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Fito ou doença?

A aplicação de defensivos agrícolas é indispensável em culturas comerciais para evitar perdas quantitativas e qualitativas da produção. No entanto, diversos fatores podem influenciar a eficiência dos defensivos, podendo inclusive, a aplicação deles, resultar em sintomas de fitotoxicidade. Os sintomas de fitotoxicidade são comuns em soja, principalmente em decorrência da aplicação de fungicidas e herbicidas sob condições inadequadas de umidade e temperatura do ar, e/ou dose do produto ou calda de pulverização.

Sintomas de fitotoxicidade em soja 

Normalmente, os sintomas de fitotoxicidade em soja são observados nas folhas da cultura, principalmente no terço superior das plantas, onde há maior concentração de defensivos. Os sintomas da fitotoxicidade podem variam em função da natureza do produto aplicado. Em herbicidas por exemplo, nem sempre o sintoma expresso reflete na necrose da folha, podendo ocorrer deformação das folhas, retenção foliar, atrofiamento de plântulas, epinastia, entre outros.

Contudo, no geral, os sintomas decorrentes da aplicação de fungicidas em soja, normalmente são expressos como a necrose entre nervuras das folhas, podendo resultar em confusão com sintomas decorrentes de doenças causadas por patógenos em soja.

Figura 1. Sintomas de fitotoxicidade decorrente da aplicação de fungicidas em soja.
Fonte: Roseghini (2016)

Doenças fungicidas como cancro da haste [Diaporthe aspalathi (sin. Diaporthe phaseolorum var. meridionalis) e Diaporthe caulivora (sin. D. phaseolorum var. caulivora)], podridão parda da haste e [Cadophora gregata (sin. Phialophora gregata)] e Podridão vermelha da raíz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum), podem expressar sintomas foliares similares aos observados em casos de fitotoxicidade em soja. Os sintomas são tipicamente caracterizados como a necrose entre nervuras, dando aspecto “Carijó” para as folhas.

Figura 2. Sintomas foliares de cancro da haste em soja Diaporthe phaseolorum var. meridionalis).
Foto: PlantwisePlus Knowledge Bank

Para diferenciar o cancro da haste da fitotoxicidade em soja, é necessário analisar o restante da planta. Os sintomas iniciais são pequenos pontos negros na haste, que evoluem para manchas alongadas a elípticas e mudam da coloração negra para a castanho-avermelhada. As lesões evoluem na haste, dando aspecto necrosado para a haste que fica “seca” na parte afetada, podendo quebrar.

Já com relação a podridão parda da haste, pode-se notar o escurecimento da medula da haste e das raízes, antes dos sintomas externos.  Nas folhas, podem ocorrer a súbita clorose e necrose entre nervuras, podendo ocorrer a desfolha precoce da planta, ou até mesmo sua morte antes de completar o enchimento de grãos (Henning et al., 2014).

Figura 3. Sintomas foliares de podridão parda da haste e [Cadophora gregata (sin. Phialophora gregata)].
Fonte: Costamilan et al. (2021)

A podridão vermelha da raiz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum), por sua vez, também pode expressar sintomas foliares similares, sendo necessário analisar a planta completa para definir o diagnóstico. Além de necrose ente nervuras das folhas, a podridão vermelha da raiz apresenta sintomas na base da haste e raízes das plantas infectadas.

Figura 4. Sintomas foliares de podridão vermelha da raiz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum) em soja.
Foto: D. Malvick, Univ. of Minnesota

A infecção na raiz inicia com uma mancha avermelhada, mais visível na raiz principal, geralmente localizada um a dois centímetros abaixo do nível do solo. Essa mancha expande-se, circunda a raiz e passa da coloração vermelho-arroxeada para castanho-avermelhada a quase negra. O tecido lenhoso da haste, acima do nível do solo, adquire coloração castanho-clara (Henning et al., 2014).

Figura 5. Sintomas de podridão vermelha da raíz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum) em raiz de soja.
Foto: D. Malvick, Univ. of Minnesota

Logo, nem todo sintoma foliar com necrose entre nervuras é sinônimo de fitotoxicidade em soja, sendo necessário compreender o contexto em que esses sintomas surgem, e conhecer o histórico sanitário e de aplicações da lavoura, além de analisar de forma completa a planta, a fim de averiguar sintomas que podem estar relacionados a ocorrência de doenças. Vale destacar que em algumas situações, ambos as causas podem estar presentes, de forma associada, tanto a ocorrência de fitotoxicidade quando a incidência de doenças, o que dificulta ainda mais a diagnose. No geral, recomenda-se analisar a planta completa para descartar possíveis causas patogênicas.


Veja mais: Qual o potencial de danos do crestamento foliar de cercospora?


Confira o vídeo abaixo com as dicas do professor e pesquisador Marcelo Madalosso.


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Referências:

COSTAMILAN, L. M. et al. PODRIDÃO-PARDA DA HASTE: REAÇÃO DE GENÓTIPOS DE SOJA, NA SAFRA 2020/2021. Embrapa, Circular Técnica, n. 65, 2021. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/225489/1/CircTec-65-o.pdf >, acesso em: 28/02/2024.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 28/02/2024.

NDSU. SOYBEAN DISEASE DIAGNOSTIC SERIES. North Dakota State University, 2024. Disponível em: < https://www.ndsu.edu/agriculture/extension/publications/soybean-disease-diagnostic-series >, acesso em: 28/02/2024.

 

Equipe Mais Soja
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