A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é considerado o principal vetor dos enfezamentos que acometem a cultura do milho, causados pela infecção da planta por microrganismos denominados molicutes, que são um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e um fitoplasma (Maize bushy stunt) (Embrapa). Embora a cigarrinha possa incidir sobre o milho em diferentes períodos do seu desenvolvimento, os maiores danos resultantes da transmissão dos enfezamentos são observados quando a praga ocorre de V1 a V5 no milho, sendo esse, considerado o período crítico da ocorrência das cigarrinhas.

Figura 1. Período de maiores danos com o ataque de cigarrinha.

Segundo Waquil et al. (1997), os danos em decorrência da presença de populações de cigarrinhas e da transmissão dos enfezamentos no milho podem variar de acordo com a população da praga, sendo possível verificar redução de até 40% do peso seco da parte aérea e de 62% de redução radicular das plantas de milho. Embora a cigarrinha-do-milho represente importância econômica, principalmente pelos danos indiretos a cultura pela transmissão dos enfezamentos, ainda não há nível de ação pré-estabelecido para a praga.

Uma vez que a capacidade da cigarrinha em transmitir os enfezamentos está condicionada a indivíduos infectados com os molicutes, definir um nível de ação para o controle da praga pode não ser uma medida eficaz para combater os enfezamentos. Logo, visando o manejo e controle dos enfezamentos, recomenda-se o controle da ciganinha-do-milho quando constatada a presença da praga nas áreas de produção, especialmente durante o período crítico de ocorrência da cigarrinha.

Além do controle do vetor (cigarrinha-do-milho), uma das principais estratégias de controle dos enfezamentos baseia-se na eliminação de plantas espontâneas de milho (milho tiguera) das áreas de produção agrícola, especialmente durante os períodos entressafra do milho. As plantas espontâneas de milho contribuem para a manutenção e sobrevivência dos enfezamentos, possibilitando com que novas populações de cigarrinha se infectem, transmitindo os enfezamentos e reduzindo a produtividade das culturas.  A medida em que há o aumento da incidência dos enfezamentos, tem-se a redução da produtividade do milho.

Figura 2. Efeito da data de plantio na incidência de enfezamentos e produção de grãos em milho no Estado do Tocantins.

Fonte: Embrapa

Além de contribuir para a manutenção do ciclo dos enfezamentos, plantas de milho espontâneas, atuam como plantas daninhas em culturas de interesse comercial, matocompetindo com a cultura a causando perdas de produtividade, além de servir como hospedeiras para pragas e doenças. Conforme destacado por Silva et al. (2022), resultados de pesquisa demonstram que uma planta de milho por metro quadrado é capaz de reduzir em até 21,7% a produtividade da soja, logo, pode-se dizer que o milho também exerce papel de planta daninha, quando considerado indesejado em cultivos agrícolas.



Figura 3. Perdas de rendimento de grãos de soja em função da população de plantas de milho RR, F2. Passo Fundo, RS.

Fonte: Rizzardi et al. (2012), Apud. Silva et al. (2022)

Visando não só a redução da matocompetição do milho com culturas agrícolas, mas também a redução da incidência dos enfezamentos nos cultivos sucessivos de milho, o controle eficiente do milho tiguera é essencial. O milho espontâneo (milho tiguera), é resultante principalmente das perdas de colheita da cultura do milho, sendo considerado aceitável perdas de até 1,5 sc ha-1, segundo orientações da Embrapa.

De maneira geral, as perdas de colheita do milho estão condicionadas a regulagens da colhedora e sua velocidade de trabalho. Entretanto, conforme destacado por Silva et al. (2022), as perdas ocasionadas pela ação a colhedora podem ser minimizadas e mantidas em padrões aceitáveis (em torno de até 1%), basta os operadores e os gestores de colheita atentarem para as regulagens necessárias da colhedora e velocidade de trabalho dela.

 As perdas de colheita são constituídas pelas perdas naturais, perdas de plataforma e perda nos mecanismos internos da colhedora. Embora pouco se possa fazer com relação a perdas naturais, as perdas relacionadas a plataforma e mecanismos internos da colhedora podem ser minimizadas mediante algumas regulagens da colhedora e condução da colheita.

Além da velocidade de trabalho, fatores como rotação do cilindro trilhador, abertura entre o cilindro e o côncavo, condições de funcionamento da plataforma, regulagem dos transportadores, manutenção e regulagem dos sistemas de transmissão, fluxo de ar do ventilador e velocidade de oscilação do saca-palhas (colhedoras tangenciais) e peneiras, estão relacionados a perdas de colheita do milho (Silva et al., 2022), sendo fontes de variação de perdas.

Já com relação a velocidade de trabalho, embora orientações técnicas da Embrapa sugiram velocidades variando entre 4 km h-1 a 6 km h-1, deve-se seguir as orientações do fabricante da colhedora, usando de bom senso para ponderar a necessidade de reduzir a velocidade sempre que necessário para evitar maiores perdas de colheita.

Tendo em vista que as perdas de colheita do milho representam perdas de produção, além de apresentar relação com o manejo dos enfezamentos, deve-se evitar perdas superiores as consideradas toleráveis, controlando as plantas remanescentes, oriundas das sementes perdidas durante a colheita. Ainda que desafiador principalmente se tratando do milho com resistência genética a herbicidas, o manejo e controle eficiente do milho tiguera é determinante para reduzir perdas produtivas e incidência dos enfezamentos em cultivos sucessores de milho.


Veja mais: Como controlar a cigarrinha-do-milho


Referências:

EMBRAPA. CONTROLE DA CIGARRINHA DO MILHO: ENFEZAMENTOS POR MOLICUTES E A CIGARRINHA DO MILHO. Embrapa. Disponível em: < https://www.embrapa.br/controle-da-cigarrinha-do-milho >, acesso em: 29/04/2022.

EMBRAPA. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/arquivos/Cartilhacigarrinhaeenfezamentos_Embrapa.pdf >, acesso em: 29/04/2022.

SILVA, R. P. et al. O DESAFIO DO MILHO TIGUERA. HRAC-BR, Informe técnico, n. 2, v. 4, 2022. Disponível em: < https://drive.google.com/u/2/uc?id=12R39cZdrCmOH83q_Lgwugvv_-msTzO4g&export=download >, acesso em: 29/04/2022.

WAQUIL, José M. AMOSTRAGEM E ABUNDÂNCIA DE CIGARRINHAS E DANOS DE Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott)(Homoptera: Cicadellidae) EM PLÂNTULAS DE MILHO. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v. 26, n. 1, p. 27-33, 1997.

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