Visando altas produtividades de soja, a lavoura deve ser vista como um sistema de produção e não como um cultivo isolado. Com isso em vista, a análise e correção do solo são fatores primordiais para a obtenção de boas produtividades de soja, sendo necessário muitas vezes fazer intervenções no sistema como um todo não apenas de forma isolada no cultivo da soja.

Se tratando da correção do solo, talvez um dos atributos com participação mais expressiva na produtividade da soja é o pH do solo. Isso porque a faixa de pH do solo está diretamente relacionado com a disponibilidade dos nutrientes para as plantas. Dessa forma, por mais que os nutrientes estejam presentem em quantidades elevadas no solo, caso o solo apresente pH inadequado, os nutrientes ficam indisponíveis para absorção pelas plantas.

Figura 1. Relação entre pH do solo e a disponibilidade de nutrientes para as plantas.

Embrapa (2013).

Conforme destacado por Sfredo (2008), a correção da acidez do solo através da calagem é o primeiro passo para a obtenção de um cultivo altamente produtivo. Além disso, o autor enfatiza que em solos ácidos, a limitação ao desenvolvimento das plantas decorre principalmente dos efeitos indiretos do pH do solo, como o aumento da disponibilidade de alumínio e manganês a níveis tóxicos ou a deficiência de nutrientes.



Além de interferir diretamente na disponibilidade de nutrientes, o pH pode influenciar na eficiência dos fertilizantes aplicados, sendo que dependendo no nutriente, quando menor o pH menor eficiência do fertilizante. Dessa forma, a adubação em solos ácidos torna-se quase que um desperdício de capital e recursos.

Tabela 1. Relação entre pH do solo e eficiência de fertilizantes.

Fonte: Embrapa, apud Abracal (2017)

A correção da acidez do solo deve levar em consideração uma série de fatores, desde como cultura, valor de pH desejado, saturação por bases entre outros. Entretanto, avaliando diferentes critérios de calagem para a soja em plantio direto convencional, Nolla & Anghinoni (2006) observaram que os melhores indicadores para calagem são o pH em água, a saturação por bases seguidos do Alumínio trocável e sua saturação na CTC.

Embora parâmetros como os citados anteriormente devam ser levados em consideração para a definição necessidade de calagem em conjunto com os resultados obtidos na análise de solo, existem vários métodos de recomendação de calagem. Basicamente o método consiste em buscar elevar a saturação por bases do solo a valores predefinidos pela pesquisa como mais adequados para as culturas (Gitti; Roscoe; Rizzato, 2019).

A necessidade de calagem para a camada de 0-20 cm pode ser definida com base na equação 1.

Equação 1. Necessidade de calagem para a camada de 0-20cm.

Fonte: Gitti; Roscoe; Rizzato (2019).

Onde:

NC é a necessidade de calagem calculada para a camada de 0 – 20 cm de solo;

 V1 é a saturação por bases original do solo;

 V2 é a saturação por bases pretendida (ideal para a cultura);

PRNT é o poder relativo de neutralidade total do calcário (%);

CTCTotal é a capacidade de troca de cátions total do solo, obtida por solução tampão de acetato de cálcio 0,5 mol L-1 a pH 7,0. (Gitti; Roscoe; Rizzato, 2019).

Embora haja uma equação pré-definida para a determinação da necessidade de calagem, cabe destacar que fatores como cultura, tipo de calcário utilizado e histórico da propriedade devem ser avaliados a fim de melhor determinação da necessidade de calcário não só em superfície, mas também nas camadas mais profundas do solo. Além disso, o calcário também é fonte de Calcio e Magnésio, sendo assim os teores nutricionais desses elementos também devem ser levados em consideração quando se visa a calagem e correção nutricional do solo. Para definição da dose correta consulte um engenheiro(a) agrônomo(a).


Veja também: Gesso agrícola: uma interessante ferramenta para uso no sistema plantio direto


Referências:

ABRACAL. SEM CALCÁRIO, ADUBO CHEGA A RENDER APENAS 27%. 2017. Disponível em: < http://www.abracal.com.br/noticia/75/sem-calcario-adubo-chega-a-render-somente-27.html >, acesso em: 26/02/2021.

GITTI, D. C.; ROSCOE, R.; RIZZATO, L. A. MANEJO E FERTILIDADE DO SOLO PARA A CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2018/2019, 2019. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/338/338/5e39725d5b9c36cc83636d9750d0cf5eee0b383ec2a46_01.-manejo-e-fertilidade-do-solo-para-a-cultura-da-soja.pdf >, acesso em: 26/02/2021.

NOLLA, A; ANGHINONI, I. CRITÉRIOS DE CALAGEM PARA A SOJA NO SISTEMA PLANTIO DIRETO CONSOLIDADO. R. Bras. Ci. Solo, 30:475-483, 2006. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/rbcs/v30n3/31214.pdf >, acesso em: 26/02/2021.

SFREDO, G. J. CALAGEM E ADUBAÇÃO DA SOJA. Embrapa, Circular Técnica, n. 61, 2008. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/470943/calagem-e-adubacao-da-soja >, acesso em: 26/02/2021.

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