Metodologia desenvolvida pela Embrapa Soja permite identificar de forma simples e visual o grau de compactação e a qualidade física do solo em áreas agrícolas

Ferramenta DRES avalia a estrutura do solo diretamente em campo, sem necessidade de equipamentos caros e complexos

Método visual identifica sinais de degradação da estrutura por compactação ou pulverização excessiva

Com o Agrotag DRES metodolofia funciona com maior objetividade, facilidade de uso e compartilhamento de dados

Evita práticas de descompactação mecânica desnecessárias e pode reduzir custos de produção. Curso on-line da Embrapa capacita técnicos e produtores para uso da metodologia.

A Embrapa Soja desenvolveu uma metodologia prática e acessível para avaliar a qualidade da estrutura do solo em áreas agrícolas: o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES). Criado em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e outras unidades da Embrapa, o método permite que produtores e técnicos identifiquem, de forma visual e direta, sinais de conservação da estrutura do solo ou se sua degradação por compactação e pulverização excessiva, nas camadas superficiais, até cerca de 25 centímetros de profundidade.

A estrutura do solo — ou seja, a forma como partículas minerais e orgânicas se organizam em agregados e poros — é determinante para a fertilidade, pois influencia a infiltração de água, a circulação de raízes, a aeração e a atividade biológica. Métodos tradicionais de avaliação estrutural, no entanto, costumam ser complexos e pouco práticos para o dia a dia do campo.

De acordo com Henrique Debiasi, pesquisador da Embrapa Soja e um dos desenvolvedores da ferramenta, o DRES foi concebido para uso em campo, dispensando equipamentos laboratoriais e análises demoradas. “O DRES vem para auxiliar o produtor e o técnico na tomada de decisão sobre o melhor manejo para melhorar a qualidade estrutural do solo. Com isso, é possível aprimorar o desempenho econômico e ambiental dos sistemas de produção de soja”, explica.

A aplicação do DRES começa com a abertura de uma minitrincheira e a retirada de um bloco de solo com o auxílio de uma pá de corte. As coletas devem ser feitas em áreas homogêneas da propriedade, definidas conforme o histórico, tipo e textura do solo. Segundo Debiasi, cada área homogênea não deve ultrapassar 100 hectares.

O bloco de solo é colocado em uma bandeja e fragmentado manualmente, revelando a estrutura dos agregados, raízes e poros. A avaliação é feita com base em critérios visuais, como tamanho e forma dos agregados, resistência e aspecto das faces de ruptura, presença e distribuição das raízes e sinais de atividade biológica.

Cada amostra é dividida em uma a três camadas separadas visualmente, que recebem notas de 1 a 6: 1 representa estrutura degradada e 6 indica excelente condição física. A média dessas notas, ponderada pela espessura das camadas, resulta no índice de qualidade estrutural do solo, que serve para classificar o solo e orientar o manejo.

Com base no índice calculado, o produtor pode avaliar se há necessidade de replanejar a adoção de práticas conservacionistas, alterar o sistema de manejo ou mesmo realizar intervenções mecânicas, como a escarificação. “Essas operações, quando feitas sem necessidade, elevam custos e podem até reduzir a produtividade das culturas”, ressalta o pesquisador.

Dependendo do resultado do DRES, a indicação técnica pode ser a realização de operações mecânicas de descompactação. Mas por se tratar de um critério cientificamente validado, a aplicação do DRES evita a realização de operações mecânicas desnecessárias, que elevam os custos e podem reduzir a produtividade.

Além de oferecer um retrato rápido e econômico da condição física do solo, o DRES pode ser usado como ferramenta de monitoramento ao longo do tempo, permitindo verificar se o manejo adotado está de fato melhorando a estrutura do solo.

Por isso, o DRES se destaca por sua simplicidade e rapidez, podendo ser aplicado em diferentes regiões e tipos de solo do Brasil, desde áreas arenosas até argilosas, e em distintos sistemas produtivos.

Capacitação e limitações

Para ampliar o uso da metodologia, a Embrapa lançou um curso on-line gratuito destinado a técnicos, agrônomos, produtores e estudantes. O conteúdo aborda o passo a passo da aplicação do método, a interpretação das notas e exemplos práticos de campo.

Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que o DRES é uma avaliação visual e qualitativa, devendo ser complementado com outros indicadores físicos, químicos e biológicos do solo para diagnósticos mais completos. A coleta deve ser feita em condições adequadas de umidade, evitando solos muito secos ou encharcados, que dificultam a observação das feições estruturais.

Em um cenário de intensificação agrícola e de crescente preocupação com a conservação do solo, o DRES representa um avanço para o manejo sustentável. A metodologia alia simplicidade, baixo custo e confiabilidade, auxiliando o produtor na adoção de práticas que favorecem a produtividade e reduzem os riscos de degradação.

Mais informações estão disponíveis na Série Documentos 390 da Embrapa Soja, que detalha a aplicação do método e apresenta exemplos de uso em diferentes sistemas produtivos.

DRES no Zoneamento de Risco Climático (ZARC): o manejo do solo como um novo indicador de zoneamento

O uso recente do DRES no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) representa um avanço metodológico na incorporação do manejo do solo à avaliação de risco agrícola. No projeto-piloto do ZARC Níveis de Manejo (ZarcNM) para a cultura da soja no Paraná, o DRES passou a ser utilizado como indicador técnico da qualidade física do solo, permitindo classificar talhões conforme o nível de manejo adotado.

A integração do DRES ao ZARC possibilita ajustar o risco climático calculado — antes baseado apenas em variáveis meteorológicas e tipo de solo — à condição estrutural real do solo na propriedade, refletindo sua capacidade de infiltração, armazenamento e disponibilidade hídrica às plantas. Com isso, áreas que apresentam melhor qualidade estrutural (notas elevadas no DRES) são enquadradas em níveis superiores de manejo tornando-se elegíveis a maiores percentuais de subvenção do seguro rural e reconhecimento formal das boas práticas conservacionistas.

Agrotag DRES: maior objetividade, facilidade de uso e compartilhamento de dados

A Embrapa desenvolveu o AgroTag, uma plataforma digital destinada ao registro georreferenciado de informações agrícolas em campo, que permite integrar dados agronômicos, ambientais e de manejo. Segundo Sérgio Pimenta, eng. Agronomo especialista em agricultura regenrativa e CEO 360Consult, da 360Consult, o Instituto Folio financiou a inclusão de um módulo gratuito, específico para o DRES, dentro desta plataforma, com o objetivo de facilitar a adoção dessa ferramenta essencial para a agropecuária regenerativa e sustentável.

Utilizado nesse contexto, o AgroTag em sua versão pública ou na configuração mais ampla no módulo AgroTag360, possibilitam que técnicos, pesquisadores e produtores coletem, validem e compartilhem informações padronizadas por meio de dispositivos móveis, com registro automático de coordenadas GPS. Os dados são armazenados em um banco nacional unificado, contribuindo para a certificação de práticas agrícolas, o mapeamento de níveis de manejo e a rastreabilidade das áreas produtivas. “Estamos começando o Agrotag–DRES em processos de manejo orientados pela agricultura regenerativa e pela melhoria contínua dos sistemas produtivos”, comenta Pimenta.

Até recentemente o DRES só podia ser implementado manualmente, utilizando planilhas e anotações manuais avulsas, na maioria dos casos em papel. Essa sistemática era altamente limitadora, considerando a possibilidade de erros durante o preenchimento, impossibilidade de novas consultas aos sistemas de manejo classificados, bem como um grande dispêndio de tempo para anotações e cálculos necessários durante o levantamento de campo. Com o uso do Agrotag os cálculos são feitos de maneira automática, o que praticamente elimina erros por preenchimento, destaca Luiz Vicente, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, coordenador da Plataforma Agrotag.

Vicente ainda enfatiza que os dados de campo, incluindo a classificação das áreas de manejo são enviadas automaticamente para um sistema WebGis (sistema de dados geoespaciais on-line) onde podem ser consultados e analisados como uma base de dados única, compondo uma rede colaborativa de usuários. A expectativa é que o uso da funcionalidade DRES no Agrotag amplie a adoção da ferramenta, tornando sua aplicação mais ágil e possibilitando, além da orientação ao produtor, análises mais robustas por meio do cruzamento com outras camadas de dados geoespaciais, constituindo-se num exemplo aplicado de transferência de Geotecnologias diretamente para o setor agrícola.

Detalhes sobre o uso do Agrotag e suas funcionalidades pode ser obtidos aqui – aba leiame.

Mais detalhes sobre o uso do DRES podem ser obtidos aqui.

FONTE

Autor:Embrapa

Site: Embrapa

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.