O trigo é uma importante cultura do sistema de produção de grãos no Sul do Brasil, capaz de trazer retorno financeiro para a propriedade durante o período de inverno, além de contribuir para a manutenção do sistema plantio direto (SPD). Como o não revolvimento do solo é uma das premissas do SPD, uma das pragas iniciais da cultura do trigo que no passado era comumente controlada por meio da gradagem do solo (preparo do solo), tem ganhado espaço em algumas lavouras de plantio direto.

Trata-se do coró-do-trigo (Phyllophaga triticophaga), considerado uma praga inicial da lavoura de trigo, cujos danos são causados principalmente por larvas de 3° instar, e variam desde o consumo das raízes das plântulas, até a morte total da planta e redução do estande de plantas da lavoura. Conforme destacado por Salvadori & Pereira (2006), além de se alimentar das raízes das plantas, as larvas de 3° instar do coró-do-trigo podem consumir sementes e parte aérea de plântulas, as quais “puxam” para dentro do solo, após devorarem seu sistema radicular.

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Os sintomas típicos da presença de corós-do-trigo em lavouras do cereal podem ser observados logo após o estabelecimento da lavoura, variando desde murcha das plântulas, até secagem, morte e desaparecimento de plântulas. Plantas sobreviventes podem expressar mais tardiamente morte de afilhos, secagem de folhas, redução do porte de plantas, do tamanho de espigas, tombamento, entre outros.



A flutuação populacional da praga pode variar de acordo com as condições ambientais, presença de pregadores, plantas hospedeiras, entre outros. Normalmente a praga apresenta maior relevância no estado do Rio Grande do Sul, sendo que seu ciclo é de aproximadamente dois anos.

Durante o primeiro ano, os ovos da praga podem ser encontrados a campo, normalmente entre novembro a dezembro, quando também aparecem larvas pequenas (de 1° instar). A ocorrência de larvas ativas (com maior capacidade em causar danos), estende-se de outubro a novembro do ano subsequente, quando então, param de se alimentar e iniciam a preparação para a fase de pupa, até janeiro-fevereiro do terceiro ano (Salvadori & Pereira, 2006).

Figura 1. Ciclo de vida e atividade de Phyllophaga triticophaga (coró-do-trigo) e relação com o ciclo das culturas de trigo, soja e milho no Rio Grande do Sul.

Fonte: Salvadori & Pereira (2006)

Como consequência dos danos decorrentes dos corós-do-trigo, além da redução do estante de plantas, é perceptível a redução do potencial produtivo das plantas sobreviventes. Conforme destacado por Salvadori & Pereira (2006), infestações a partir de 10 corós-praga/m2 já podem reduzir significativamente a produtividade do trigo. À medida que a população de corós-praga aumenta, os danos aumentam, podendo chegar a até 100% quando observadas populações de corós-praga de 25 a 30 corós/m².

Contudo, cabe destacar que nem todo coró observado no solo é considerado praga e pode causar injurias a culturas agrícolas como o trigo. Algumas espécies não são rizófagas, sendo algumas saprófagas, coprófagas e construtoras de galerias, as quais podem inclusive exercer efeito benéfico sobre o solo e culturas agrícolas.

Dessa forma, visando a maior assertividade do controle, deve-se realizar o monitoramento das áreas de cultivo, não só no período de safra, mas também na entressafra (preferencialmente o ano todo), para identificar as espécies presentes de corós, bem como o estádio de desenvolvimento da praga para melhor definir estratégias de manejo.  Felizmente diversos estudos científicos atestam que o controle eficiente dos corós pode ser realizado por meio do tratamento químico de sementes de trigo, com inseticidas registrados para a cultura e recomendados para o controle do coró-do-trigo, facilitando assim o controle da praga.

Embora muito limitada, a ação da rotação de culturas pode contribuir para mitigar os efeitos do coró-do-trigo. Além de evitar o cultivo de plantas hospedeiras desse coró, como o ciclo biológico da praga é de dois anos, com maiores danos no segundo ano, o uso das áreas infestadas pode ser planejado para produção de culturas mais sensíveis durante o ano de menores danos, e culturas mais tolerantes no ano de maior capacidade da praga em causar danos.

Para isso, o monitoramento das populações da praga e estádio de desenvolvimento, assim como conhecer as culturas hospedeiras da praga é determinante. Segundo Roggia et al. (2020), soja, milho, trigo, aveia, cevada, triticale, centeio, trigo-mourisco, canola, tremoço, azevém, ervilhaca, gramados, línguade-vaca (Rumex obtusifolius) e gorga (Spergula arvensis), são consideradas espécies hospedeiras do coró-do-trigo.


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Referências:

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Tecnologias de produção de Soja, Cap. 9, 2020. Disponível em: < https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5746636/mod_resource/content/1/Tecnologias%20de%20Produ%C3%A7%C3%A3o%20de%20Soja.2020.pdf >, acesso em: 25/04/2022.

SALVADORI, J. R.; PEREIRA, P. R. V. S. MANEJO INTEGRADO DE CORÓS EM TRIGO E CULTURAS ASSOCIADAS. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 203, 2006. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/co/p_co203.pdf >, acesso em: 25/04/2022.

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