A mosca-da-haste da soja, Melanagromyza sojae, é uma praga nativa da Ásia e invasiva na America Latina. A forma larval desse inseto forma galerias (túneis de alimentação) no interior da haste e pecíolos das plantas de soja, afetando o seu crescimento e reduzindo o acúmulo de massa seca; como conseqüência, a produtividade de grãos é afetada.

Os adultos de mosca-da-haste são insetos de tamanho diminuto (2 mm a 3 mm), com coloração negra e abdome verde metálico. As larvas possuem coloração amarelo-claro, sendo levemente translúcidas (Figura 1). As pupas são cilíndricas de coloração amarelada, medindo cerca de 2 mm de comprimento. As infestações são mais significativas em cultivos tardios, como a soja safrinha, semeada em meados de janeiro no norte e noroeste do Rio Grande do Sul.

Figura 1. Adulto (esquerda) e larva (direita) de M. sojae

Fonte: VITORIO et al. (2018). Confira a imagem original clicando aqui

Além das galerias deixadas pelas larvas no interior das hastes das plantas de soja, também é possível visualizar os furos de saída deixados pelos adultos, os quais são produzidos pelas larvas ao final de seu período de desenvolvimento. No final do período vegetativo e durante toda a fase reprodutiva da cultura, é possível encontrar vários indivíduos de mosca-da-haste em uma mesma planta de soja, inclusive em fases diferentes do ciclo de vida (larva, pupa ou adulto).

Nos países asiáticos, as medidas de controle mais utilizadas para M. sojae incluem o controle cultural e biológico, como cultivares resistentes e semeadura fora dos picos populacionais da praga (POZEBON et al., 2020). O parasitismo natural nas fases larval e/ou pupal de M. sojae contribui para reduzir o nível populacional dessa praga em áreas agrícolas (TALEKAR; CHEN, 1985). A porcentagem de parasitismo varia de acordo com a localização, clima, ciclo da cultura e época de semeadura, podendo chegar a 70% (VAN DEN BERG et al., 1995).

Na América do Sul, o primeiro caso de um parasitoide nativo controlando mosca-da-haste foi Syntomopus parisii  (Hymenoptera: Pteromalidae), reportado por Beche et al. (2018) no Brasil e no Paraguai. Trata-se de uma vespa encontrada em outras regiões do mundo, mas cujo potencial para controlar mosca-da-haste ainda não foi explorado de forma aplicada. O fato de essa espécie ocorrer de forma natural na América do Sul representa uma alternativa promissora para o controle biológico dessa praga nos próximos anos.

As fêmeas de S. parisii (Figura 2) depositam seus ovos no interior de larvas ou pupas de M. sojae, através do orifício de saída produzido pela larva na haste da planta. Assim, o desenvolvimento da praga é interrompido, e um novo parasitóide emerge da pupa ao invés de um adulto de mosca-da-haste. É possível identificar pupas parasitadas no interior das plantas de soja, pois estas apresentarem coloração enegrecida.

Figura 2. Fêmea de Syntomopus parisii.

Figura 2. Fêmea de Syntomopus parisii.


Fonte: Mais Soja. Confira a imagem original clicando aqui

No mesmo estudo, Beche et al. encontraram uma segunda espécie de parasitóide em indivíduos de M. sojae, pertencente ao gênero Leptomeraporus  (Hymenoptera: Pteromalidae) (Figura 3). Existem duas espécies de Leptomeraporus registradas no mundo. L. nicaee ocorre apenas na Europa e há casos de sua associação com himenópteros. Já L. ornatos foi registrado apenas nos Estados Unidos como inimigo natural de Walshia amorphela, um lepidóptero.

Figura 3. Fêmea de Leptomeraporus sp.

Fonte: Mais Soja. Confira a imagem original  clicando aqui

Por ser uma praga invasiva recentemente confirmada no Brasil e América do Sul, há escassez de informações a respeito do controle biológico natural realizado por espécies nativas sobre as populações de M. sojae. Além disso, programas de manejo para essa praga na cultura da soja permanecem insipientes. A identificação de ocorrência dos parasitóides S. parisii e Leptomeraporus sp. no Brasil indica que o controle biológico de mosca-da-haste pode ser explorado de forma aplicada, demandando um aprofundamento na pesquisa científica sobre essas espécies para possibilitar sua criação em laboratório e liberação em massa nas lavouras de soja.



Elaboração: Solange Andressa Figur, graduanda em Agronomia

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

REFERÊNCIAS:

BECHE, M. et al. 2018. Occurrence of Syntomopus parisii (Hymenoptera: Pteromalidae) parasitizing Melanagromyza sojae (Diptera: Agromyzidae) in Brazil and Paraguay. Disponível em: http://www.funpecrp.com.br/gmr/articles/year2018/vol17-3/pdf/gmr18074_-occurrence-syntomopus-parisii-hymenoptera.pdf.

POZEBON, H. et al. 2020. Highly invasive and rapidly spreading: Melanagromyza sojae threatens the soybean belt of South America. Biological Invasions. Artigo em trâmite para publicação.

SALGADO-NETO, G.; PALMA, J.; COSTA, V. A.. Parasitóides da mosca-da-haste da soja. 23 De Mar. De 2017. Disponível em: https://maissoja.com.br/parasitoides-da-mosca-da-haste-da-soja/.

TALEKAR, N.S.; CHEN, B.S. 1985. The beanfly pest complex of tropical soybean, p.257-271. In: Soybean in tropical and sub-tropical cropping systems. Asian Vegetable Research and Development Center, Shanhua, Taiwan, Republic of China.

VAN DEN BERG, H. et al. 1998. Response of soybean to attack by stemfly Melanagromyza sojae in farmer’s fields in Indonesia. J. Appl. Ecol. 35: 514-522.

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