O presente trabalho tem como objetivo verificar se a rotação com a
cultura da soja tem acréscimo de produtividade na cultura do milho.

Autores: Fabricio Vendruscolo Pinto Filho¹; Cristian Savegnago2; Ijésica Luana Streck3; Larissa Pozzer Ibaldi4; Paulo Marcks5; Renata Pizzatto Contini6; Solon de Lemos Rosa7.

Introdução

De acordo com a ONU – Organização das Nações Unidas, a estimativa de crescimento populacional para os próximos 80 anos é de 7,6 em 2019, 8,6 em 2030, 9,8 em 2050 e 11,2 bilhões de pessoas em 2100. Para alimentar 11,2 bilhões de pessoas em 2100, é necessário aumentar a produção de alimentos, que pode ser obtido através do aumento da área de cultivo ou pelo aumento da produtividade.

Na maior parte dos países produtores de alimentos, como o Brasil, por exemplo, há muito para explorar, principalmente em manejos que promovem o aumento de produtividade. O milho (Zea mays) e a soja (Glycine max L.) são culturas agrícolas chaves na segurança alimentar global, sendo as principais culturas utilizadas como fonte de energia a proteína para a alimentação humana e animal mundialmente.

O Brasil tem grande importância nesse cenário, conforme a CONAB (2019), o pais é o terceiro maior produtor de milho no mundo (81 milhões de toneladas) e o segundo em produção de soja (115 milhões de toneladas). Conforme a demanda crescente de alimentos mundialmente, estudos visando aumentar o potencial de produtividade são cada vez mais importantes, objetivando suprir este propósito, que o presente trabalho tem como objetivo verificar se a rotação com a cultura da soja tem acréscimo de produtividade na cultura do milho.

 

Material e Métodos

Nesse estudo foram utilizados dados de 72 questionários de lavouras de produtores (Figura 1) no estado do Rio Grande do Sul, acompanhadas por extensionistas da EMATER/RS – ASCAR, durante dois anos agrícolas (2016-2017 e 2017-2018). Esse conjunto de dados compreende a áreas com diferentes sistemas de produção de verão, como o monocultivo, caracterizado sendo áreas onde sempre se cultivou um único cultivo agrícola, e a rotação de culturas, neste caso, a rotação da cultura do milho com o da soja.

O conjunto de dados foi dividido em 2 grupos: o primeiro ficou as lavouras que ao longo dos 2 ciclos de cultivos, no verão apresentaram monocultivo de milho e no segundo grupo de dados ficou as lavouras que apresentavam rotação com a cultura da soja em pelo menos 1 cultivo de verão. Foram realizadas análises de correlação para identificar relações entre a produtividade média das lavouras e os diferentes sistemas de produção, além disso, também, foi calculado o erro padrão.

Figura 1. Mapa do Estado do Rio Grande do Sul, os círculos pretos representam as lavouras de milho onde foram aplicados os questionários nos 2 anos agrícolas.

Resultados e Discussão

Com base nos resultados de manejo levantados nas lavouras de milho no RS, nos anos agrícolas 2016/2017 e 2017/2018, foi verificado que é preciso fazer a rotação com soja para aumentar a produtividade de milho. Neste sentido, foi encontrado a menor produtividade média (7063,50 kg ha-1) em áreas com monocultivo de milho (Milho-Milho), onde o erro padrão foi de 581 kg ha-1, enquanto que as maiores produtividades foram encontradas em áreas em rotação com a soja (Milho-Soja), onde a produtividade média desse sistema de produção foi de 8675,71 kg ha-1, com erro padrão médio de 313 kg ha-1 (Figura 2).

Figura 2. Comparação entre os sistemas de produção de verão e a produtividade de milho no estado do Rio Grande do Sul. n é o número de lavouras e p é o coeficiente angular da análise de significância a 5 %.

A produtividade média de milho variou nas áreas com a rotação da soja, pois existem diferenças entre os sistemas de produção. O sistema de produção Milho-Soja apresentou a maior produtividade de Milho (+22.8 %) em relação ao monocultivo (Milho-Milho) (Figura 2). Neste sentido, foi possível identificar que o sistema soja-milho é um sistema promissor em áreas de cultivo de milho no estado do RS, sendo de fundamental importância investir neste sistema, para obter altas produtividades na cultura do milho.

Neste sentido, este trabalho vai de encontro com os reportados nos Estados Unidos, onde já foi identificado que o sistema de produção de verão Soja-Milho foi o mais promissor, sendo o mais utilizado no país, onde as produtividades atingem 4500,0 kg ha-1 e 14000,0 kg ha-1 para as culturas da soja e do milho, respectivamente (Guilpart et al., 2017). Santos & Reis (2001), que apresentam efeitos desta prática sobre rendimento de grãos, atribuindo também como efeito a manutenção e melhoria da fertilidade do solo.

Conclusão

Assim, a produtividade média do milho variou entre 7063,50 a 8675,71 kg ha-1 nos diferentes sistemas de produção, sugerindo que ainda há potencial para aumentar as produtividades. O maior ganho de produtividade é possível com o sistema de produção de verão soja-milho (+22.8 %), em relação ao monocultivo de milho.

Contudo, aumentar o potencial de produtividade no estado do RS, em sistemas de produção de milho altamente intensificados, exige uma combinação de agronomia clássica juntamente com estudos detalhados para quantificar ainda mais as contribuições da prática de rotação de culturas.


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Referências

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Séries históricas. Disponível em: http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1252&. Acesso em: 22 de junho de 2019.

GUILPART, N.; GRASSINI, P.; SADRAS, V. O.; TIMSINA, J.; CASSMAN, K. G. Estimating yield gaps at the cropping system level. Field crops research, v.206, p.21-32. 2017.

ONU – Organização das Nações Unidas. World population set to grow another 2.2 billion by 2050: UN survey, 2018

SANTOS, H. P. & REIS, E. M. Rotação de Culturas em Plantio Direto. Passo Fundo: Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 93p, 2001.

Informações dos autores

¹ Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

² Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

³ Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Acadêmica do Curso de Agronomia, Instituto Federal Catarinense – Campus Concórdia (IFC), Concórdia/SC.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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