Autores: Mariane Camponogara Coradini¹; Matheus Bastos Martins¹; Taline Fonseca Munhos²; Viviane Aguilar Vighi²; André Andres³;

Introdução 

O gênero Amaranthus spp. se destaca entre as plantas daninhas infestantes na cultura da soja devido à dificuldade de manejo, por ocorrer durante todo o ciclo de cultivo, pelo rápido crescimento (metabolismo fotossintético C4) e pela elevada produção de sementes (Costea et al., 2004). A situação se agrava pelo aumento de biótipos resistentes registrados até o momento, inclusive casos de resistência múltipla aos principais herbicidas utilizados na cultura (Heap, 2021).

O uso de herbicidas pré-emergentes pode auxiliar o manejo de populações de plantas daninhas de difícil controle como o caruru, permitindo que a cultura se estabeleça no limpo. Esta estratégia colabora em reduzir o banco de sementes do solo e também o fluxo de emergência para complementação com herbicidas pós-emergentes, além de possibilitar a rotação de diferentes mecanismos de ação (Nunes et al., 2018).

Assim, o estudo visa avaliar a eficiência de herbicidas pré-emergentes no controle de Amaranthus hybridus na pré-emergência da soja e das plantas daninhas.

Material e Métodos 

O estudo foi conduzido a campo em área de produção comercial de soja localizada no município de Cerrito, RS (31°47’3.40″S, 52°50’33.56″W), na safra 2020/21 durante os meses de novembro a abril. O solo da propriedade é classificado como Latossolo Vermelho distrófico (EMBRAPA, 2018). O delineamento experimental adotado foi o de blocos casualizados com quatro repetições, onde as unidades experimentais mediram 5 x 3 m (15m²). A infestação de A. hybridus na área foi em média de 336 plantas m-2, proveniente do banco de sementes do local.

Em 02 de novembro de 2020, as plantas daninhas estabelecidas na área foram dessecadas utilizando o herbicida glyphosate (1440 g ha-1). A cultivar TMG 7061 foi semeada no dia 13 de novembro de 2020, utilizando semeadora de plantio direto com linhas espaçadas em 0,45 m, na população de 244 mil plantas ha-1. A adubação utilizada foi de 225 kg ha-1 de adubo NPK (02-23-23). No dia 17 de novembro de 2020 foi realizada a aplicação dos herbicidas pré-emergentes (Tabela 1), utilizando pulverizador costal pressurizado por CO2 e barra equipada com quatro pontas 110.015 espaçadas 0,5 m entre si, proporcionando volume de calda constante de 120 L ha-1. A testemunha com capina constituiu-se de duas capinas ao longo do ciclo da cultura. A emergência da cultura ocorreu no dia 18 de novembro de 2020.

O controle do caruru foi avaliado aos 7, 14 e 45 dias após aplicação (DAA) dos herbicidas, sendo avaliado também a fitotoxicidade na cultura. Para tal, foi utilizado a escala percentual onde a nota zero (0) representou a ausência de injúrias e a nota cem (100) a morte da cultura/plantas. A colheita das unidades experimentais foi realizada manualmente em área útil de 3m² no dia 16 de abril de 2021, para avaliação da produtividade da cultura. As amostras foram trilhadas, limpas, pesadas e analisadas quanto a umidade dos grãos, sendo seu peso corrigido para umidade padrão de 14%.

Os dados foram submetidos a análise da variância (p≤0,05) e sendo apontada diferença significativa entre os tratamentos, foi realizada comparação das médias através do teste de Tukey (p≤0,05) no software estatístico R versão 4.1.0.

Resultados e Discussão 

A análise de variância evidenciou diferenças entre os tratamentos para o controle do caruru (Tabela 2). Para a variável fitotoxicidade na soja, não foi observada diferença entre os tratamentos (dados não apresentados), os herbicidas demonstraram ser seletivos para a cultura.

De acordo com os dados observados na tabela 2, nota-se controle eficiente aos 7 dias após aplicação dos pré-emergentes, com performance acima de 95% para todos os herbicidas testados não diferindo entre si. Nas avaliações posteriores observou-se redução nos níveis de controle para alguns herbicidas, com destaque para diclosulam, s-metolachlor e flumioxazin que aos 14 dias após aplicação apresentaram resultados de controle inferiores aos demais. Os resultados foram semelhantes aos 45 dias após aplicação, onde os herbicidas supracitados e chlorimuron-ethyl apresentaram controle insatisfatório (inferior a 80%). Esses herbicidas não foram suficientes para garantir o controle prolongado de A. hybridus, indicando a necessidade da associação de herbicidas pós-emergentes a partir dos 14 dias após aplicação para garantir um controle satisfatório.

No geral, os tratamentos com sulfentrazone, metribuzin e as misturas formuladas sulfentrazone+diuron, imazethapyr+flumioxazin e pyroxasulfone+flumioxazin proporcionaram controle satisfatório, acima de 90% para todos os períodos avaliados no estudo. Os resultados de produtividade evidenciaram que as ferramentas préemergentes são essenciais para o sucesso do cultivo de soja (tabela 2). A não utilização de pré-emergentes levou a uma redução de 28% na produtividade, em relação à média dos tratamentos com estes herbicidas e no caso da testemunha sem aplicações.

Conclusão 

Programas de manejo baseados no uso dos herbicidas pré-emergentes sulfentrazone, metribuzin e as misturas formuladas sulfentrazone+diuron, imazethapyr+flumioxazin, pyroxasulfone+flumioxazin são opções eficientes visando o controle de A. hybridus no cultivo da soja, permitindo com que a cultura consiga expressar o seu potencial produtivo.

Informações sobre os autores:

  • ¹Acadêmicos do Programa de Pós-graduação em Fitossanidade, Universidade Federal de
    Pelotas (UFPel), Pelotas/RS. E-mail: marianecoradini@hotmail.com; matheusbastosmartins@gmail.com
  • ²Acadêmicos do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas/RS. Email: vivi_vighi@hotmail.com; munhostaline@gamil.com
  • ³Pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS. E-mail: andre.andres@embrapa.br

Referências 

COSTEA, M.; WHEAVER, S. E.; TARDIFF, F. J. The Biology Of Canadian Weeds. 130. Amaranthus retroflexus L., A.powellii S. Watson and A. hybridus L. Canadian Journal of Plant Science, 84:631-668, 2004.

HEAP, I. The International Herbicide-Resistant Weed Database. Online. Disponível em: www.weedscience.org. Acesso em: 05 de julho de 2021.

NUNES, A.L.; LORENSET, J. L.; GUBIANI, J. E.; SANTOS, F. M. A. Multy-Year Study Reveals the Importance of Residual Herbicides on Weed Control in Glyphosate-Resistant Soybean. Planta Daninha, 36:epub, 2018.

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