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Resistências de percevejo-marrom a inseticidas

A ocorrência de populações de percevejo-marrom (Euschistus heros) resistentes a inseticidas é um problema crescente nas lavouras de soja brasileiras, gerando limitações de manejo. A teoria mais aceita atualmente em relação ao surgimento de resistência está relacionada à ocorrência natural de mutações nos insetos e exposição dessas características devido à pressão de seleção. Segundo Sosa-Gómez; Corso; Morales (2001), a resistência é proveniente de aplicações sucessivas de inseticidas utilizando o mesmo produto ou mesmo grupo químico, consequentemente selecionando indivíduos resistentes presentes na população (Figura 1).

Figura 1. Esquema demonstrativo de pressão de seleção por aplicação de inseticidas em uma população de insetos-praga.

Fonte: Fundação MT.

A resistência pode ser conferida de diferentes formas, tanto em modificações no organismo como no hábito do inseto-praga. Mecanismos simples relacionados à alterações comportamentais ou mudanças metabólicas e fisiológicas ocasionam a resistência.



Resistência Metabólica

Todo inseto possui no seu organismo enzimas responsáveis pela degradação e metabolização de substâncias tóxicas que adentram seus organismos (Moreira et al., 2012). Indivíduos suscetíveis apresentam essas enzimas em quantidades normais e não são capazes de degradar/metabolizar moléculas tóxicas a tempo de impedir sua chegada no sítio de ação, resultando na morte do inseto. Quando as enzimas se apresentam em quantidades maiores ou apresentam maior eficiência, estes indivíduos são denominados tolerantes ou resistentes.

Segundo Hemingway (2000) e Perry et al. (2011), o mecanismo de resistência metabólica é promovido por três principais enzimas: glutationa-S-transferases (GSTs), esterases (ESTs) e citocromo P450 (CYPs). Essas enzimas podem promover resistência a inseticidas dos grupos químicos organofosforados, organoclorados, carbamatos e piretróides.

Resistência por Modificação nos Sítios de Ação dos Inseticidas

Este tipo de resistência se dá em função de modificações bioquímicas nos sítios de ação em que as moléculas de inseticidas atuam, fazendo com que não aconteça a interação entre a molécula e o sítio de ação.

Resistência por Penetração Reduzida

A quantidade de inseticida que irá adentrar no organismo do inseto é reduzida devido a espessura da cutícula do mesmo, proporcionando uma resistência ao produto aplicado.

Manejo da resistência

Foi constatada a ocorrência de fenótipos resistentes do percevejo-marrom a produtos que contém como ingredientes ativos organofosforados e ciclodienos (endosulfam) (IRAC-BR). Em razão da reduzida dispersão do percevejo-marrom, os casos de resistência têm permanecido circunscritos a regiões geográficas com histórico de aplicações contínuas desses produtos.

Segundo o IRAC-BR recomenda-se:

  • Nas aplicações de início do ciclo vegetativo da soja (V2 a V6), para controlar lagartas, evitar o uso de produtos que também possuem registro para percevejos.
  • Realizar o monitoramento da soja, com maior frequência no final do ciclo vegetativo e início do reprodutivo, e seguir os níveis de controle recomendados para a tomada de decisão.
  • É indispensável a realização da rotação de produtos, empregando diferentes modos de ação e, assim, assegurando que as populações permaneçam suscetíveis ao inseticida.

Figura 2. Esquema demonstrativo de aplicações de inseticidas visando evitar surgimento de resistência.

Fonte: IRAC-BR.

Redação: Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

Elaboração do texto: Dener Ribas Ferreira

Revisão: Henrique Pozebon e Jonas Arneman

Referências:

HEMINGWAY, J. The molecular basis of two contrasting metabolic mechanisms of insecticide resistance. Insect Biochem. Mol. Biol. 30, 1009-1015p., 2000.

IRAC-BR. Disponível em: < https://www.irac-br.org/ >, acesso em: 09/11/2020.

MOREIRA, M. F.; MANSUR, J. F.; MANSUR, J. F. Resistência e Inseticidas: Estratégias, Desafios e Perspectivas no Controle de Insetos. In: SILVA-NETO, M. A. C.; WINTER, C.; TERMIGNONI, C (Org.). Tópicos avançados em entomologia molecular. Rio de Janeiro: INCT – EM, 2012. Cap. 15.

PERRY, T., BATTERHAM, P., DABORN, P.J. The biology of insecticidal activity and resistance. Insect Biochem. Mol. Biol. 41, p. 411-422, 2011.

SOSA-GÓMEZ, D. R.; CORSO, I. C.; MORALES, L. C. Insecticideresistancetoendosulfan, monocrotophosandmethamidophos in the Neotropical brownstink bug, Euschistusheros (Fabr.). Neotropical Entomology, v. 30, n. 2, p. 317-320, 2001.


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Equipe Mais Soja
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