Se tornando cada vez mais frequente em lavouras de milho, os enfezamentos têm ganhado destaque pelo elevado potencial em causar danos e difícil controle. O enfezamento vermelho e o enfezamento pálido são os mais comuns encontrados em lavouras de milho.

O enfezamento é uma doença sistêmica causada por microrganismos semelhantes a bactérias denominados molicutes. A principal forma de transmissão da doença é por meio de insetos vetores, sendo o principal a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). Sendo assim, a principal forma de manejar a doença é controlar o vetor, tornando necessário para isso conhecer seu comportamento, danos e período ideal de controle.

Em entrevista ao canal da Embrapa, o entomologista Charles Martins da Embrapa explica as principais estratégias para reduzir os danos causados pelos enfezamentos e cigarrinhas do milho. Segundo Martins, os danos ocasionados pela cigarrinha-do-milho estão relacionados a transmissão dos molicutes causadores do enfezamento, logo, infelizmente não existe nível de controle propriamente dito para cigarrinhas, visto que uma alta população da praga com poucas cigarrinhas infectadas podem causar menos danos que populações pequenas com grande quantidade de indivíduos infectados.

Áreas com elevada infestação de cigarrinhas infectadas podem causar redução de produtividade de até 70%, entretanto, cabe destacar que por se tratar de uma doença de ciclo longo, seu potencial em causar redução da produtividade do milho está relacionado ao estádio de infecção da doença na cultura.

Veja +: Cigarrinha-do-milho – entenda o que é enfezamento e seu controle

O entomologista chama atenção para a o período crítico de ocorrência da praga. Segundo Martins da emergência da cultura do milho até o período V4, tem-se a fase em que a infecção das plantas pode representar maior redução da produtividade do milho, sendo esse, considerado o período crítico para controle. Quando a infecção das plantas se da no período do florescimento ainda ocorrem prejuízos, entretanto menores em comparação a infecção da emergência a V4. Já quando a infecção das plantas ocorre em períodos posteriores ao florescimento, os danos são considerados baixos em virtude do elevado ciclo da doença.



Para controle da cigarrinha, pode-se fazer uso do tratamento de sementes e aplicações de inseticidas na parte aérea da cultura quando necessário. Segundo Martins, para uso no tratamento de sementes a maioria dos produtos com registro para a cultura são neonicotinóides.

Mas quando aplicação inseticidas na parte aérea da planta?

Segundo Martins, a cigarrinha-do-milho é considerada um inseto diurno por apresentar maior atividade durante o dia, especialmente nas horas mais quentes. Sendo assim, as aplicações de inseticidas devem ser realizadas preferencialmente no início da manhã, final da tarde ou no período da noite. Entretanto, independente do horário de aplicação, deve-se levar em consideração especialmente as condições ambientais. A temperatura mínima deve ser de pelo menor 10°C; sendo a temperatura ideal de 20 a 30 oC; e a máxima, de 35°C. A umidade relativa do ar mínima de pelo menos 60%; ideal de 70 a 90%; e a máxima, de 95%. Com relação e velocidade do vento, se recomenda que seja inferior a 10 km/h. (Vargas & Gleber, 2005).

Em qual estádio aplicar?

Tendo em vista que o período crítico de transmissão dos molicutes e consequentemente dos enfezamentos ocorre da emergência da cultura a V4, esse deve ser o período preferencial para aplicação de inseticidas visando controlar populações de cigarrinhas.

Existem outras estratégias para redução dos enfezamentos?

Conforme destacado por Martins, a cigarrinha do milho multiplica-se apenas na presença da cultura, sendo assim, plantas voluntárias de milho ou plantas de milho “tiguera” como são popularmente conhecidas, podem ser consideradas as principais responsáveis pela sobrevivência das cigarrinhas e da doença. Sendo assim, uma das principais estratégias para a redução dos enfezamentos é a eliminação de plantas de milho voluntárias.

Outra medida é a padronização da data de semeadura das áreas de milho quando possível. Isso porque, conforme explicado por Charles, cigarrinhas infectadas tendem a migras de áreas mais velhas para áreas de cultivo mais jovens, sendo assim, tem-se a concentração das cigarrinhas. Com a padronização das áreas tende-se a proporcionar maior distribuição dos vetores, ocasionando menor concentração da doença e menores danos.

Infelizmente ainda não existem cultivares de milho resistentes aos enfezamentos, entretanto algumas cultivares apresentam menor sensibilidade a doenças, logo, em áreas com histórico de ocorrência de enfezamentos, elevada pressão da doença e presença de vetores, deve-se priorizar o uso de cultivares menos sensíveis.

Confira o vídeo abaixo com as dicas de manejo do entomologias da Embrapa Charles Martins.

 

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Referências:

VARGAS, L., GLEBER, L. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE AMEIXA EUROPÉIA: TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS. Embrapa, 2005. Disponível em: < https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Ameixa/AmeixaEuropeia/tecnologia.htm#:~:text=Em%20geral%2C%20as%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de,m%C3%A1xima%2C%20de%2035%C2%B0C.&text=Altas%20temperaturas%20podem%20provocar%20a,aumentar%20a%20evapora%C3%A7%C3%A3o%20das%20gotas. >, acesso em: 04/02/2021.

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