Uma das grandes discussões entre os especialistas de câmbio, consultados semanalmente pelo Banco Central no seu Relatório Focus, é sobre se  dólar vai chegar a R$ 5,00 ou abaixo dele, alguns falando em R$ 4,80. Isto significa que todos concordam que, durante o ano de 2021, ele terá uma trajetória de baixa, impulsionado pelos bons fundamentos que todos tem de uma perspectiva otimista para a economia brasileira neste período.

Este otimismo está intimamente ligado à alta das commodities, que deverá continuar firme no próximo ano, com a retomada da economia mundial. “A alta das matérias-primas melhora os termos de troca do Brasil e beneficia o real, já que o país é exportador desses insumos.

As commodities estão nas máximas desde o começo de março. Depois de um período quebrada a correlação entre o real e as matérias-primas voltou a ficar positiva, indicativo de que um contínuo movimento de alta nas commodities –num cenário de retomada global da economia e de sobra de liquidez– pode alavancar também a moeda brasileira”, segundo o comentário da Reuters da última quinta-feira.

O Barclays projeta que o dólar terminará 2020 em 5,35 reais e fique em 5,15 reais ao fim do primeiro trimestre de 2021, indo a 5,05 reais, 5,15 reais e 5,25 no fechamento dos demais trimestres, respectivamente. O CIBC vê inclusive a moeda norte-americana indo à faixa entre 4,50 reais e 4,80 reais com aprovação da reforma administrativa e com aceleração da agenda de privatizações em 2021, em meio a um suporte por parte do Banco Central. “Você começaria a tentar equiparar o Brasil em termos de carry (retorno de taxa de juros) aos demais pares, como África do Sul e México”, afirmou Bernardo Zerbini, um dos responsáveis pela estratégia da gestão macro da gestora AZ Quest , considerando “factível” um dólar de 5 reais nos primeiros meses de 2021.

Dito isto, nos resta simular os diferentes cenários do preço da soja para maio de 2021 e maio de 2022 nas diferentes cotações do dólar daqui para frente. Para isto, tomamos a cotação do fechamento para estes meses nesta sexta-feira e fizemos as projeções abaixo:

O que poderia compensar esta queda do dólar? A elevação dos preços de Chicago.

Há alguns analistas que acreditam que US$ 12,00/bushel poderá ser um teto para as cotações, outros acreditam que poderá ser um nível de suporte (o nível mais baixo), porque poderá flutuar entre US$ 12,00 e US$ 15,00/bushel.

É verdade que, de um lado, a demanda por soja e seus subprodutos é muito grande, com a China devendo atingir 100 milhões de toneladas de importação na atual temporada e a retomada da economia mundial manterá elevadas as cotações das commodities e, de outro, a seca que atinge o Brasil e a Argentina não deverão permitir a expansão inicialmente projetada da produção, assim como a produção americana também não será como a inicialmente prevista. No seu último relatório o USDA admitiu uma quebra de 2,65 milhões de toneladas da safra americana, que passou de 116,15MT para 113,5 MT e é voz corrente no Brasil que a safra brasileira também terá uma quebra ao redor de 3,0 MT, passando de uma estimativa inicial de 133 MT para 130 MT.

Mas, em nossa opinião, tudo isto já foi descontado pelo mercado, justamente elevando as cotações para próximo a US$ 12,0/bushel contra US$ 9,13 em que estava há um ano. Terá que haver algum fator novo para dar novo impulso às cotações.

Recomendação da consultoria

Embora não tenhamos certeza sobre como será o futuro, já temos alguns fatos concretos até o momento:

  1. O que realmente poderá fazer a diferença é a cotação do dólar;
  2. Mais de 50% da safra 2020/21 já foi negociada a dólar entre R$ 5,35 e R$ 5,85, compensando níveis menores de Chicago;
  3. Sobre o que resta negociar, nossa recomendação é que se aproveite o dólar antes de cair, porque a tendência é de que o Real se firme ao longo de 2021 e a moeda americana tenha seu valor reduzido.


Fonte: T&F Agroeconômica

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