A deterioração do crédito rural avançou de forma acelerada nos últimos três anos no Brasil e fez a inadimplência dos produtores com instituições financeiras crescer cerca de dez vezes no período. A alta é resultado do “agravamento” da situação de financiamentos “problemáticos” ao longo do tempo com a piora na capacidade de pagamento de agricultores e pecuaristas brasileiros. Os saldos das operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026.
Estudo da consultoria Agroicone com base em dados do Banco Central, mostra que houve “diferentes sinais de deterioração” pelo caminho. O documento aponta a evolução do montante de recursos sob risco de inadimplência, com reflexos na saúde financeira do campo, e o número de pessoas que podem ser excluídas da política de crédito por conta dessa degradação. A combinação dos dois indicadores dá um “termômetro” da situação.
“A inadimplência é uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento, mas ela é parte de um processo mais amplo de deterioração da qualidade do crédito, que também aparece antes disso, em atrasos, prorrogações e renegociações”, afirma Cleyton Candeira Pimentel, pesquisador da Agroicone e autor do estudo. De acordo com a Agroicone, a trajetória de deterioração revela que a inadimplência do crédito rural saiu de uma situação “controlada” para “sistêmica” em pouco tempo. A análise indica uma mudança de “estágio” das operações que já estavam com problemas, com o agravamento contínuo. Segundo a Agroicone, a composição do problema também mudou de perfil ao longo do tempo. Em julho de 2023, a taxa de inadimplência era de 3,9% em número de contratos e de apenas 0,7% em valor financeiro. O retrato mudou em abril de 2026, quando os índices ficaram em 5,4% e 4,3%, respectivamente.
“O avanço mais acentuado veio do lado financeiro, sinal de que a exposição em valor cresceu mais rápido que a simples frequência de contratos com problema”, diz o estudo.
Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop, disponível em Fecoagro





