A época de semeadura é um dos principais fatores relacionados a produtividade da soja. Ainda que varie em função do grupo de maturidade relativa, a latitude desempenha um papel crucial no aumento do potencial produtivo devido ao maior comprimento do dia e à maior disponibilidade de radiação solar, sendo assim, a época de semeadura interfere diretamente no potencial produtivo da cultura (Pegoraro, 2024).
Estudos regionalizados permitem definir com maior precisão o período ideal de semeadura da soja, contribuindo para a redução de perdas de produtividade. Para a região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e metade do Paraná), trabalhos da equipe FieldCrops indicam que cultivares com GMR ≤ 5,5 apresentam uma janela de semeadura mais restrita, entre 20 de setembro e 3 de novembro. A partir desse período, observa-se redução média de 30 kg ha⁻¹ por dia de atraso (Figura 1A).
Para cultivares com GMR entre 5,6 e 6,4, a janela ótima se estende até 15 de novembro, com perdas estimadas em 25 kg ha⁻¹ dia⁻¹ em semeaduras tardias (Figura 1B). Já cultivares com GMR ≥ 6,5 mantêm altas produtividades até 20 de novembro, passando então a apresentar reduções da ordem de 25 kg ha⁻¹ por dia de atraso (Figura 1C).
Figura 1. Produtividade (t ha-1) de soja no Sul do Brasil em relação à época de semeadura (dias após 20 de setembro) para diferentes faixas de GMR. GMR ≤ 5.5 (A), GMR 5.6 a 6.4 (B) e GMR ≥ 6.5 (C). Círculos azuis representam experimentos irrigados e círculos amarelos experimentos sem irrigação. A linha sólida preta representa a função limite.

No entanto, definir a época de semeadura não é apenas uma questão relacionada ao aumento do rendimento da soja, mas também, a manutenção do potencial produtivo, manejo de pragas e doenças, assim como redução dos riscos relacionados ao clima. Para isso, anualmente são definidas as portarias que estabelecem os períodos de vazio sanitário e calendário de semeadura da soja.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) tem como objetivo reduzir os riscos climáticos ao orientar o produtor na definição da melhor época de semeadura, considerando a região, a cultura e o tipo de solo. Para a soja, são estabelecidas áreas e janelas de plantio com base em probabilidades de perdas de rendimento (20%, 30% e 40%) associadas a eventos meteorológicos adversos, contribuindo para a redução de perdas, maior estabilidade produtiva e expansão das áreas agrícolas (MAPA, 2024). Além disso, vale destacar que alguns agentes financeiros condicionam a concessão do crédito rural à observância aos indicativos do ZARC (MAPA, 2017)
Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo (Tabela 1). Além de minimizar os riscos relacionados a eventos climáticos, seguir as orientações do ZARC, respeitando o período de vazio sanitário é crucial para o manejo de doenças expressivas da soja como a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi).
Tabela 1. Períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

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Atualização
O MAPA em parceria com a Embrapa, avançou ao aprovar a segunda fase do Zarc Níveis de Manejo (ZARCNM). Como uma evolução do ZARC, o ZARCNM incorpora a qualidade do manejo agrícola, especialmente do solo, como fator adicional na avaliação dos riscos produtivos. Diferentemente do modelo tradicional, que considera principalmente variáveis climáticas, essa abordagem classifica os sistemas produtivos em diferentes níveis de manejo, levando em conta práticas como conservação do solo, rotação de culturas e uso de tecnologias. Com isso, produtores que adotam manejos mais eficientes passam a ter janelas de semeadura mais amplas e menores riscos estimados, tornando o zoneamento mais preciso e alinhado à realidade das lavouras (MAPA, 2026).
Nesse contexto, por meio da Resolução nº 111, o MAPA ampliou o ZARC Níveis de Manejo, fortalecendo essa abordagem. A nova fase do projeto expande sua cobertura para mais estados, inclui culturas como o milho safrinha e reforça os incentivos às boas práticas agrícolas, além de elevar os percentuais de subvenção ao seguro rural, que podem chegar a até 40% para soja, e prever a inclusão de novas culturas a partir de 2026 (MAPA, 2026).
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Referências:
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 29/04/2026.
MAPA. RESOLUÇÃO Nº 111, DE 28 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-n-111-de-28-de-abril-de-2026-702094797 >, acesso em: 29/04/2026.
MAPA. ZARC: MAPA PUBLICA ZONEAMENTO AGRÍCOLA DE RISCO CLIMÁTICO DA SOJA PARA SAFRA 2024/2025. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2024. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/2024/mapa-publica-zoneamento-agricola-de-risco-climatico-da-soja-para-safra-2024-2025 >, acesso em: 29/04/2026.
MAPA. ZONEAMENTO AGRÍCOLA DE RISCO CLIMÁTICO. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2017. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/riscos-seguro/programa-nacional-de-zoneamento-agricola-de-risco-climatico/zoneamento-agricola >, acesso em: 29/04/2026.
MAPA. ZONEAMENTO: MAPA AMPLIA ZARC NÍVEIS DE MANEJO E ELEVA SUBVENÇÃO DO SEGURO RURAL PARA ATÉ 50%. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/mapa-amplia-zarc-niveis-de-manejo-e-eleva-subvencao-do-seguro-rural-para-ate-50 >, acesso em: 29/04/2026.
ORDOÑEZ, M. A. G. ÉPOCA DE SEMEDAURA DA SOJA NO SUL DO BRASIL. Mais Soja, 2025. Disponível em: < https://maissoja.com.br/epoca-de-semeadura-da-soja-no-sul-do-brasil/ >, acesso em: 29/04/2026.
PEGORARO, C. P. QUAL A MELHORA ÉPOCA DE SEMEADURA DE SOJA NO BRASIL? Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/semeadura-epoca/ >, acesso em: 29/04/2026.
WINCK, J. E. M. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 3, 2025.





