Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, uma vasta gama de doenças pode incidir sobre a cultura, causando redução da produtividade da cultura e qualidade dos grãos ou sementes produzidos. No cultivo da soja, deve-se atentar principalmente para a ocorrência de doenças fungicas, as quais de maneira geral respondem de forma positiva às condições ambientais de elevada temperatura e umidade do ar.

Dentre as principais doenças que incidem sobre a cultura, podemos destacar a ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), a cercospora (Cercospora kikuchii) e a antracnose (Colletotrichum truncatum).

Segundo Godoy et al. (2020), a ferrugem-asiática da soja é uma doença extremamente agressiva, seus danos podem variar de 10 a 90% dependendo da intensidade e severidade da doença. Já a mancha-alvo, segundo Godoy et al. (2019), pode causar redução da produtividade da soja de até 40% em cultivares suscetíveis.

Não menos importante, a Cercospora kikuchii, caso não seja identificada e controlado no início do seu desenvolvimento, pode causar redução da produtividade da soja de 3 a 5 sc.ha-1. (Portal Syngenta). A antracnose além de causar redução significativa na produtividade da soja, pode causar danos de ordem qualitativa, depreciando os grãos ou sementes e reduzindo sua qualidade.

Figura 1. Sintomas foliares de: (A) – ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), (B) – mancha-alvo (Corynespora cassiicola), (C) – cercospora (Cercospora kikuchii) e (C) – antracnose (Colletotrichum truncatum) em soja.

Tendo em vista o impacto negativo que essas doenças podem desencadear sobre a produtividade e qualidade da soja, é essencial estabelecer um manejo eficiente dessas doenças. Embora os fungicidas sejam as ferramentas mais utilizadas no manejo e controle de doenças fungicas na cultura da soja, o elevado custo de controle e a resistência de doenças a fungicidas, torna indispensável a busca por alternativas de manejo que possibilitem o adequado controle de doenças, aliado ao manejo da resistência das mesmas a fungicidas.

O manejo da resistência é tão importante quando a escolha do fungicida adequado, visto que o uso indiscriminado do mesmo produto ou mecanismo de ação pode desencadear casos de resistência, comprometendo a eficiência e eficácia do produto.

Dentre as alternativas que vem sendo empregadas no controle de doenças em soja, o uso de fungicidas protetores, multissítios e a aplicação de fungicidas de forma preventiva, vem desempenhando papel essencial no manejo de doenças em soja. Além dessas, outras ferramentas como a rotação de cultura e mecanismos de ação de fungicidas são essenciais para preservar a eficiência dos produtos existentes e reduzir a pressão de inóculo das doenças.

Tendo em vista a importância do manejo de doenças em soja, a Equipe Mais Soja realizou algumas perguntas sobre o tema ao Líder de Fungicidas da Syngenta, Marcos Queiros.

  1. Mais Soja (MS) – Como está o cenário de resistência em soja em relação as carboxamidas e estrobilurinas? O uso dos fungicidas protetores e multissítios foi fundamental na proteção deste grupo de ativos (carboxamidas especialmente)?

 Marcos Queiros (MQ) – Dentre os principais patógenos que acometem a cultura da soja, praticamente todos já apresentam populações com alguma redução de sensibilidade a fungicidas. As estrobilurinas são afetadas por uma mutação específica (F129L), que se mostra presente em todas as regiões do país em altíssima frequência, afetando de forma cruzada todos os ingredientes ativos dentro deste grupo. O que, infelizmente, traz este grupo de ferramentas para um baixo nível de contribuição para o manejo de doenças da soja.

As carboxamidas, em geral, também sofreram reduções de sensibilidade nestes últimos anos, porém ainda se destacam como ferramentas cruciais para um bom manejo de doenças da soja, sobretudo quando utilizadas de forma correta (uso preventivo e em associação com parceiros efetivos).

E justamente falando em parceiros – que foram e continuam sendo fundamentais frente ao desafio atual – é que temos a estratégia de associação de fungicidas (protetores e multissítios) como uma das principais manobras para maximizar o manejo de doenças. Para o produtor significa garantir a proteção do potencial produtivo da lavoura e, ao mesmo tempo, gerenciar a evolução de resistência (dessas populações menos sensíveis) que progride safra a safra. Além disso, mais do que utilizar os melhores ferramentais, o segredo está em utilizá-los no momento correto e da forma correta.

  1. (MS) – Como o clorotalonil auxilia no manejo de doenças em soja? Quais os principais pontos fortes?

(MQ) – Hoje, sabemos que os desafios em soja vão além da ferrugem. Doenças como septoria, corynespora, oídio, antracnose e cercospora tem ganhado cada vez mais espaço na redução da produtividade das lavouras.

Neste contexto, clorotalonil, presente no Bravonil da Syngenta, se apresenta como o multissítio mais completo do mercado, com maior espectro de controle, além de trazer ao produto uma segurança para performance de fungicidas, por ser uma ferramenta crucial para o gerenciamento de resistência para todo o complexo de doenças da soja. Trata-se de uma ferramenta estratégica, que eleva a eficácia de controle de doenças no manejo do produtor, gerenciando, também, a evolução de resistência.

  1. (MS) – Quando, na sua opinião, optar por um reforço de triazóis em relação aos protetores?

(MQ) – O reforço com triazóis apropriados, além de elevar o controle para ferrugem da soja, incrementa mais no controle do complexo de doenças quanto comparado aos multissítios.

Aplicações e cenários agronômicos que demandam uma solução mais completa frente ao complexo de doenças, incluindo algumas de difícil controle, como antracnose, são os momentos em que temos maior diferencial para o uso de triazóis. Por exemplo, o uso de CYPRESS como parceiro – mistura de ciproconazol e difenoconazol em doses adequadas – é extremamente eficaz durante a primeira aplicação de soja, aquela realizada logo antes do fechamento das entre linhas.

Além do poder curativo de ciproconazol sobre a ferrugem, o difenoconazol é o triazol de maior espectro do mercado, controlando desde oídio, septoria, cercospora até mesmo a antracnose. Neste mesmo momento, o uso de triazóis e associação de carboxamidas contribuem para uma proteção robusta do baixeiro da planta, o que é fundamental para uma lavoura mais sadia e folhas mais protegidas para a formação e enchimento de grãos, o momento mais crítico para o produtor. Obviamente, isso não dispensa o uso de multissítios dentro do manejo, pois o manejo deve ser consciente.

  1. (MS) – Neste cenário, com atrasos de semeadura, quais perspectivas para o manejo de patógenos?

(MQ) – Observamos um atraso de plantio também na safra passada e, com isso, houve maior concentração de área plantada em menor tempo, que diante de condições climáticas favoráveis pode ser uma ameaça para a ocorrência de patógenos em alta pressão de forma mais generalizada. Nestas condições, é fundamental que as aplicações de fungicidas ocorram da forma mais preventiva, com uso de ferramentas adequadas nos momentos corretos. Isso deve garantir uma lavoura mais livre de doenças durante todo seu ciclo.

  1. (MS) – Mancha alvo, por que o aumento da incidência e quais as dicas de manejo?

(MQ) – Sabe-se que Corynespora cassiicola é um fungo necrotrófico, isto é, sobrevive nos restos de cultivos anteriores e, muito provavelmente, já está na palhada na área desde a semeadura da soja. Sobrevive ali, no mesmo local, safra a safra. Em condições que temos sistemas de cultivo soja-algodão, a situação é ainda mais agravante pela intensificação do sistema em si (maior pressão de inoculo e risco de perdas em produtividade). Somado a isso, a mancha alvo é um patógeno que vem adquirindo resistência significativa a fungicidas, como fluxapiroxad por exemplo, que são amplamente adotados no manejo. Além disso, é uma doença que já está resistente ao uso de todas as estrobilurinas. Assim, dependendo do cenário, não é um alvo de simples manejo. Tanto é que, safra após safra, as perdas de produtividade têm aumentado: em condições experimentais, passam de 10 sacos por hectare.

Esta maior presença no campo requer um planejamento que vai desde seleção de cultivares ao uso de fungicidas com alta eficiência, novamente utilizados de forma correta. O uso e associação triazóis com carboxamidas de forma preventiva tem se destacado no controle deste alvo. Aqui, novamente o uso de multissítio dentro do manejo se faz crucial para um manejo consciente e de sucesso.

  1. (MS) – Depois de 18 anos, o que aprendemos ao manejar a ferrugem, que não podemos abrir mão?

(MQ) – Aprendemos que a ferrugem é imprevisível e que deve sempre ser tratada como a doença de maior agressividade no cultivo da soja, principalmente diante de todo o contexto que já discutimos. O cenário hoje é mais complexo: ainda temos a ferrugem como grande vilã, mas outras doenças têm contribuído mais e mais para redução de produtividade em todo país. Por isso, a escolha dos fungicidas é fundamental e, mais do que isso, é necessário saber como utilizá-los da melhor forma.

O contexto agronômico atual, exige uma forma diferente para controlar as doenças da soja e garantir elevados patamares de produtividade. Por isso, é imprescindível que o manejo seja consciente.

Tendo em vista das contribuições de Marcos Queiros e os aspectos observados, é possível concluir que o manejo de doenças em soja é uma tarefa extremamente complexa, que deve ser eficiente, sem abrir mão do manejo da resistência. Ferramentas como a rotação de culturas, o uso de cultivares resistentes e/ou tolerantes, assim como a rotação de mecanismos de ação de fungicidas e o uso de fungicidas protetores, são essenciais no manejo de doenças da soja, e devem ser inseridas no sistema de produção reforçando o uso de fungicidas no manejo de doenças em soja.

Veja também: Eficiência de fungicidas multissítios no controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2019/2020: resultados sumarizados dos experimentos cooperativos.

Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2018/19: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 149, 2019. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111015/eficiencia-de-fungicidas-para-o-controle-da-mancha-alvo-corynespora-cassiicola-na-cultura-da-soja-na-safra-201819-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos >, acesso em: 16/11/2020.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 160, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1124331/eficiencia-de-fungicidas-para-o-controle-da-ferrugem-asiatica-da-soja-phakopsora-pachyrhizi-na-safra-20192020-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos >, acesso em: 16/11/2020.

PORTAL SYNGENTA. CERCOSPORA E FERRUGEM ASIÁTICA: INIMIDAS DA LAVOURA DE SOJA. Portal Syngenta, disponível em: < https://portalsyngenta.com.br/noticias/cercospora-e-ferrugem-asiatica-inimigas-da-lavoura-de-soja >, acesso em: 16/11/2020.

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Redação: Equipe Mais Soja, com informações da assessoria de imprensa Syngenta.

 

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