O trigo é a principal cultura de inverno do Brasil e ocupa aproximadamente 2,6 milhões de hectares. Porém, a demanda interna pelo cereal é maior que a produção: atualmente o Brasil produz cerca de 6 milhões de toneladas de grãos de trigo, importando mais 4 milhões de países como a Argentina, Canadá, EUA, Paraguai e Uruguai para atender o consumo interno. Somado a isso, o seu cultivo apresenta alguns fatores limitantes que podem comprometer a produtividade das lavouras tritícolas caso não manejados corretamente, como doenças e insetos (Bueno, 2021).

Esse texto está vinculado com a parte entomológica do cultivo do trigo, abordando as espécies de lagartas que mais ocorrem na cultura e como manejá-las. As lagartas atacam desde as plântulas até as espigas e podem causar perdas significativas se não manejadas de forma efetiva.

Primeiramente falando sobre a lagarta-militar (Spodoptera frugiperda) (Figura 1), o seu dano no trigo começa já no início de desenvolvimento da cultura, ocasionando o corte de plantas. Posteriormente, essa espécie afeta a estrutura de plantas atacando folhas, espigas e panículas, tendo maior impacto na fase reprodutiva. Porém, é uma praga que se não controlada bem no trigo, ocasionará danos posteriormente na soja. Logo, o manejo deve ser efetivo para proteger o sistema como um todo, preferencialmente por meio de um controle antecipado visando às lagartas pequenas.

Figura 1. Lagarta-militar (Spodoptera frugiperda).

Fonte: Embrapa. Imagem original disponível em https://www.embrapa.br/trigo/busca-de-imagens/-/midia/5337001/spodoptera-frugiperda—larva-em-vista-dorsal

O controle recomendado de S. frugiperda com produtos fitossanitários passa desde a fase de ovos com o uso de parasitoides, lagartas de 1° e 2° ínstar com produtos fisiológicos e biológicos (à base de Bt), lagartas de 1° ao 3° ínstar com diamidas, metomil e produtos à base de baculovírus, até lagartas de 3° ínstar ou mais com o uso de benzoato, espinetoram, clorfenapir e indoxacarbe (Pasini, 2020).

Já as duas espécies de lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax e Pseudaletia adultera) (Figura 2) ocorrem principalmente durante a fase reprodutiva da cultura. Os danos incluem ataque à folha bandeira, destruição de aristas e espiguetas; além disso, na fase de maturação é comum observar que as espigas dos afilhos mais atrasados ficam cortadas e caídas no solo. Existem 26 produtos registrados para o controle de P. adultera no Brasil, sendo os grupos químicos metilcarbamato de oxima e piretroides os mais utilizados. Por outro lado, existem 96 produtos registrados para o controle de P. sequax, passando principalmente por organofosforados, benzilureias e piretroides (Agrofit, 2021).

Figura 2. Lagarta-do-trigo (Pseudaletia adultera, Pseudaletia sequax).

Fonte: Senar. Imagem original disponível em http://www2.senar.com.br/Noticias/Detalhe/13486

Outra praga importante é a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) (Figura 3). Embora sua ocorrência seja maior na cultura do milho, essa espécie tem sido encontrada nos cultivos de trigo, gerando prejuízos relevantes por tratar-se de uma praga de sistema. No entanto, não há produtos registrados para o controle dessa espécie na cultura do trigo, visto tratar-se de uma praga recente (Agrofit, 2021). Logo, são necessárias pesquisas para aprimorar o controle dessa lagarta; porém, o uso de inseticidas seletivos para preservar inimigos naturais e o controle biológico com uso de Trichogramma (vespa parasitoide de ovos) mostram-se alternativas promissoras.

Figura 3. Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea).

Fonte: Koppert. Imagem original disponível em https://www.koppert.com.br/desafios/lagartas/helicoverpa-zea/

Portanto, quando se trata de lagartas que atacam a cultura do trigo, as espécies S. frugiperda (lagarta-militar), H. zea (lagarta-da-espiga), P. sequax e P. adultura (lagarta-do-trigo) são os insetos lepidópteros que merecem mais atenção no monitoramento e manejo, visto que as duas primeiras são pragas de sistema e as duas últimas são as espécies de lagartas desfolhadoras mais importantes na cultura tritícola.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Referências: 

Agrofit. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Disponível em http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em: 09.06.2021.

Bueno S. Importação de Trigo. Fazcomex. 13 de janeiro de 2021. Disponível em https://www.fazcomex.com.br/blog/importacao-de-trigo/. Acesso em 09.06.2021.

Pasini M. Manejo de Pragas na Cultura do Trigo. Destaque Rural. 16 de out. de 2020. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=pW8N_tJvyyM. Acesso em: 08.06.2021.

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