No texto de hoje, vamos continuar entendendo sobre os mecanismos de ação dos herbicidas.

Já vimos sobre os Inibidores da ACCase, Glutamina sintetase, Biossíntese de Carotenóides e Fotossistema I

No texto de hoje vamos compreender o mecanismo de ação dos herbicidas Inibidores do Crescimento Inicial.

Este grupo é representado pelos herbicidas pendimethalin, trifluralin, s-metolachlor, alachlor e acetochlor. 

Os herbicidas deste mecanismo de ação são divididos em 3 grandes grupos: K1 (Inibidores da formação de microtúbulos), K2 (Inibidores da mitose) e K3 (Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeia longa).

Fonte: Weed Science.

 

No Brasil estão registrados apenas os herbicidas pertencentes aos grupos K1 e K3. Vamos ver as principais características de cada um deles.

Principais características dos herbicidas inibidores da formação de ácidos graxos de cadeia longa (K3)

  • São representados pelos herbicidas alachlor, acetochlor e s-metolachlor;
  • O grupo químico destes herbicidas é Cloroacetamidas;
  • Inibem a enzima acil-CoA elongases, que são responsáveis pela síntese de lipídios de cadeia muito longa, precursores de cera, suberina e cutina;
  • Impedem a síntese de giberelina e transformação de amido em glicose nas gramíneas;
  • As sementes afetadas pelo herbicida germinam, mas não emergem;
  • As plântulas que emergem apresentam folhas retorcidas, mal formadas e verde-escuro;
  • Folhas largas ao emergirem ficam encarquilhadas e produzem uma depressão acentuada na ponta das folhas;
  • Controlam principalmente gramíneas, mas também algumas dicotiledôneas;
  • Utilizados em pré-emergência;
  • As cloroacetamidas são aparentemente absorvidas pelas raízes (dicotiledôneas) e pelas partes acima da semente epicótilo (principalmente gramíneas), mas a translocação é baixa;
  • Baixa a média mobilidade nos solos.

Sintomas de s-metolachlor.

Principais características dos herbicidas inibidores da formação de microtúbulos (k1)

  • São representados pelos herbicidas trifluralin e pendimethalin;
  • O grupo químico destes herbicidas é Dinitroanilinas;
  • Interferem em uma das fases da mitose, que corresponde à migração dos cromossomas da parte equatorial para os pólos das células;
  • Todos estes compostos (grupo das dinitroanilinas) interferem no movimento normal dos cromossomas durante a seqüência mitótica;
  • As dinitroanilinas inibem a polimerização da tubulina e, conseqüentemente, a formação do fuso cromático e movimentação dos cromossomas na fase da mitose;
  • Inibem o crescimento da radícula e a formação das raízes secundárias;
  • São eficientes apenas quando usados em pré-emergência;
  • Eles provocam a ruptura da seqüência mitótica (prófase > metáfase > anáfase > telófase) já iniciada;
  • As raízes incham nas pontas;
  • Quando a raiz principal consegue se desenvolver, fica curta, espessa e sem raízes secundárias;
  • Devido a ausência de raízes, a parte aérea fica atrofiada e avermelhada;
  • Em dicotiledôneas pode ocorrer a formação de calos na base da planta;
  • Paralisam o crescimento das raízes;
  • Possuem pouca ou nenhuma atividade foliar;
  • Apresentam de moderada a muito baixa movimentação no solo;
  • Apresentam ótima ação no controle de gramíneas.

 Planta de mamona com sintomas de s-metolachlor misturado ao solo em doses crescentes da esquerda para a direita. Foto: Liv Soares Severino. Fonte: Embrapa.


Leia também: Herbicidas Inibidores do Fotossistema 2 (FSII) (Grupo C)


 

Casos de resistência no Brasil e no mundo!

No mundo estão registrados 12 espécies de plantas daninhas resistentes ao grupo K1, 1 espécies resistentes ao grupo K2 e 7 ao grupo K3.

Casos de resistência aos Inibidores da formação de microtúbulos (K1). Fonte: Weed Science.

No Brasil não temos casos de plantas daninhas com resistência a herbicidas deste mecanismo de ação.

Vamos ver agora as culturas em que são registrados este mecanismo de ação:

A tabela abaixo foi feita com base no Guia de Herbicidas (2018), nela constam as culturas em que podem ser utilizados os herbicidas Inibidores do Crescimento Inicial.

Consulte o guia e a bula de cada produto para verificar o modo de aplicação para que você não tenha problemas com a seletividade dos herbicidas.

Herbicidas Culturas
pendimethalin alho, amendoim, arroz/arroz de sequeiro, batata, cana-de-açúcar, cebola, feijão
trifluralin amendoim, arroz/arroz de sequeiro,  cana-de-açúcar, cebola, cenoura, cevada, eucalipto, feijão, girassol, mandioca, milho, pimentão, repolho, seringueira, soja, tomate
s-metolachlor algodão,  cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho, soja, uva

Conclusão

No texto de hoje entendemos mais sobre o mecanismo de ação do herbicidas Inibidores do Crescimento Inicial.

Vimos como as principais características deste grupo, os casos de resistência, sintomas após a aplicação, como atuam dentro das plantas e em quais culturas podem ser utilizados. 

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre os herbicidas Inibidores da Biossíntese de Carotenóides? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

Foto de Capa: Fonte Embrapa

Referências utilizadas neste artigo:

Aspectos da biologia e manejo das plantas daninhas / organizado por Patrícia Andrea Monquero – São Carlos: RiMa Editora, 2014.

Biologia e manejo de plantas daninhas / editores: Rubem Silvério de Oliveira Jr., Jamil Constantin e Miriam Hiroko Inoue – Curitiba, PR: Omnipax, 2011.

Proteção de Plantas – Manejo de Plantas Daninhas. Silva, A.A.; Ferreira, E.A.; Pires, F.R.; Ferreira, F.A.; Santos, J.B.; Silva, J. Ferreira.; Silva, J. Francisco.; Vargas, L; Ferreira, L.R.; Vivian, R.; Júnior, R.S.O.; Procópio, S, 2010.

 

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