O mercado brasileiro de soja teve uma semana de pouca movimentação. Com dólar e Chicago em direções opostas, os negociadores saíram do mercado e os preços tiveram comportamento regionalizado.

A saca de 60 quilos permaneceu na casa de R$ 195,00 em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço subiu de R$ 189,50 para R$ 190,00. Em Rondonópolis (MT), a cotação recuou de R$ 179,50 para R$ 177,00.

No Porto de Paranaguá, a saca estabilizou em R$ 196,50. Os prêmios seguiram firmes, reflexo da comercialização lenta no físico e apostando na retomada da demanda chinesa. Mas a atividade seguiu limitada.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em julho tiveram valorização de 2,67% até o fechamento da quinta, encerrando a US$ 16,90 ½ por bushel. Sinais de retomada das compras por parte da China e um quadro de menor aversão ao risco no mercado financeiro global sustentaram as cotações.

Já o dólar comercial caiu 2,78% na semana, fechando a quinta na casa de R$ 4,917. A moeda americana foi pressionada pela retomada do fluxo de recursos externos no Brasil.

Paraná

O Paraná deve experimentar um pequeno aumento na área a ser plantada com soja na temporada 2022/23. A projeção é do Superintendente do Sistema Ocepar, Robson Mafioletti, que concedeu entrevista exclusiva à Agência SAFRAS, durante o IX Congresso Brasileiro de Soja – Mercosoja 2022, em Foz do Iguaçu, no Paraná, que encerra hoje. “Não tem muito onde aumentar, mas um pouquinho vai sim”, aposta.

Segundo o entrevistado, o preço da soja está muito positivo, o que deve estimular o produtor a plantar. “A safra 2021/22 de soja no estado foi ruim, mas a safrinha de milho, que está sendo colhida, é boa e a perspectiva para o trigo também é, o que anima o produtor”, explica. “Ele (o produtor) é otimista por natureza”, relata.

Apesar da problemática dos insumos, devido a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o produtor paranaense vai ter o necessário para plantar. “É claro que vai pagar mais caro”, lembra, acrescentando que alguns insumos dobraram de preço.

Conforme Mafioletti, os produtores terão acesso a outras origens para adquirir insumos, como Canadá, Oriente Médio, Marrocos e Estados Unidos. “Deve vir até alguma coisa da China”, relata. “Mas é óbvio que da Rússia o custo era mais baixo”, pondera.

Sobre a produção de sementes, que foi prejudicada na temporada 2021/22 por causa da seca, o superintendente afirma que o produtor paranaense terá o volume necessário para plantar. “No sul do Paraná, por exemplo, a produção de sementes foi boa”, completa.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Dylan Della Pasqua - Agência SAFRAS

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