Conheça os herbicidas que representam este grupo, como atuam na planta, quais os sintomas e principais características!


Mecanismos de ação de herbicidas


No texto de hoje vamos entender sobre os herbicidas pertencentes ao mecanismo de ação do Inibidores da Biossíntese de Carotenóides.

Neste grupo temos herbicidas como o clomazone, isoxaflutole, mesotrione e tembotrione!

Uma das principais características que vai fazer você lembrar deste mecanismo são os sintomas que eles causam nas plantas tratadas: branqueamento!

Figura 1: Sintomas do herbicida clomazone em cana-de-açúcar, cv IACSP95-5000.

Primeiramente, devemos lembrar que os carotenóides são pigmentos importantes na captura de energia luminosa, formando o sistema chamado de “antena” presente no cloroplasto.

Os carotenóides protegem a clorofila e as proteínas  que estão no cloroplasto da ação direta da luz.

Assim, sem carotenóides, em tecidos vegetais jovens ocorre a fotodegradação da clorofila, que é responsável pela cor verde, causando o branqueamento das folhas em espécies sensíveis.

Como são classificados os herbicidas deste mecanismo?

Dentro deste mecanismo de ação os herbicidas são classificados de acordo com a enzima em que atuam, sendo assim divididos em 3 grupos químicos.

Nas figuras abaixo, você pode ver todos os herbicidas registrados no mundo referente a este mecanismo de ação, e a qual grupo químico pertencem.

Fonte: weed science.

Agora que já sabemos a importância dos pigmentos carotenóides e sobre quais enzimas os herbicidas deste grupo agem, vamos ver as principais características deste mecanismo.

Principais características dos herbicidas Inibidores da Biossíntese de Carotenóides:

  1. Perda dos pigmentos das folhas, aparência “albina”;
  2. Translocação pelo xilema;
  3. Baixa toxicidade para mamíferos;
  4. Absorção no solo é influenciada principalmente pela matéria orgânica, a textura tem influência secundária, e o pH do solo não interfere;
  5. Tem ação de controle principalmente sobre monocotiledôneas, mas controlam algumas dicotiledôneas.
  6. São absorvidos pelas raízes;
  7. Podem ter problemas com deriva em culturas sensíveis, o principal exemplo é para o herbicida clomazone.

Figura 2 : Sintomas de clomazone em mamona (Ricinus communis).

Figura 3: Sintomas de fitotoxidez de clomazone em milho “tiguera”.

Foto: Cristiano Piasecki. Fonte: Revista Brasileira de Herbicidas.

Como atuam dentro da planta?

Os herbicidas deste mecanismo bloqueiam enzimas na rota de síntese de pigmentos carotenóides.

A ausência dos carotenóides leva a foto-oxidação da clorofila.

Com isso, vemos o principal sintoma deste mecanismo: folhas brancas.

Entretanto, devemos lembrar que estes herbicidas não inibem a síntese de clorofila, a perda desta é resultado da destruição pela luz, já que a energia não é mais dissipada pelos carotenóides.

Observe na figura abaixo os 3 grupos químicos deste mecanismo de ação, e como cada um deles atua em uma enzima diferente na rota da biossíntese de carotenóides.

Fonte: Oliveira Jr. (2011).

Sintomas dos herbicidas inibidores da biossíntese de carotenóides

As plantas suscetíveis perdem a cor verde após o tratamento com estes herbicidas.

O sintoma evidenciado pelas plantas tratadas é a produção de tecidos novos totalmente brancos (albinos), algumas vezes rosados ou violáceos. 

Estes tecidos são normais, exceto pela falta de pigmentos verdes (clorofila) e amarelos.

Figura 5: Sintoma de intoxicação de plantas de milhos e feijão pelo clomazone.

Fonte: Silva et al. (2010). Livro Proteção de PLantas, UFV, 2010.

Estes herbicidas são utilizados para o controle de gramíneas anuais e perenes e de folhas largas, nas culturas de algodão, arroz, cana-de-açúcar, fumo e soja.

A tabela abaixo foi feita de acordo com o Guia de Herbicidas (2018), e contém os herbicidas deste mecanismos de ação registrados no Brasil.

Lembre-se de consultar a bula e o Guia de Herbicidas, pois a seletividade do herbicida pode ser alcançada pela modalidade de aplicação.

Figura 6: Sintomas do herbicida clomazone em grama-seda (Cynodon dactylon).

Casos de resistência no Brasil e no mundo!

Não existem relatos de resistência desse mecanismo de ação no Brasil.

Porém no mundo há casos relatados de acordo com a enzima em que atuam:

F1: 4 espécies (Hydrilla verticillata, Raphanus raphanistrum, Senecio vernalis e Sisymbrium orientale);

F2: 2 espécies (Amaranthus palmeri e Amaranthus tuberculatus);

F3: 6 espécies (Agrostis stolonifera, Lolium perenne, Lolium perenne ssp. multiflorum, Lolium rigidum, Poa annua e Polygonum aviculare).


Herbicidas Inibidores da ACCase


Curiosidades

O herbicida isoxaflutole é considerado um pró-herbicida, pois para controlar as plantas daninhas ele é convertido, dentro da planta ou no solo, a um composto chamado de diquetonitrila, este sim tem ação herbicida.

Conclusão

No texto de hoje entendemos mais sobre o mecanismo de ação do herbicidas Inibidores da Biossíntese de Carotenóides.

Vimos como as principais características deste grupo, os casos de resistência no mundo, sintomas após a aplicação, como atuam dentro das plantas e em quais culturas podem ser utilizados. 

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre os herbicidas Inibidores da Biossíntese de Carotenóides? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

Foto de capa: Cristiano Piasecki. Fonte: Revista Brasileira de Herbicidas.

Referências utilizadas:

Aspectos da biologia e manejo das plantas daninhas / organizado por Patrícia Andrea Monquero – São Carlos: RiMa Editora, 2014.

Biologia e manejo de plantas daninhas / editores: Rubem Silvério de Oliveira Jr., Jamil Constantin e Miriam Hiroko Inoue – Curitiba, PR: Omnipax, 2011.

Proteção de Plantas – Manejo de Plantas Daninhas. Silva, A.A.; Ferreira, E.A.; Pires, F.R.; Ferreira, F.A.; Santos, J.B.; Silva, J. Ferreira.; Silva, J. Francisco.; Vargas, L; Ferreira, L.R.; Vivian, R.; Júnior, R.S.O.; Procópio, S, 2010.



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