Da semeadura a colheita, a soja está sujeita a interferência de diversos fatores os quais podem reduzir a qualidade e quantidade dos grãos ou sementes produzidos. Um dos principais fatores é a incidência de doenças fúngicas, as quais podem causar redução significativa na produtividade da soja. Segundo Godoy et al. (2020), a ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, pode causar danos na cultura que podem variar de 10 a 90% dependendo da intensidade e severidade da doença.

Assim como a ferrugem-asiática da soja, outras doenças podem incidir sobre a cultura, tornando necessário um adequado manejo fitossanitário. Dentre os principais métodos de manejo, o controle químico com fungicidas é o mais empregado a nível de campo, sendo utilizado principalmente de forma preventiva na cultura da soja.

Embora os fungicidas sejam a principal ferramenta utilizada no controle de doenças, é essencial atentar para um manejo eficiente da resistência a fungicidas. Qualquer agente de controle de doenças pode ficar menos efetivo ao longo do tempo devido ao desenvolvimento de resistência (FRAC-BR).

Ou seja, o uso de uma mesmo fungicida e/ou mecanismos de ação pode resultar na seleção de indivíduos (fungos) resistentes, em virtude da sua variabilidade genética. Após os indivíduos mais vulneráveis serem controlados, os indivíduos resistentes permanecem no sistema de cultivo, se multiplicando e transmitindo sua resistência a seus descendentes.



Dentre as estratégias para o manejo eficiente da resistência de fungos a fungicidas, o Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR) recomenda:

  • Utilizar a rotação de fungicidas com mecanismos de ação distintos.
  • Utilizar o fungicida somente na época, na dose e nos intervalos de aplicação recomendados no rótulo/bula.
  • Incluir outros métodos de controle de doenças (ex. Resistência genética, controle cultural, biológico, etc.) dentro do programa de Manejo Integrado de Doenças (MID) quando disponíveis e apropriados.
  • Sempre consultar um Engenheiro Agrônomo para orientação sobre as recomendações locais para o manejo de resistência (FRAC-BR).

Conforme informação do FRAC-BR, os modos de ação de fungicidas estão divididos em diferentes grupos, de acordo com o sítio de ação e estão identificados por meio de códigos e cores no banco de dados do FRAC-BR, onde:

  • Azul-claro: Síntese de ácidos nucleicos
  • Laranja: Mitose e divisão celular
  • Verde-claro: Respiração
  • Rosa: Síntese de aminoácidos e proteínas
  • Amarelo: Transdução de sinal
  • Vermelho: Síntese de lipídios e integridade da membrana
  • Roxo: Biossíntese de esterol em membranas
  • Verde-escuro: Biossíntese da parede celular
  • Lilás: Síntese de melanina na parede celular
  • Marrom: Indutores de defesas em plantas hospedeiras
  • Cinza: Desconhecido ou inespecífico
  • Bege: Não classificado
  • Azul-escuro: Atividade de contato multi-sítio.

A consulta dos diferentes modos de ação pode ser realizada clicando aqui!

Além do uso de fungicidas de diferentes mecanismos de ação, é essencial atentar para o planejamento do sistema produtivo, visando inserir práticas de manejo tais como a rotação de culturas e o uso cultivares com resistência ou tolerância a doenças, especialmente em áreas com histórico de incidência. Além disso, a eliminação de plantas daninhas é fundamental para evitar pontes verdes e a sobrevivência dos fungos em plantas hospedeiras, não só no período de safra, mas também na entressafra. Aliado a isso, o uso de sementes de boa qualidade sanitária também contribui para o manejo da resistência de doenças em soja.


Veja também: Eficiência de fungicidas multissítios no controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2019/2020: resultados sumarizados dos experimentos cooperativos


Confira o vídeo abaixo com a ilustração de como ocorre a resistência a fungicidas e os principais cuidados necessários para preveni-la.


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Referências:

FRAC-BR. MANEJO DA RESISTÊNCIA A FUNGICIDAS. Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR). Disponível em: < https://shoutout.wix.com/so/b0NMEDBVP?cid=411e8270-e177-4db2-9ac2-109c169989af&region=c0f577f0-18bd-4a7d-be69-33197f54ae46#/main >, acesso em: 10/11/2020.

FRAC-BR. MODO DE AÇÃO DE FUNGICIDAS. Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR). Disponível em: < https://www.frac-br.org/manejo-de-resistencia >, acesso em: 10/11/2020.

FRAC-BR. RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA RESISTÊNCIA A FUNGICIDAS. Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR). Disponível em: < https://www.frac-br.org/manejo-de-resistencia >, acesso em: 10/11/2020.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 160, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1124331/eficiencia-de-fungicidas-para-o-controle-da-ferrugem-asiatica-da-soja-phakopsora-pachyrhizi-na-safra-20192020-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos >, acesso em: 10/11/2020.

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