Autores: Cristiano Matheus dos Santos¹, Maicon Susana¹, Emanuel Pellegrini Mendes¹, Lucas Felix Ceolin Dal Maso¹, Leonita Beatriz Girardi², Katia Trevizan², Alice Casassola²

Introdução

O Brasil é destaque mundial na produção de grãos. O milho e a soja são culturas de grande importância tanto pelo seu volume de produção quanto pela sua parcela representativa na alimentação humana e animal (Costa et al., 2013). A cultura da soja é a principal responsável pelo conceito do agronegócio brasileiro, sendo que movimenta questões físicas e econômicas, demandando habilidades empresariais e administrativas pelos produtores, fornecedores de insumos e outros integrantes da cadeia produtiva (Brum, 2002). Vários fatores precisam ser manejados a fim de garantir a produtividade da soja e a competividade com plantas daninhas é um deles (Voll et al., 2005).

O milho remanescente em meio à soja é considerado uma planta daninha, pois compete com a cultura por luminosidade, espaço e nutrientes. A quantidade de plantas de milho e, consequentemente, o resultado dessa perda em soja depende do banco de sementes de milho que normalmente é originado pela queda de grãos durante a colheita. O grau de interferência depende do tipo e da quantidade plantas daninhas estabelecidas na área. O controle químico é uma alternativa para eliminar essas plantas de milho voluntárias e, visando evitar perdas por competição, a adoção de manejo químico, como o uso de graminicidas, se tornou indispensável (Voll et al., 2005). O uso de herbicidas na cultura da soja já é conhecido como ferramenta ideal para reduzir o grau de infestação de plantas daninhas, porém esse uso somente é eficiente e efetivo se aplicado antes do estabelecimento das plantas daninhas, considerado como período crítico de prevenção à interferência (PCPI), por isso há ênfase na utilização de herbicidas com efeito residual no solo ou pré-emergentes (Scherer et al., 2017). Além disso, as plantas de milho com tecnologia RR apresentam resistência ao herbicida glifosato, resultando em um controle químico específico (Artuzi & Contiero, 2006).

Portanto, este trabalho teve como objetivo avaliar a competição entre milho e soja a partir do uso de densidades crescentes de plantas de milho voluntárias, com o intuito de elucidar o potencial competidor do milho voluntário e as perdas resultantes do controle não eficiente dessas plantas na produtividade da soja.

Material e Métodos 

O experimento foi realizado no município de Coxilha/RS, coordenadas geográficas 28°10’55.8″S 52°18’50.0″W, com a cultivar BMX Tornado RR, ciclo de maturação 6.2, com densidade de 14 sementes por metro linear. Foram quatro tratamentos sendo eles (T1) 0%, (T2) 2,5%, (T3) 5% e (T4) 10% de plantas de milho por parcela, cultivar Dekalb 230, com cinco repetições cada tratamento, sendo que cada repetição continha quatro linhas com espaçamento de 50 cm e 3 metros de comprimento. O experimento foi conduzido em um delineamento de blocos ao acaso (DBA). Para manejo de pragas e doenças foram utilizados os produtos químicos recomendados para a cultura. Também foi feito o manejo de plantas daninhas não objeto desse estudo como azevém, a fim de eliminar interferência nos resultados obtidos.

A colheita foi conduzida somente nas duas linhas centrais, eliminando-se assim as duas linhas laterais, onde se determinou o peso total dos grãos das parcelas, o PMS (peso de mil sementes) e número de vagem por planta. A umidade do grão colhido estava em torno de 11,5%. Ao final, os dados obtidos foram submetidos à análise de variância através do teste F e as médias significativas foram comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5% com uso do programa estatístico Sasm-Agri.

Resultados e Discussão 

Em relação ao PMS, os tratamentos não apresentaram diferenças significativas entre si, sendo que todos resultaram em 120g. Entretanto, na produtividade final das parcelas, houve diferença significativa entre os tratamentos, sendo que T1, com nenhuma planta daninha, se destacou dos demais apresentando 849,2g. O tratamento com a presença de 2,5% (T2) de plantas daninhas de milho resultou na perda de 281,2g, o que resulta em 33% de perda em produtividade. Os tratamentos com 5% (T3) e 10% (T4) apresentaram uma diminuição de 364,4 e 384,8g, representando 42,9 e 45,3% de perdas, respectivamente. O número de vagens também apresentou diferença significativa entre os tratamentos destacando-se T1 com 64,6, seguido de T2 com 34,6 e T3 e T4 com, respectivamente, 30,8 e 24,6 vagens, os quais não diferenciaram significativamente estatisticamente entre si (Tabela 1).

A visualização dos materiais também mostrou diferenças morfológicas, onde T1 apresentou haste principal com dois galhos de ramificação fortes, vagens mais próximas e maior número de vagens e T4 apresentou uma haste principal com somente um galho de ramificação fraca, longa distância entre vagens e menor número de vagens (Figura 1).

Conclusão 

Os resultados confirmam a interferência das plantas de milho daninhas no desenvolvimento da cultura da soja e, por consequência, redução na sua produtividade, ressaltando a importância do manejo dessas plantas daninhas em pré-semeadura, pré-emergência e pós-emergência, para que não ocorra assim a competição, resultando em patamares maiores de produtividade.

Referências 

ARTUZI, J. P. & CONTIERO, R.L. Herbicidas aplicados na soja e produtividade do milho em sucessão. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 41(7):1119-1123, 2006.

BRUM, A. L. A economia mundial da soja: impactos na cadeia produtiva da oleaginosa no Rio Grande do Sul 1970-2000. Ijuí: Unijuí, 2002. 176p.

COSTA, L. V.; GOMES, M. F. M.; LIRIO, V. S. & BRAGA, M. J. Produtividade agrícola e segurança alimentar dos domicílios das regiões metropolitanas brasileiras. Revista de Economia e Sociologia Rural, 51(4):661-680, 2013.

SCHERER, M. B.; SPATT, L.L.; PEDROLLO, N.T.; ALMEIDA, T. C.; SANCHOTENE, D. M. & DORNELLES, S. H. B. Herbicidas pré-emergentes para manejo de milho voluntário RR® na cultura da soja. Revista Brasileira de Herbicidas, 16:1-10, 2017.

VOLL, E.; GAZZIERO, D. L. P.; BRIGHENTI, A. M.; ADEGAS, F. S.; GAUDÊNCIO, C. de A. &
VOLL, C. E. A dinâmica das plantas daninhas e práticas de manejo. 1.ed. Londrina: Embrapa Soja, 2005. 85p.

Informações sobre os autores:

  • ¹Acadêmicos do Curso de Agronomia, Centro Universitário IDEAU (UNIDEAU), Passo
    Fundo/RS. E-mail: cristiano-santos25@hotmail.com; maiconsusana@hotmail.com; emanuel18pmendes@gmail.com; dalmasolucas@hotmail.com
  • ²Professor(a), Centro Universitário IDEAU (UNIDEAU), Passo Fundo/RS. E-mail:
    leonitagirardi@ideau.com.br; agronomia.pf@ideau.com.br; alicecasassola@ideau.com.br

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