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Inoculação em milho…

Tendo em vista o aumento da lucratividade, de modo geral o produtor rural tem duas opções, aumentar a produtividade da cultura ou diminuir custos de produção. Pensando nisso, várias pesquisas desenvolvidas contribuíram para o uso da inoculação como uma ferramenta no aumento de produtividade e diminuição dos custo de produção com adubação. Amplamente utilizada na cultura da soja, a inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, segundo GITTI (2016) fornecem através da fixação biológica de nitrogênio, todo o nitrogênio suficiente para a cultura alcançar produtividade médias de 3600 kg.ha-1.

Em culturas que não possuem a capacidade de realizar essa relação simbiótica com as bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium como o milho por exemplo, outros organismos benéficos podem ser inseridos no processo de inoculação, trazendo resultados positivos para a cultura, como é o caso da inoculação com as bactérias Azospirillum brasilense. Segundo MUMBRACH et al. (2017) a inoculação de culturas não leguminosas com Azospirillum brasilense, estimula o crescimento e desenvolvimento de raízes (figura 1), a produção de hormônios vegetais como auxinas, giberelinas e citocininas, além de estimular a fixação biológica de Nitrogênio por meio de uma relação de associação.

Figura 1. Sistema radicular de plantas de milho não inoculada e inoculado com Azospirillum brasilense.

Foto: Total Biotecnologia.

Contudo MUMBRACH et al. (2017), destacam que a fixação biológica de Nitrogênio que ocorre em culturas não leguminosas em virtude da inoculação com Azospirillum brasilense supre apenas em parte as exigências de Nitrogênio da cultura, sendo necessária a complementação nutricional via adubação de cobertura para a cultura. O milho é uma cultura extremamente exigente e responsiva ao Nitrogênio, segundo DO AMARAL (2015) o Nitrogênio é o nutriente que representa o maior custo para a cultura do milho, sendo necessários 185 kg.ha-1 para uma produtividade média de 9,2 t.ha-1.

A exportação de nutrientes para produtividade de milho grão podem ser observadas na figura 2.

Figura 2. Exportação de nutrientes para diferentes produtividade de milho grão.

Fonte: COELHO & DE FRANÇA (dados não publicados).

Cabe destacar que conforme observado na figura 1, o Nitrogênio é o macronutriente exigido em maiores quantidade para a cultura do milho. Sendo assim, por mais que a inoculação com Azospirillum brasilense não supra todas as necessidades da cultura, considerando seu custo de utilização, é uma alternativa muito interessante na diminuição de custos com a adubação nitrogenada na cultura do milho.

Veja também: Milho consorciado com Braquiária vale a pena? 

Avaliando o potencial fisiológico de sementes e produtividade do milho, PEREIRA et al. (2019), encontraram resultados que demonstram uma produtividade 2578,76 kg.ha-1 superior para milho inoculado momentos antes da semeadura em comparação a produtividade de milho não inoculado com Azospirillum brasilense. É importante destacar que para ambos os tratamentos a dose de fertilizante nitrogenado utilizado para a cultura foi a mesma (90 kg.ha-1) e que o milho inoculado apresentou produtividade de 9885,79 kg.ha-1 enquanto o milho não inoculado alcançou produtividade média de 7307,03 kg.ha-1.

Tabela 1. Respostas da produtividade de milho inoculado com Azospirillum brasilense

T1: testemunha (sementes não tratadas) + 90 kg N ha-1;
T2: sementes tratadas (fungicida + inseticida) + 180 kg N ha-1;
T3: sementes tratadas + inoculação momentos antes da semeadura na dose de 2 g ha-1 + 90 kg N ha-1;
T4: sementes tratadas + pré-inoculação na dose de 2 g ha-1 + 90 kg N ha-1;
T5: sementes tratadas + pré-inoculação na dose de 4 g ha-1 + 90 kg N ha-1;
T6: sementes tratadas + pré-inoculação na dose de 6 g ha-1 + 90 kg N ha-1
T7: sementes tratadas + pré-inoculação na dose de 8 g ha-1 + 90 kg N ha-1; Adaptado: PEREIRA et al. (2019)

Além disso os autores avaliaram possíveis danos da pré-inoculação com Azospirillum brasilense em aspectos fisiológicos da semente como germinação e vigor, onde ficou evidente que não há malefícios da co-inoculação no desempenho fisiológico de sementes. Contudo, o milho pré-inoculado com Azospirillum brasilense não apresentou resultados tão expressivos no aumento da produtividade quando a inoculação momentos antes da semeadura.

O aumento da produtividade do milho também foi observado por GITTI & RIZZATO (2018) quando inoculadas as sementes de milho em comparação a sementes não inoculadas, mesmo utilizando doses superiores de nitrogênio no sulco de semeadura para as sementes não inoculadas, destacando a importante contribuição da inoculação com Azospirillum brasilense na produtividade do milho.

Tabela 2. Produtividade do milho safrinha em função de doses de nitrogênio no sulco de semeadura e a aplicação de Azospirillum brasilense no tratamento de sementes.

Fonte: GITTI & RIZZATO (2018).

Conforme observado por SKONIESKI (2015), a inoculação do milho com Azospirillum brasilense aumenta a eficiência de uso da adubação nitrogenada por parte das plantas, resultando em incremento na produtividade tanto de grãos quanto de silagem. Sendo assim, a inoculação do milho com Azospirillum brasilense, em virtude do baixo custo de inserção no sistema de produção, é uma ferramenta que pode ser utilizada no incremento da produtividade do milho, contudo, como observado por PEREIRA et al. (2019), melhores contribuições da inoculação no incremento da produtividade do milho são observadas quando realizada a inoculação momentos antes da semeadura do milho.



Referências:

COELHO, A. M; DE FRANÇA, G. E. NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DO MILHO. Embrapa. Disponível em: http://ccpran.com.br/upload/downloads/dow_5.pdf, acesso em 18/04/2020.

DO AMARAL, B. S. EFEITOS DA INOCULAÇÃO DO MILHO COM Azospirillum brasilense. UFSC, Curitibanos, 2015.

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção, 2016.

GITTI, D. C; RIZZATO, L. A. Manejo da Nutrição e seus Efeitos na Produtividade do Milho Safrinha. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Milho Safrinha, 2018.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, Londrina, 2011.

MUMBACH, G. L.et al. RESPOSTA DA INOCULAÇÃO COM AZOSPIRILLUM BRASILENSE NAS CULTURAS DE TRIGO E DE MILHO SAFRINHA. Revista Scientia Agraria, v.18, n.2, Curitiba, jun. 2017.

PEREIRA, L, C. et al. TRATAMENTO INDUSTRIAL E PRÉ-INOCULAÇÃO DO MILHO COM Azospirillum spp.: POTENCIAL FISIOLÓGICO DAS SEMENTES E PRODUTIVIDADE. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.18, n.2, p. 245-256, 2019.

SKONIESKI, F. R. INOCULAÇÃO DE Azospirillum brasilense E DOSES DE NITRGÊNIO EM MILHO PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM E GRÃOS. UFSM, PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA. Santa Maria, 2015.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo, equipe Mais Soja.

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