A taxa de incremento de matéria seca na planta de soja é pequena no início, porém aumenta gradativamente durante os estádios vegetativos de desenvolvimento até o R1, quando aumentam o desenvolvimento das folhas e a cobertura do solo. Em torno de R2, a taxa diária de acúmulo de matéria seca pela planta é essencialmente constante até o gradativo decréscimo durante o período de enchimento das sementes (logo após R6), terminando após R6.5 (Figura 1).

Figura 1. Acúmulo total de matéria seca em diferentes partes da planta de soja.

Fonte: IPNI.

*Obs: Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos, onde o ciclo da cultura da soja se dá no período que pra nós corresponde ao inverno, porém, o mesmo ocorre no Brasil nos meses de setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro.

O acúmulo de matéria seca inicia-se nas partes vegetativas da planta, porém, entre R3 e R5.5 transloca-se gradativamente para as vagens e grãos em formação. A taxa de crescimento das folhas, pecíolos e hastes segue o mesmo padrão da planta como um todo até o início de formação das vagens e grãos, ou seja, até aproximadamente R4. Logo após R5.5 a matéria seca é máxima nessas partes vegetativas, quando então inicia-se rapidamente a sua translocação para os grãos em formação.

A perda de folhas e pecíolos começa entre os estádios V4 e V5, nos nós vegetativos e pecíolos mais baixos, e progride muito lentamente para o ápice da planta até logo após o estádio R6. A partir desse momento, a perda de matéria seca torna-se rápida e contínua até o estádio R8, quando normalmente todas as folhas e pecíolos caem.

 O crescimento radicular começa com a emergência da raiz primária a partir da germinação da semente. Sob condições favoráveis, a raiz primária e várias raízes laterais crescem rapidamente e podem alcançar profundidades de 0,8 a 1,0 m no estádio V6. Durante os estádios vegetativos mais adiantados e próximo ao florescimento (de V6 a R2) o sistema radicular se expande na sua maior velocidade. A maior parte desse crescimento ocorre nos primeiros 30 cm de solo, desde que haja umidade adequada.

Algumas raízes podem estar nos 2,5 cm superficiais do solo. Em R6, sob condições favoráveis, as raízes de soja podem atingir profundidades maiores que 1,8 m e se estender lateralmente de 25 a 50 cm. Nesse estádio, as raízes crescem muito lentamente, porém, algumas continuam o seu crescimento até a maturidade fisiológica (R7).



 Parte do nitrogênio utilizado pela planta de soja é proveniente da fixação do nitrogênio do ar, realizada pela bactéria Bradyrhizobium japonicum presente nos nódulos radiculares. Essa bactéria infecta as raízes causando a produção de nódulos logo no estádio V1. Ao longo dos estádios vegetativos de desenvolvimento, o número de nódulos aumenta junto com a taxa de fixação do N2. Por volta do estádio R2, a taxa de fixação do N2 aumenta significativamente, atingindo o seu pico no estádio R5.5, e cai rapidamente a seguir.

O florescimento inicia-se no estádio R1 com a abertura da primeira flor entre o terceiro e sexto nó vegetativo da haste principal, progredindo daí para cima e para baixo. As primeiras flores geralmente aparecem na base de um rácemo. Com o tempo, o rácemo se alonga, enquanto novas flores aparecem progressivamente em direção ao seu ápice. No estádio R5 a planta completou a maior parte do seu florescimento, porém, um pouco de flores ainda pode abrir nos ramos e nos nós superiores da haste principal. A maioria das flores de soja se autofecunda no momento ou um pouco antes da sua abertura.

Três a quatro dias após a abertura da flor, suas pétalas murcham e a vagem (fruto) começa a alongar-se. Entre 2 e 2,5 semanas após a abertura de uma flor, a vagem formada apresenta-se com o seu comprimento máximo. O desenvolvimento das vagens na planta é rápido entre R4 e R5, pois apenas poucas vagens totalmente formadas estão presentes nos nós vegetativos mais baixos na haste principal durante o estádio R4. Muitas vagens atingem o tamanho final em R5 e quase todas estão completamente desenvolvidas no estádio R6.

 Os grãos (sementes) no interior de uma vagem não iniciam o seu rápido desenvolvimento enquanto a vagem não tenha atingido o seu comprimento final e os grãos se apresentem com 7 a 8 mm de comprimento. Numa planta em R5, a partir do momento em que um grão se apresenta com 8 mm de comprimento, o mesmo inicia rapidamente o acúmulo de matéria seca. Em torno de R5.5 a taxa de acúmulo de matéria seca por todas as vagens em uma planta de soja é rápida e constante. Esse rápido crescimento de todas as vagens de uma planta começa a diminuir logo após o estádio R6.5 e não é mais possível de ser mensurado no estádio R7.

Figura 2. Acúmulo total de nitrogênio em diferentes partes da planta de soja.

Fonte: IPNI.

*Obs: Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos, onde o ciclo da cultura da soja se dá no período que pra nós corresponde ao inverno, porém, o mesmo ocorre no Brasil nos meses de setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro.

Figura 3. Acúmulo total de potássio em diferentes partes da planta de soja.

Fonte: IPNI.

*Obs: Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos, onde o ciclo da cultura da soja se dá no período que pra nós corresponde ao inverno, porém, o mesmo ocorre no Brasil nos meses de setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro.

O rendimento de soja, ou seja, o peso total das sementes, pode ser descrito pela seguinte equação:

Rendimento = número médio de plantas por hectare x número médio de vagens por planta x número médio de grãos por vagem x peso médio de um grão.

Uma planta de soja crescendo sem competição com outras plantas irá ramificar intensamente, formando uma planta com arquitetura mais aberta. Aumentando-se o número de plantas na área (densidade de plantas) aumenta-se a altura destas e a tendência ao acamamento, reduzindo-se a ramificação e o número de vagens por planta.

 Porém, admite-se um valor ótimo para densidade de plantas visando-se mais vagens e grãos por unidade de área. Essa densidade ótima de plantas difere com os cultivares e ambientes de crescimento. O ambiente no qual um determinado cultivar de soja cresce influencia extremamente o desenvolvimento e o rendimento da planta.

A ocorrência de estresse ambiental em qualquer estádio de desenvolvimento da soja irá reduzir o seu rendimento. Estresses tais como: deficiências nutricionais, umidade inadequada, danos por geada, granizo, pragas ou acamamento, causam enormes reduções de rendimento quando ocorrem entre os estádios R4 e logo após o R6. Dentro dessa faixa fenológica, o período entre os estádios R4.5 e R5.5 é especialmente sensível ao estresse.

Como a planta de soja amadurece depois do R6, a quantidade potencial de redução de produção causada por estresse diminui gradualmente até o estádio R7, quando o rendimento não é mais afetado por este. Altos rendimentos somente são obtidos quando as condições ambientais são favoráveis em todos os estádios de crescimento da soja.


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Fonte das informações: IPNI.

Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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