A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha que tem aparecido com grande frequência nas regiões produtoras de soja e milho do Brasil. Produz alta quantidade de sementes, que são de tamanho pequeno, podendo serem levadas pelo vento até uma distância de 65 km, aproximadamente, se adaptando em sistemas de manejo, como o plantio direto e possui casos comprovados de resistência ao herbicida glifosato e a inibidores da acetolactato sintase (ALS) (SANTOS et al., 2014).

As sementes de buva germinam durante o outono e o inverno, principalmente entre os meses de junho a setembro, época em que boa parte das lavouras são deixadas em pousio, por causa das condições climáticas adversas (CONSTANTIN et al., 2013). As sementes maduras não são dormentes e, em geral, germinam sob temperaturas entre 10 e 25°C, e preferivelmente na presença de luz (WU & WALKER, 2006).


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Já o capim-amargoso é uma espécie daninha, perene, altamente competitiva que tem se tornado de grande importância nos últimos anos, devido ao fato de algumas populações terem sido selecionadas como resistentes ao glifosato e mais recentemente a inibidores de ACCase. A planta se propaga principalmente através de sementes, mas depois de entouceirada também se propaga por rizomas, dificultando ainda mais o seu controle. Pode florescer e disseminar sementes com baixos níveis de dormência durante o ano todo e possui grande relevância em lavouras de algodão, milho e soja.

O controle dessas duas espécies, que já é dificultado em virtude dos casos de resistência que ambas apresentam, é ainda mais difícil em casos onde as duas plantas daninhas aparecem na mesma área, simultaneamente. Isso porque além de apresentarem resistência, alguns herbicidas utilizados no controle dessas plantas daninhas apresentam antagonismo quando utilizados simultaneamente, devendo-se atentar para o manejo e utilização dos herbicidas de forma correta.


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Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Alfredo Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, comentou sobre o controle de buva e capim amargoso, quando ocorrem de forma simultânea na lavoura. O pesquisador alertou sobre o manejo, quais os herbicidas que podem ser utilizados evitando-se a pressão de seleção, antagonismo de produtos e sobre como garantir um controle eficiente dessas plantas daninhas.

Alfredo destacou que, em área com a presença de buva e capim-amargoso, por se tratar de uma planta de folha larga e outra de folha estreita e ambas apresentando resistências, deve-se dar uma importância maior ao manejo e controle dessas plantas daninhas para que o problema não se alastre e passe a ser mais difícil de ser contornado.

No caso dos herbicidas auxínicos, Alfredo destaca que tem-se o problema de antagonismo com os graminicidas, onde o 2,4-D é o herbicida com maior antagonismo, seguido do Triclopyr e por último o Dicamba, que mesmo não sendo na mesma escala, todos apresentam antagonismo e não devem ser utilizados juntamente com os graminicidas. O pesquisador ressalta também que esse antagonismo pode variar de 15 até 80%, dependendo das condições ambientais e de uma série de outros fatores, por isso, é mais seguro utilizar esses herbicidas de forma separada.

Para uma área com infestação média de capim-amargoso e de buva, ao mesmo tempo na lavoura, o exemplo para controle que foi dado pelo pesquisador foram, primeiramente em fazer-se o controle separado, focando primeiro na planta daninha que ocorre com maior intensidade e posteriormente na outra, ou então usar Glifosato + Saflufenacil + Graminicida, pensando em um controle simultâneo das duas plantas daninhas.


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Conforme destacado pelo pesquisador, nos últimos anos vem ocorrendo com bastante frequência um aumento da infestação da trapoeraba no período da entressafra, onde, em um cenário como esse, um bom manejo citado pelo pesquisador seria o uso de Glifosato + Carfentrazone + Graminicida.

Por fim, o pesquisador dá um exemplo de manejo completo, pensando-se no sistema como um todo e posteriormente na entrada da cultura da soja no limpo. Esse manejo incluiria primeiramente o uso de Glifosato + Graminicida, para controle de gramíneas como o capim-amargoso ou o capim pé-de-galinha, e cerca de duas semanas depois fazer uma aplicação de um produto Auxínico para daninhas de folha larga como a buva, que pode ser o 2,4-D, ou então o Triclopyr ou Dicamba para aqueles casos onde a buva já apresenta resistência ao 2,4-D.

Feito esse manejo, cerca de duas semanas após a aplicação do Auxínico deve-se entrar com um herbicida de contato, uma vez que, passados 30 dias da primeira aplicação para as gramíneas, muito provavelmente o capim-amargoso já vai ter rebrotado. Dessa forma, o pesquisador ressalta a importância do produto de contato que pode ser Paraquat ou Amônio Glufosinato, controlando também as folhas largas que já estavam sofrendo com o Auxínico.

É importante também lembrar que esse manejo apenas controla as plantas já existentes na lavoura, por isso, à última aplicação com o produto de contato pode se adicionar também um pré -emergente, para garantir que novas plantas daninhas venham a emergir antes do desenvolvimento da soja.

Vale ressaltar também que produtos como Triclopyr e Dicamba necessitam de um intervalo de 30 dias antes da semeadura da soja, para não interferir no desenvolvimento da cultura. Veja, na tabela abaixo as opções de manejo simplificadas que foram indicadas pelo pesquisador.

Tabela 1: Opções de manejo para controle de buva e capim-amargoso na mesma área.

Fonte: Elaborado pela autora com informações do pesquisador Alfredo Albrecht.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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