Entenda o mecanismo de ação dos herbicidas Inibidores da ACCase, como utilizá-los e sua importância para a agricultura brasileira.

Hoje vamos dar continuidade ao texto da série Mecanismos de Ação!

No texto de hoje vamos falar dos conhecidos graminicidas, ou seja, dos herbicidas Inibidores da ACCase.

Estes herbicidas atuam dentro do cloroplasto, mais especificamente inibindo a enzima Acetil-Co A carboxilase.

São utilizados em pós-emergência das plantas daninhas, sendo seletivos para as culturas dicotiledôneas (folhas largas).


Veja também: Mecanismos de ação de herbicidas


Os herbicidas pertencentes a este mecanismo de ação afetam a síntese de lipídios das plantas e começaram a ser comercializados no mundo no final da década de 1970.

Os lipídios são muito importantes para as plantas, contribuindo com 5 a 10% da massa seca das células vegetais. São também os principais constituintes  das membranas das células e de suas organelas.

A inibição da síntese de lipídeos impossibilita as membranas de se formarem e de se manterem.

Estes produtos são rapidamente absorvidos pelas folhas (translocação apossimplástica, ou seja, tanto pelo xilema quanto pelo floema, por isso são considerados sistêmicos), possuem baixa ou nula atividade no solo, por isso não são utilizados em pré-emergência.

São herbicidas classificados como sistêmicos, controlando gramíneas anuais e perenes, com tolerância variada entre as espécies.

As doses utilizadas em pós-emergência são geralmente baixas, sendo o estádio mais suscetível das gramíneas aquele compreendido entre 3 a 5 folhas.

Como são absorvidos pela folhas, requerem o uso de adjuvante (consulte a bula de cada produto para ver qual o mais indicado).

Mundialmente os herbicidas inibidores da ACCase pertencem a três grupos químicos: os ariloxifenoxipropanoatos (FOPs), as ciclohexanodionas (DIMs) e as fenilpirazolinas (PPZ).

Fonte: weedscience.

A Tabela abaixo relaciona os grupos químicos com os herbicidas pertencentes a cada um deles e para quais culturas são registrados. Lembrando que a tabela mostra apenas o registro e não a modalidade de aplicação, alguns herbicidas são seletivos apenas em jato dirigido às entrelinhas. 

Grupo químico Ingrediente ativo Culturas
Ariloxifenoxipropanoatos (FOPs) Quizalofop algodão, amendoim, batata, café, cebola, citros, feijão, soja, tomate
Propaquizafop algodão, soja
Fluazifop alface, algodão, batata, brócolis, cana-de-açúcar (maturador), canola, cebola, cenoura, couve-flor, feijão, girassol, mandioca, repolho, soja, tomate
Haloxyfop algodão, feijão, soja
Clodinafop  trigo
Cyalofop arroz/arroz de sequeiro, arroz irrigado
Fenoxaprop alface, arroz/arroz de sequeiro, batata, cebola, cenoura, ervilha, feijão, melão, soja, tomate
Ciclohexanodionas (DIMs) Profoxydim arroz/arroz de sequeiro, arroz irrigado
Clethodim abacaxi, algodão, alho, batata, batata-doce, batata-yacon, berinjela, café, cará, cebola, cenoura, feijão, fumo, gengibre, girassol, inhame, jiló, maçã, mandioca, mandioquinha salsa, melancia, milho, pimenta, pimentão, quiabo, soja, tomate, trigo, uva
Sethoxydim algodão, feijão, fumo, gladíolo, milho resistente ao sethoxydim, soja
Tepraloxydim algodão, feijão, soja
Fenilpirazolinonas (PPZ) Pinoxaden

Agora que vimos como o herbicidas deste grupo são classificados, vamos ver alguns sintomas que eles causam nas plantas suscetíveis.

Sintomas característicos dos Inibidores da ACCase

  • São mais visíveis nas regiões meristemáticas, onde ocorre a desintegração dos meristemas, que sofrem descoloração, ficam marrons e desintegram-se; 
  • Ocorre paralisação do crescimento, mas os sintomas demoram a aparecer;
  • Clorose nas folhas recém-formadas;
  • Amarelecimento;
  • Folhas mais desenvolvidas podem adquirir coloração arroxeada ou avermelhada;
  • Doses subletais: estrias cloróticas ou esbranquiçadas nas folhas que variam dependendo da dose e do estádio das plantas.
Milho com sintomas de fluazifope.

Informação importante: herbicidas inibidores da ACCase possuem antagonismo com herbicidas de folhas largas: 2,4-D, dicamba, bentazon, diclofop + 2,4-D, sethoxydim ou fluazifop com bentazon ou acifluorfen.

Casos de resistência

No mundo estão registrados 48 espécies de plantas daninhas resistentes aos inibidores da ACCase.

No Brasil, estão registrados nove casos de plantas daninhas resistentes aos inibidores da ACCase.

Acompanhe na tabela abaixo os casos no Brasil.

Fonte: weedscience.

Conclusão

Vimos neste texto as principais características dos herbicidas Inibidores da ACCase, os casos de resistência, os grupos químicos, as culturas em que são registrados.

Agora que vimos a importância desse mecanismo de ação para a agricultura, você já tem uma base maior para rotacionar mecanismos de ação e incorporar o que você aprendeu para fazer o manejo integrado de plantas daninhas.



Gostou do texto? Tem mais dicas sobre os herbicidas Inibidores da ACCase? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli é Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente está cursando MBA em Agronegócios.

 


Foto de capa: researchgate

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.