Mesmo com o anúncio de liberação de importação de arroz de fora do Mercosul sem taxas, os preços do produto em casca seguiram em alta no Rio Grande do Sul em setembro, renovando, inclusive, as máximas reais da série histórica do Cepea, iniciada em 2005. No dia 23, o Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros, atingiu R$ 106,24, novo recorde real (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de agosto/2020). No acumulado de setembro, o Indicador avançou 11%.

Apesar da forte alta no mês, o incremento em setembro esteve inferior ao observado em agosto, quando a alta foi de 38%. Além disso, a diferença entre a mínima e a máxima do Indicador, que foi de 26 Reais/saca em agosto, caiu para 6,7 Reais/sc em setembro.

A média mensal de setembro, de R$ 104,39/sc, esteve 32,24% acima da de agosto e expressivos 130% superior à de setembro do ano passado, quando esteve em R$ 45,40/sc, em termos nominais

Quanto aos outros rendimentos, ainda considerando-se as médias de agosto para setembro/20, o avanço foi de 31,46% para o arroz de 59% a 62% de grãos inteiros, a R$ 104,96/sc. O arroz de 63% a 65% de grãos inteiros se valorizou 28,42%, com a média de setembro a R$ 106,13/sc. Para o arroz de 50% a 57% de grãos inteiros, a média mensal subiu 31%, a R$ 100,28/sc em setembro.

Os altos preços do arroz em casca no mercado interno estimularam ações importantes na cadeia produtiva, como a liberação da importação de 400 mil toneladas de fora do Mercosul com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), divulgada no início do mês. Esta medida teve relevância no mercado, mas não foi suficiente resultar em mudanças significativas em termos de preços, especialmente devido à paridade de importação elevada com a taxa cambial em alta, ainda aliada à disponibilidade restrita do arroz em casca no Brasil.

Assim, o movimento foi distinto entre agentes compradores. Alguns, principalmente grandes indústrias, analisaram a viabilidade de importação e até adquiriram alguns lotes de fora do País – mas a chegada está prevista para outubro/novembro. Além disso, parte das indústrias/beneficiadoras esteve com baixa necessidade de compra em setembro, alegando enfraquecimento das vendas do beneficiado. No geral, houve maior cautela para novas negociações no mercado doméstico.

O cenário mais delicado foi registrado nos setores atacadistas e varejistas, que receberam a pressão dos consumidores finais. Com os custos agregados ao longo de toda a cadeia reduzindo o valor do próprio arroz, a dificuldade de repasse do custo total de beneficiadores, atacadistas e varejistas foi maior. Com isso, parte das beneficiadoras tentou adquirir a matéria-prima a preços menores, restringindo as ofertas apenas para o arroz em casca “a depósito”.

Do lado do produtor, houve restrição das vendas, mesmo em momentos de preços considerados atrativos – orizicultores que ainda detém algum volume do produto estão capitalizados. Além disso, produtores também estiveram com as atenções voltadas ao início do cultivo da nova safra (2020/21) no estado.

Campo – Em setembro, orizicultores iniciaram o semeio de arroz no Sul do País. Para o Rio Grande do Sul, o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) aponta que 19,4% da área do estado havia sido semeada até o dia 2 de outubro. Os trabalhos de campo mais adiantados estiveram na região da Zona Sul (36,9%), seguido pela Fronteira Oeste (29,45%), Campanha (14,49%), Planície Costeira Interna (7,48%), Depressão Central (5,8%) e Planície Costeira Externa (4,99%). Em Santa Catarina, por sua vez, o semeio estava em torno de 40%, segundo boletim divulgado pela Epagri/Cepa no dia 18 de setembro.

Ainda há incertezas quanto ao tamanho safra no Brasil, com previsões diferentes entre os órgãos oficiais. Enquanto alguns agentes apontam quedas, devido ao clima seco, outros players consideram que as informações oficiais divulgadas até o momento podem estar próximas da realidade, fundamentados na expectativa de chuvas significativas durante o período mais determinante para o desenvolvimento.

As primeiras estimativas da safra 2020/21 divulgadas pela Conab apontam que a área a ser semeada pode crescer 12,1% e a produção, 7,2%, somando 2 milhões de toneladas. Esse cenário se deve à rentabilidade favorável ao produtor. Apesar disso, a produtividade deve recuar 4,3%, mesmo diante dos ganhos na temporada 2019/20.

Já em Santa Catarina, dados iniciais da Epagri/Cepa indicam que a área na safra 2020/21 deve ser igual à do ano-safra anterior, em 149,45 mil hectares. A produção e a produtividade, por outro lado, devem recuar 4,1% na comparação com a temporada anterior, indo para respectivos 1,2 milhão de toneladas e 8,04 toneladas/hectare.

Fonte: Cepea

Texto originalmente publicado em:
Cepea
Autor: Cepea/Esalq

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