O sistema de integração lavoura pecuária (ILP) é um viés de produção que integra culturas anuais, tais como a soja e o milho e culturas perenes como, por exemplo, forrageiras e reflorestamentos, à pecuária, em rotação ou sucessão, na mesma área de cultivo, em épocas diferentes. Essa prática visa aumentar a eficiência de uso dos recursos naturais com menor impacto ao meio ambiente, potencializando a sinergia entre os componentes lavoura e pecuária.

O sistema dentro da propriedade rural deve seguir em harmonia, criando um modelo onde há benefícios para ambas as atividades, viabilizando aumento na produção de grãos e de ganho em carne e leite com custos mais baixos.O ILP é uma alternativa para a recuperação de áreas degradadas, intensificando o uso da terra, recuperando a capacidade produtiva do solo e de uso da água. São recomendadas técnicas culturais que preservem a matéria orgânica do solo, culminando na construção de uma agricultura de baixo carbono.

A implementação do método ocorre, de modo geral, em dois momentos. Um, quando a lavoura é introduzida em áreas de pastagem, com o intuito de recuperar o vigor do solo, por meio do cultivo de espécies com sistema radicular profundo, que rompem as camadas adensadas do solo e ao mesmo tempo auxiliam na agregação deste. E outro, quando a pastagem é inserida em áreas de lavoura, objetivando a diminuição de plantas invasoras, a construção da fertilidade do solo com a adição de matéria orgânica e a formação de palhada de qualidade, viabilizando o plantio direto, como na imagem a seguir:

Fonte:https://agroceresmultimix.com.br/blog/integracao/.

Utilizar esse método de produção implica em planejamento e manejo rigoroso das áreas cultivadas, empregando arranjos que estejam de acordo com os recursos da propriedade. Nesse caso, aspectos financeiros, de infraestrutura e de mão de obra devem ser considerados. O produtor demandará um diagnóstico eficiente de fatores como as áreas disponíveis para cultivo, mercados para os novos produtos, logística de escoamento da produção e assistência técnica disponível na região.

Em relação as espécies utilizadas no ILP, as gramíneas passam a ser vistas como peças chave. Elas desempenham papel importante no bombeamento e reciclagem de nutrientes, formação de palhada e manutenção da matéria orgânica do solo. A escolha do sistema de rotação de culturas implica em oferta de forragem constante nas diferentes estações do ano, para que se tenha aporte contínuo e abundante de biomassa vegetal. No geral, o uso de herbicidas, em suas doses recomendadas, leva diminuição de competição entre plantas daninhas e as forrageiras implantadas, permitindo que estas expressem seus potencias produtivos, aumentando suas capacidades de suporte para as culturas anuais subsequentes.

Recomenda-se que seja feita a sucessão entre gramíneas e leguminosas visando melhorar a cobertura do solo e aumentar a disponibilidade de nitrogênio. Ademais, plantas com sistemas radiculares que permitam maior infiltração de água, bem como retirada de nutrientes das camadas mais profundas, também devem ser utilizadas no decorrer da rotação, com o princípio básico de estabilização da produção. Um bom exemplo de sucessão seria o consorcio de milho (Zeamays L.) e capim braquiária (Urochloa spp.), muito utilizado em áreas mais quentes do país, como o Centro-Oeste brasileiro.



As Braquiárias, além de sua rusticidade, se caracterizam pela adaptação em solos ácidos e com baixa fertilidade e, uma vez que respondem bem a melhorias na fertilidade, adaptam-se com sucesso a produção em rotação com culturas anuais. Devido ao seu porte, são de fácil manejo para pastejo e dessecação para plantio direto. Dessa forma são recomentadas em quase todas as fases do ILP, apresentando alta capacidade de ciclagem de nutrientes e de produção de palhada.

Retifica-se, portanto, que a tecnologia do ILP contribui para a melhoria do solo, bem como na diversificação de rendas da propriedade. Os resultados do sistema precisam ser compreendidos em curto, médio e longo prazo, não como somas de produções isoladas, mas sim aprimorando um “pensamento sistêmico”, que traz ganhos econômicos, sociais e ambientais.



Texto: Fernanda Maria Mieth– Bolsista do grupo PET Agronomia/UFSM.


Foto de capa: https://agroceresmultimix.com.br/blog/integracao/.

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