A colheita do milho avançou de forma lenta em decorrência das precipitações mais abrangentes do período, alcançando aproximadamente 60% da área cultivada no Estado. Nas áreas colhidas, a produtividade está próxima à projeção inicial, com menor impacto da
insuficiência hídrica ao longo do ciclo.
As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo (5%), floração (4%), enchimento de grãos (12%) e em maturação (19%). Houve redução da intensidade do estresse hídrico, o que contribuiu para mitigar perdas adicionais no potencial produtivo remanescente. Entretanto, em diversas áreas, as chuvas ocorreram de forma tardia, sem capacidade de reverter perdas já consolidadas em decorrência da restrição hídrica, registrada entre janeiro e a primeira quinzena de fevereiro.
Nesta safra, observa-se desempenho heterogêneo dos cultivos, condicionado à época de semeadura e à distribuição das chuvas. As lavouras implantadas precocemente apresentam
produtividades definidas. Os resultados estão satisfatórios em áreas irrigadas e em sequeiro com adequada distribuição hídrica. Em contrapartida, nas áreas semeadas de forma intermediária e tardia, há redução de rendimento e qualidade dos grãos, principalmente em função do déficit hídrico durante as fases críticas de floração e enchimento de grãos.
Nas áreas de segunda safra, as limitações hídricas prejudicaram a emergência e o desenvolvimento inicial das plantas, e houve agravamento pelo estresse térmico, o que deve resultar em produtividades abaixo do esperado.
A incidência de cigarrinha-do-milho foi relatada em diversas regiões, demandando monitoramento contínuo. Já a de lagarta-do-cartucho foi registrada de forma pontual. Estima-se o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar. Nova projeção será divulgada no início de março.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o retorno das precipitações beneficiou as lavouras semeadas tardiamente, ainda em estádios vegetativos e reprodutivos iniciais. Na Fronteira Oeste, em Rosário do Sul, as chuvas ocorreram tardiamente em parte das áreas, resultando em mortalidade de plantas, falhas de enchimento de grãos e utilização de lavouras para alimentação animal.
As perdas estão superiores a 40%, considerando a expectativa inicial de produtividade de 3.147 kg/ha. Em São Gabriel, a colheita das lavouras precoces apresenta produtividades satisfatórias, com médias entre 7.200 e 7.800 kg/ha em sequeiro e até 12.000 kg/ha em áreas irrigadas. Os manejos culturais foram praticamente concluídos, restando intervenções pontuais em áreas tardias, como controle de plantas daninhas, monitoramento de cigarrinha e adubação nitrogenada.
Na de Caxias do Sul, na Região da Serra, iniciou-se a colheita, e a produtividade está em torno de 9.000 kg/ha, ligeiramente abaixo da expectativa inicial. Para lavouras mais tardias, projeta-se redução adicional de rendimento em função do déficit hídrico, ocorrido desde a floração e ainda persistente em parte da região.
Na de Erechim, cerca de 80% da área foi colhida; 20% estão em enchimento de grãos e maturação. As produtividades variam entre 7.200 e 15.000 kg/ha, influenciadas pela distribuição das chuvas e pelas condições de fertilidade do solo; a média regional está estimada em aproximadamente 9.000 kg/ha. Porém, em Campinas do Sul, Centenário, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Ipiranga do Sul, Sertão e Mariano Moro, registram-se perdas de até 25% em relação ao potencial esperado.
Na de Frederico Westphalen, as lavouras estão em maturação (5%) e colhidas (90%). A produtividade média obtida está próxima a 7.500 kg/ha. Os plantios em segunda safra (5%) estão em desenvolvimento vegetativo e apresentam dificuldades de estabelecimento e desenvolvimento inicial devido ao déficit hídrico. Observa-se alta incidência de cigarrinha nas áreas monitoradas.
Na de Ijuí, a colheita está próxima do término (90%). Restam áreas semeadas em janeiro e fevereiro na resteva de milho grão ou silagem, que tem baixa representatividade na produção regional. As produtividades já estão definidas, e há elevada variabilidade nas áreas de sequeiro em função da falta de chuvas em novembro e dezembro de 2025. Em condições favoráveis, as lavouras de sequeiro atingiram cerca de 12.000 kg/ha, enquanto áreas irrigadas ultrapassaram 15.600 kg/ha. A qualidade do produto colhido é considerada elevada.
Na de Passo Fundo, 15% da área está em enchimento de grãos, 80% em maturação fisiológica e 5% colhidos. As áreas colhidas apresentam produtividade média em torno de
8.500 kg/ha.
Na de Pelotas, 28% das lavouras estão em floração, 26% em enchimento de grãos, 20% em desenvolvimento vegetativo, 7% em maturação, e 19% colhidas. As precipitações do período, com volumes de 1,2 a 70 mm, possibilitaram a recuperação parcial do potencial produtivo em cultivos em enchimento de grãos, mas condicionada à continuidade das chuvas.
Na de Santa Rosa, a distribuição fenológica indica 6% em desenvolvimento vegetativo, 2% em enchimento de grãos, 6% em maturação e 86% colhidos. A safra principal apresentou rendimento relativamente satisfatório, associado à adequada distribuição de chuvas ao longo do ciclo e ao manejo das lavouras. As áreas de segunda safra enfrentam severas limitações hídricas, como comprometimento da germinação e do desenvolvimento inicial, que foram agravadas pelas temperaturas elevadas.
Na de Soledade, as lavouras precoces (semeadura em agosto e setembro) se encontram em maturação fisiológica ou colhidas. As semeaduras intermediárias (outubro e novembro) e tardias (dezembro e janeiro) apresentam menor ritmo de desenvolvimento devido à irregularidade das chuvas nas últimas semanas, e houve perdas de produtividade e qualidade associadas ao déficit hídrico. As precipitações do período atenuaram parcialmente as perdas.
Estão 30% das áreas em desenvolvimento vegetativo, 5% em floração, 10% em enchimento de grãos, 25% em maturação, e 30% colhidos. Registra-se alta incidência de cigarrinha e ocorrência pontual de lagarta-do-cartucho.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, diminuiu 0,97%, quando comparado à semana anterior, de R$ 58,81 para R$ 58,24.
Fonte: Emater/RS




