados reportados na literatura, incluindo os ensaios conduzidos pela Embrapa, que evidenciam incrementos médios de produtividade de 8% com a inoculação tradicional e de 16% com a coinoculação utilizando Bradyrhizobium + Azospirillum (Prando et al., 2019). Esses resultados reforçam o potencial da coinoculação como uma estratégia eficiente para otimizar a contribuição da fixação biológica de nitrogênio e favorecer o desempenho produtivo da soja, inclusive em ambientes de Cerrado.

Confira o estudo completo desenvolvido por Barboza & Costa (2026) clicando aqui!



Referências:

BARBOZA, A. F.; COSTA, F. A. EFEITO DA COINOCULAÇÃO DE Bradyrhizobiume Azospirillumna PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA NO CERRADO SUL-MATO-GROSSENSE. Research, Society and Development, 2026. Disponível em: < https://rsdjournal.org/rsd/article/view/51133/40113 >, acesso em: 18/06/2026.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium e Azospirillum NA SAFRA 2018/2019 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 156, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1117312/1/Circtec156.pdf >, acesso em: 18/06/2026.

SANTOS, A. L. G. et al. IMPORTÂNICA DAS TÉCNICAS DE INOCULAÇÃOE COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Scientific Electronic Archives, 2024. Disponível em: < https://scientificelectronicarchives.org/index.php/SEA/article/view/2019 >, acesso em: 18/06/2026.

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