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Confirmada resistência múltipla de Digitaria insularis

À Comunidade Agrícola,

Cumpre ao HRAC-BR, através do presente informativo, comunicar que houve recente relato de caso de resistência da espécie Digitaria insularis (Capim-amargoso) aos herbicidas pertencente aos grupo dos Inibidores da ACCase (Grupo A): fenoxaprop-P-etil e haloxifop-P-metil, e Inibidores da EPSPs (Grupo G): glifosato, na página internacional “www.weedscience.org” (Heap, I. The International Herbicide-Resistant Weed Database – 04/02/2021).

Os estudos seguiram as metodologias preconizadas nas publicações “Critérios para relato de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas” e “Dez passos para relatos de novos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil”, reconhecidos no Brasil e internacionalmente. Consistiram em ensaios de curva dose resposta dos herbicidas cletodim, fenoxaprop-P-etil, glifosato e haloxifop-P-metil em populações F1, F2 e F3 e caracterização da espécie.

Os estudos foram conduzidos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (Esalq– USP) e Bayer, confirmando-se a existência de biótipo de Digitaria insularis resistente aos herbicidas fenoxaprop-Petil (A), haloxifop-P-metil (A) e glifosato (G) na região de Diamantino/ MT.

Vale mencionar, que até o momento, não há relato semelhante a esse caso de falha de controle que esteja relacionado a esse tipo de resistência em outras regiões agrícolas do Brasil. Torna-se mais que importante o monitoramento e acompanhamento de escapes de controle.

Ressalta-se que Digitaria insularis possui relatos de resistência no Brasil aos mecanismos de ação do Grupo A e G, porém não com resistência múltipla. Em países vizinhos, como Argentina e Paraguai, existem relatos ao Grupo G. Portanto, essa é uma espécie que requer atenção e adoção cada vez mais intensa das boas práticas agrícolas e técnicas preconizadas de manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas.

Reforçamos, mais uma vez, a importância e necessidade de adoção das boas práticas agrícolas recomendadas, que, dentre outras, podemos destacar:

  • Uso correto do sistema integrado de manejo de controle de plantas daninhas;
  • Manejar as plantas daninhas antecipadamente e antes do plantio, evitando o pousio sem cultura e, ou sem formação de cobertura de solo;
  • Limpeza dos maquinários, utilizados na semeadura e colheita das áreas com suspeita, que transitam para outras áreas e, ou outros estados;
  • Adoção de sementes certificadas e nacionais, não somente de culturas como milho e soja, mas também de forrageiras de inverno, de forma a evitar o ingresso de plantas daninhas nas áreas agrícolas;
  • Redobrar atenção para áreas com falha de controle, priorizando a eliminação das plantas daninhas sobreviventes, seja manual ou através do uso de herbicidas de mecanismo de ação alternativos, fazendo-se da adoção da rotação dos diferentes mecanismos de ação;
  •  Uso correto de tecnologias de aplicação, bem como o uso dos diversos mecanismos de ação para os herbicidas, em pré e pós emergência, nos corretos momentos e de acordo com sua recomendação, nas questões de estádios de aplicação e doses.

Esta comunicação tem o objetivo de ALERTAR a comunidade agrícola e reforçar a necessidade de adoção das boas práticas agrícolas recomendadas, no sentido de preservar, de forma eficiente, as diferentes ferramentas para o manejo das plantas daninhas, colaborando para a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Atenciosamente, HRAC-BR (Comitê de Ação a Resistencia aos Herbicidas)
Caio Vitagliano Santi Rossi
Presidente

Fonte: HRAC

Equipe Mais Soja
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