A cultura da soja, importante commodity agrícola, vem sendo cultivada por produtores cada vez mais tecnificados. A obtenção de dados mais detalhados das áreas de cultivo está exigindo maior dinamismo, a exemplo, a delimitação de zonas para fins de manejo específico, podendo ser esta, uma abordagem operacional economicamente viável na agricultura de precisão.

O sensoriamento remoto, conjunto de técnicas que possibilita a obtenção de informações sobre alvos na superfície terrestre, tem sido apontado como um conjunto de técnicas alternativas à atual metodologia na delimitação de zonas para elaboração de mapas de produtividade encontradas, por exemplo, em colhedoras instrumentadas. A produtividade da cultura pode ser estimada a partir da sua relação com o vigor da cultura que, por sua vez, pode ser determinado via sensoriamento remoto, pela sua relação com determinados índices de vegetação gerados a partir de imagens multiespectrais.

Contudo, outro método também vem sendo empregado como meio de determinação de zonas de manejo, a videografia aérea. Esta técnica consiste na obtenção de imagens por meio de câmeras de vídeo montadas em plataformas aéreas seja por meio de satélites ou, mais recentemente, por drones.

A utilização da videografia vem crescendo rapidamente nos últimos anos devido, em especial, à evolução dos equipamentos utilizados, encontrando uma ampla gama de aplicações na área agrícola”. (VETTORAZZI, 2000).

Dessa forma, de encontro com o crescimento das aplicações tecnológicas, em estudo acerca da videografia, foi relatado no artigo “Estimativa da produtividade e determinação de zonas de manejo, em culturas de grãos, por meio de videografia aérea multiespectral” que com o surgimento das câmeras multiespectrais, o uso da videografia, realiza sua função nas faixas de luz visível, do infravermelho e do espectro eletromagnético de energia como podemos observar na Figura 1, retirado e adaptado ao projeto Aquarius, 2009 . Estudos recentes têm demonstrado que o uso de imagens aéreas abrangendo apenas a faixa do visível, fotografia convencional, não são eficientes na identificação da variabilidade espacial em culturas de grãos como a da soja.

Em estudo anterior, do mesmo autor, porém, em 2000, relatou sobre imagens em câmeras convencionais que utilizam faixas de comprimento de onda de luz visível a não ocorrência de coeficientes de determinação significativos para as análises de regressão realizadas entre mapas de produtividade de grãos e as respectivas imagens com filme 35 mm.

Figura 1. Imagem de lavoura utilizando videografia aérea multiespectral.

Para agregar em seu artigo, Araújo (2005) enfatizou a observação de outros pesquisadores que já vinham projetando a inovação da agricultura através da videografia ao sugerirem que:

A utilização da videografia pode ser empregada, na agricultura, para vários objetivos, como: mapear a ocorrência de plantas daninhas, pragas e doenças; monitorar o estado nutricional das culturas entre outros. (EVERITT E NIXON, 1985).

Portanto, conclui-se que no cenário de inovação e otimização na agricultura de precisão a utilização de imagens através da videografia aérea multiespectral resulta num desempenho significativo na produtividade de grãos tais como o da soja, estas imagens proporcionam informações importantes no delineamento de zonas de manejo em regiões que apresentam variabilidade espacial.

Este texto teve como leitura fundamentada no artigo publicado na revista Acta Sci. Agron 2005, Estimativa da produtividade e determinação de zonas de manejo, em culturas de grãos, por meio de videografia aérea multiespectral, pelo autor João Célio de Araújo, para maiores informações clique aqui.



Texto: André Müllich – Bolsista do grupo PET Agronomia/UFSM.


Imagem de capa: Beto Barata/Presidência da República

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