A produtividade da soja é uma das variáveis mais analisadas na cultura, cujo aumento é buscado ano após ano, visando elevar o patamar produtividade da produtividade e com ele a rentabilidade do cultivo. Contudo, cabe destacar que assim como para os demais cultivos agrícolas, uma série de fatores podem interferir na produtividade da soja, como a fitossanidade da cultura, sua genética, as condições de ambiente e clima, entre outros.

Para a obtenção de boas produtividades de soja, é necessário visualizar o cultivo como um sistema de produção, onde a rotação dos cultivos assim como as culturas sucessoras á soja podem influenciar sua produtividade e tratos culturais. Além de contribuir para a produtividade da soja, a rotação e culturas possibilita o controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sua entressafra, reduzindo a interferência desses agentes na produtividade da cultura.

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A produtividade da soja em função da cultura sucessora foi avaliada por Ubida (2017), onde o autor cultivou soja em sistema plantio direto após diferentes culturas. Os tratamentos consistiram da semeadura da soja em sucessão a diferentes culturas de inverno assim denominados: 1- Pousio/soja, 2- Milho (Zea mays)/soja, 3- milho + Brachiaria ruziziensis (Brachiaria ruziziensis)/soja, 4- Aveia branca (Avena sativum)/soja, 5- Brachiaria ruziziensis + ervilhaca peluda (Vicia villosa Roth)/soja, 6- Milho + ervilhaca peluda/soja, 7- Canola (Brassica napus)/soja, 8- Trigo (Triticum spp.)/soja, 9- Milho + Crotalaria-espectabilis (Crotalaria espectabilis)/soja, 10- Cártamo (Carthamus tinctorius L.)/soja, 11- Crotalária- ochroleuca (Crotalaria ochroleuca)/soja, 12- Crambe (Crambe abyssinica Hoechst)/soja e tratamento 13- Níger (Guizotia abyssinica)/soja (Ubida, 2017).

Com base nos resultados obtidos por Ubida (2017), fica explicita a influência da cultura antecessora na produtividade da soja, assim como a considerável contribuição do cultivo na entressafra da soja para sua produtividade, uma vez que a menor produtividade observada por Ubida (2017) decorreu do cultivo da soja após pousio (tabela 1).

Tabela 1. Produtividade da soja cultivar Monsoy 6410 RR INPRO em função da cultura sucessora.

Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. ns= Não significativo 1- Pousio/soja, 2- Milho (Zea mays)/soja, 3- milho + Brachiaria ruziziensis (Brachiaria ruziziensis)/soja, 4- Aveia branca (Avena sativum)/soja, 5- Brachiaria ruziziensis + ervilhaca peluda (Vicia villosa Roth)/soja, 6- Milho + ervilhaca peluda/soja, 7- Canola (Brassica napus)/soja, 8- Trigo (Triticum spp.)/soja, 9- Milho + Crotalaria- espectabilis (Crotalaria espectabilis)/soja, 10- Cártamo (Carthamus tinctorius L.)/soja, 11- Crotalária-ochroleuca (Crotalaria ochroleuca)/soja, 12- Crambe (Crambe abyssinica Hoechst)/soja e tratamento 13- Níger (Guizotia abyssinica)/soja.
Adaptado: Ubida (2017)

 Os resultados de Ubida (2017) demonstram que a soja semeada em sucessão as culturas do milho; milho + braquiária; brachiara + ervilhaca peluda; Milho+ Crotalária spectabilis; Cártamo e Níger apresenta maiores produtividades em relação aos demais tratamentos analisados pelo autor, com produtividades respectivamente 16, 24, 20, 19, 14 e 24% superiores a soja cultivada após pousio. Sendo assim, a associação entre gramíneas e leguminosas pode ser considerada uma boa opção para a rotação de culturas.

Confira o Trabalho completo de Ubida (2017) clicando aqui!

Resultados semelhantes destacando a influência da cultura antecessora na produtividade da soja também foram obtidos por Carmo et al. (2017), onde os autores observaram maiores produtividade da soja cultivada após Urocloa ruziziensis.

Figura 1. Produtividade da soja cultivar BRS 359 RR em função da cultura antecessora.

Médias seguidas de mesma letra, não diferem significativamente (Teste F, p < 0,05).
Fonte: Carmo et al. (2017)

Tendo em vista os aspectos observados, fica evidente a influência da cultura antecessora na produtividade da soja. Sendo assim, deve-se pensar no sistema de produção de forma eficiente, visando adequar o sistema de rotação de culturas para melhor produtividade e rentabilidade e sustentabilidade da soja.

Leia +: Calagem – uma prática fundamental que evita desperdícios

Referências:

CARMO, C. M. et al. PRODUTIVIDADE DA SOJA NO PLANTIO DIRETO EM FUNÇÃO DA ESCARIFICAÇÃO, DO USO DE HASTE MAIS PROFUNDA NA SEMEADURA E DA CULTURA ANTECESSORA. XII Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/161883/1/185.pdf >, acesso em: 03/03/2021.

UBIDA, R. B. PRODUTIVIDADE DA SOJA EM SUCESSÃO A GRAMÍNEAS E OLEAGINOSAS NO SISTEMA PLANTIO DIRETO. Universidade Federal da Grande Dourados, Dissertação de Mestrado, 2017. Disponível em: < https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/MESTRADO-DOUTORADO-AGRONOMIA/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Rodrigo%20Baltazar%20Ubida.pdf >, acesso em: 03/03/2021.

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