A compactação do solo no SPD deve ser manejada preferencialmente empregando métodos biológicos de melhoria da qualidade estrutural do solo. Com relação ao manejo biológico da compactação em SPD, existem dois enfoques diferentes. O primeiro refere-se à preservação e à melhoria da qualidade estrutural do solo no médio e longo prazos, por meio da adoção de modelos de produção diversificados, envolvendo espécies vegetais com alto potencial de adição de fitomassa e sistema radicular profundo e vigoroso.

Nesse caso, o aumento do teor de matéria orgânica do solo associado à ação do sistema radicular resulta em uma estrutura de solo, mais resistente e com maior capacidade de recuperação ante as pressões aplicadas pelo tráfego de máquinas agrícolas.

Além disso, modelos de produção diversificados proporcionam a formação de bioporos pela ação das raízes das plantas e da biota do solo. O outro enfoque relaciona-se à recuperação no curto prazo de solos com alto grau de compactação. Nesse caso, deve-se priorizar a inclusão de culturas com sistema radicular profundo e agressivo, para formação de bioporos contínuos e estáveis, com alta efetividade no armazenamento e na condução de ar e água. Para esse fim, podem ser utilizadas espécies como o nabo forrageiro, a aveia, o milheto, algumas espécies de sorgo, as crotalárias e as forrageiras tropicais perenes, como as pertencentes aos gêneros Urochloa e Panicum.

Ressalta-se ainda que plantas com sistema radicular abundante e profundo aceleram os ciclos de secamento e umedecimento do solo, que contribuem para o rompimento de camadas compactadas principalmente em solos argilosos manejados sob SPD.

A utilização de semeadoras equipadas com sulcadores do tipo haste ou facão para deposição do fertilizante proporciona o rompimento localizado de camadas compactadas na superfície do solo, contribuindo para o desenvolvimento inicial do sistema radicular da soja e proporcionando a deposição mais profunda do fertilizante.

A probabilidade de resposta positiva da produtividade da soja ao uso de hastes sulcadoras é maior em anos com ocorrência de seca e/ou em áreas que apresentam compactação superficial do solo, situação bastante comum em sistemas de integração lavoura-pecuária.

Para evitar a mobilização excessiva da superfície do solo pelas hastes sulcadoras, deve-se evitar a semeadura em condições de solo muito úmido, bem como utilizar velocidade de operação entre 4 km/h e 6 km/h. As corretas regulagem e manutenção do disco de corte também são essenciais para reduzir a mobilização da superfície do solo e a frequência de embuchamentos. De modo geral, o disco de corte deve ser regulado de forma que a sua penetração no solo seja de, no máximo, 4 cm.

A mobilização periódica do solo no SPD por meio de escarificadores (por exemplo, a cada 3 ou 4 anos) não tem resultado em incrementos significativos da produtividade da soja, sendo a duração de seus efeitos sobre a estrutura do solo, na maioria dos casos, inferior a um ano (Franchini et al., 2011).

Entretanto, a escarificação constitui-se em uma alternativa para romper camadas compactadas restritivas ao crescimento radicular das culturas, ou seja, pode ser adotada como prática corretiva, desde que associada ao uso de culturas com alto potencial de produção de fitomassa da parte aérea e raízes. Mesmo nesse caso, a tomada de decisão a respeito da escarificação deve ser realizada com conhecimento e critérios técnicos, pois se trata de uma operação cara e que, quando realizada sem necessidade, pode inclusive reduzir a produtividade de culturas como a soja e o milho (Debiasi et al., 2010).

Primeiramente, de ve-se ter um diagnóstico preciso de que o grau de compactação do solo esteja prejudicando a resposta produtiva da cultura. Além disso, o escarificador deve ser adequado ao uso em SPD, ou seja, deve ser equipado com discos de corte de palha, ponteiras estreitas e rolo destorroador, para evitar o uso de grade como operação complementar.

Essa operação deve ser executada preferencialmente após a soja e antecedendo uma cultura com grande capacidade de produção de fitomassa e que possua sistema radicular profundo e vigoroso, visando estabilizar a porosidade gerada mecanicamente. O escarificador deve ser regulado em relação ao espaçamento entre hastes, de forma que esse fique entre 1,2 e 1,5 vezes a profundidade que se pretende fazer a operação.

Da mesma forma, a profundidade máxima de trabalho do escarificador não poderá ser maior do que 5 a 7 vezes a largura da ponteira, que corresponde à profundidade crítica de trabalho de ferramentas de preparo do tipo haste. Profundidades de trabalho maiores do que a crítica resultam em um grande aumento da demanda de potência sem incremento proporcional na mobilização do solo.

Adicionalmente, a escarificação deve ser realizada quando o solo estiver com um teor de água equivalente à friabilidade (quando um torrão coletado no centro da camada a ser trabalhada, ao ser pressionado entre o polegar e o indicador, se romper com leve pressão com mínima aderência de solo aos dedos), visando um rompimento eficaz do solo entre as hastes do equipamento, sem a formação de torrões excessivamente grandes. Ressalta-se que o emprego de uma operação mecânica para reverter compactação de solo, como é o caso da escarificação, não pode ser uma decisão isolada do manejo do sistema.

Quando utilizada, deve ser acompanhada de uma mudança conceitual, passando-se a priorizar boas práticas de manejo do solo, como diversificação de espécies com sistema radicular abundante e elevada adição de fitomassa ao solo.

Fonte: Retirado de Tecnologias de Produção de Soja, EMBRAPA, Junho 2020, Pag. 72 a 74

Autores: Claudine Dinali Santos Seixas, Norman Neumaier, Alvadi Antonio Balbinot Junior, Francisco Carlos Krzyzanowski, Regina Maria Villas Bôas de Campos Leite, Editores Técnicos
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Texto originalmente publicado em:
Tecnologias de Produção de Soja, EMBRAPA, Junho 2020
Autor: Embrapa

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