A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das principais doenças da soja, apresentando elevado potencial em causar danos. Segundo Godoy et al. (2020), os danos ocasionados pela doença podem variar de 10% a 90%, dependendo da intensidade e severidade da doença.

Os sintomas iniciais da doença são pequenas lesões foliares, de coloração castanha a marrom-escura. Na face inferior da folha, pode-se observar urédias que se rompem e liberam os uredósporos (Grigolli & Grigolli, 2018).

Figura 1. Ferrugem-asiática em soja.

As lesões causadas pelas doenças nas folhas reduzem a área fotossinteticamente ativa, reduzindo a produção de fotoassimilados e consequentemente acúmulo de matéria seca e produtividade da soja. Conforme destacado por Henning et al. (2014), para infecção do fungo na planta é necessário a disponibilidade de água livre na folha por pelo menos seis horas, temperaturas entre 18 e 26,5°C são favoráveis para a infecção da doença, sendo assim, deve-se atentar para o monitoramento da ferrugem asiática, principalmente em condições de elevada umidade relativa do ar e temperaturas amenas.

Com relação ao controle, o uso de fungicidas é indispensável, conforme recomendações com Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC), todo o programa de controle da doença deve ser realizado de forma preventiva, com a utilização de produtos registrados para a cultura.

Veja também: Eficiência de fungicidas multissítios no controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2019/2020: resultados sumarizados dos experimentos cooperativos

Mas é possível estimar os danos ocasionados pela ferrugem-asiática com base na severidade da doença?

Embora a redução da produtividade causada pela ferrugem esteja ligada a fatores como cultivar, ambiente e severidade da doença, Danelli; Reis; Boaretto (2015) determinaram o modelo de ponto crítico para estimar danos causados pela ferrugem-asiática em soja. No estudo conduzido pelos autores foram avaliadas duas cultivares e verificado o gradiente de intensidade da doença, em diferentes estádios do desenvolvimento da soja (R5.3; R5.4 e R5.5).



Os maiores danos foram observados no estádio mais precoce de avaliação, sendo que para incidência foliolar os coeficientes de danos variaram de 3,41 a 9,02 kg/ha para cada 1% de incidência foliolar, para a densidade de lesões variaram de 13,34 a 127,4 kg/ha/1 lesão/cm² e para densidade urédias variaram de 5,53 a 110,0 kg/ha/1 uredia/cm² (Danelli; Reis; Boaretto, 2015).

Figura 2. Relação entre incidência de folíolos (%) e rendimento de grãos (patossistema da soja x ferrugem asiática da soja) para BRS GO 7560 e BRS 246 RR no estágio fenológico R5.3, R5.4 e R5.5.

Adaptado: Danelli; Reis; Boaretto (2015).

Com base nos resultados observados por Danelli; Reis; Boaretto (2015), á possível observar que o início do enchimento de grãos (R5.3) é mais sensível a incidência da doença, podendo essa causar drásticas reduções de produtividade nesse período. Dessa forma, fica evidente a importância do manejo preventivo da doença.

Embora a definição dos danos ocasionados pela ferrugem-asiática em soja esteja relacionada e diversos fatores, Danelli; Reis; Boaretto (2015) obtiveram equações com elevado R², as quais podem ser uteis para a estimativa dos danos ocasionados pela ferrugem-asiática em soja.

Confira as equações determinadas pelos autores e o trabalho completo de Danelli; Reis; Boaretto (2015) clicando aqui!

Referências:

DANELLI, A. L. D.; REIS, E. M.; BORETTO, C. CRITICAL-POINT MODEL TO ESTIMATE YIELD LOSS CAUSED BY ASIAN SOYBEAN RUST. Summa Phytopathol., Botucatu, v. 41, n. 4, p. 262-269, 2015. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/sp/v41n4/0100-5405-sp-41-4-0262.pdf >, acesso em: 21/12/2020.

FRAC-BR. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 21/12/2020.

GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 160, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/215288/1/CT-160-OL.pdf >, acesso em: 21/12/2020.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja, 2017/2018, 2018. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/303/303/5bf01cc3a7885009c9e47176f153fe5e967c6cb20f243_06-manejo-de-doencas-na-cultura-da-soja-somente-leitura.pdf >, acesso em: 21/12/2020.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DA SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, ed. 5, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 21/12/2020.

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