As plantas do gênero Amaranthus, conhecidas popularmente como caruru, têm ganhado espaço em áreas de cultivo, figurando como principais e mais preocupantes plantas daninhas da produção de grãos. O manejo dessas plantas daninhas é complexo e exige medidas integradas.
As principais espécies de caruru de importância agrícola, compartilham características como rápido crescimento e desenvolvimento, elevada habilidade competitiva, resistência a herbicidas e grande produção de sementes. Essas características quanto associadas, dificultam ainda mais o controle efetivo do caruru, resultando em falhas de manejo e danos á cultura agrícola.
De acordo com Penckowski et al. (2020), espécies como Amaranthus hybridus tem a capacidade de produzir de 200 a 600 mil sementes por planta. Já se tratando de espécies como Amaranthus palmeri, há relatos na literatura de plantas com produção de sementes superior a 1 milhão (Gazziero & Silva, 2017).
Essa elevada produção de sementes, associada à forma e tamanho pequeno das sementes, contribui para a dispersão das sementes de caruru no solo, resultando em diversos fluxos de emergência da planta daninha ao longo do ciclo da cultura agrícola (figura 1). Embora herbicidas pré-emergentes desempenhem um papel indispensável na redução desses fluxos, medidas alternativas, especialmente durante os períodos entressafra são fundamentais para reduzir as infestações de caruru, de forma sustentável.
Figura 1. Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.

Uma dessas medidas é a inserção de espécies capazes de suprimir os fluxos de emergência do caruru na rotação de culturas do sistema de produção. Algumas espécies de plantas de cobertura e graníferas podem atuar de forma significativa no controle do caruru, mediante a produção de palhada e/ou biomassa, reduzindo os fluxos de emergência do banco de sementes do solo.
As sementes de caruru são consideradas fotoblásticas positivas e necessitam de luz para germinar. Nesse sentido, a cobertura do solo com biomassa ou palhada pode atuar como barreira física a luz, restringindo a germinação e emergência das sementes de caruru presentes no solo. Estudos científicos demonstram que algumas espécies apresentam maior aptidão para essa estratégia de manejo, com eficiência variando de acordo com a espécie de caruru (tabela 1).
Conforma destacado por Custódio & Karam (2026), algumas culturas de cobertura apresentam efeito supressor sobre as plantas daninhas, inibindo ou reduzindo a germinação, diminuindo a densidade e exercendo efeitos alelopáticos sobre essas espécies, e conhecer as principais para o manejo do caruru é fundamental para o planejamento do sistema de produção.
Confira na tabela abaixo as principais espécies com capacidade de controlar espécies de caruru.
Tabela 1. Culturas de cobertura com efeito negativo sobre espécies de caruru.

Referências:
CUSTÓDIO, I. G.; KARAM, D. ASSOCIAÇÃO DE PLANTAS DE COBERTURA E HERBICIDAS CONTRIBUI COM O MANEJO DE PLANTAS DANINHAS NA ENTRESSAFRA DA SOJA. Embrapa Milho e Sorgo, Comunicado Técnico, n. 264, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1186436/1/Associacao-de-plantas-de-cobertura-e-herbicidas.pdf >, acesso em: 11/09/2026.
GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 11/09/2026.
PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 11/09/2026.




