A escassez de oferta interna de arroz e a necessidade de buscar um grande volume no mercado externo para suprir a demanda são os fatores que garantem sustentação para as cotações em novembro. Segundo analistas de SAFRAS & Mercado, por outro lado, os compradores relutam em aceitar cotações acima das atuais.

“Sabendo da proximidade do ingresso de arroz novo do Paraguai, a tendência é que as indústrias ingressem no mercado apenas para suprir necessidades imediatas. Até o ingresso da safra nova no Brasil, a referência para a formação de preços será a paridade de importação”, disse o consultor Gabriel Viana.

Depois de interromper a escalada de alta no final da primeira quinzena de setembro, os preços do arroz vêm encontrando dificuldade em romper uma resistência que fica por volta de R$ 105,00/saca na média das praças gaúchas. Conforme o analista essa barreira pode ser justificada pela dificuldade de repasse ao varejo e pela proximidade da colheita paraguaia.

“A paridade de importação permanece sendo a principal referência para a formação de preços. Afora isso, é preciso continuar atento aos números da balança comercial do cereal, que mostrarão quão apertado será o abastecimento no pico da entressafra”, explicou.

O câmbio é peça fundamental para a formação da paridade de importação, que deve ditar os preços domésticos até a entrada da safra nova a partir de março.

Rio Grande do Sul

O plantio do arroz para a safra 2020/21 atinge 97% da área no Rio Grande do Sul. Os trabalhos avançaram 3 pontos percentuais na última semana. Em igual período do ano passado, atingiam 78%. A média para o período é de 87%. A sequência de dias de tempo seco no RS tem assegurado a implantação das lavouras.

México

O México estabeleceu uma quota tarifária plurianual para a importação de arroz com casca do Brasil. O volume do produto autorizado a ingressar com tarifa zero é de 30 mil toneladas, até 31/12/2020, e de 75 mil toneladas, no período de 1/1/2021 a 31/12/2021.

Estas negociações já eram trabalhadas há alguns meses entre os dois países, porém no atual momento de preços brasileiros e preços dos Estados Unidos, não há grande espaço para o arroz brasileiro entrar no mercado mexicano. Mesmo sem as tarifas de importação, os preços norte-americanos são aproximadamente 30% mais baixos que os brasileiros, sem contar o custo logístico para entrega no país caribenho. “Ainda assim, o arroz brasileiro ganha um novo mercado que poderá ser explorado quando os preços se tornarem mais competitivos no mercado internacional”, disse Viana.

Safra global

A safra global de arroz foi indicada em 503 milhões de toneladas para 2020/21, contra 504 milhões de toneladas em outubro. Segundo o Conselho Internacional de Grãos (CIG), a estimativa para 2019/20 foi mantida em 497 milhões de toneladas.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Gabriel Nascimento - Agência SAFRAS

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