Com significativo aumento de área infestada, as plantas do gênero (Amaranthus), popularmente conhecidas como cururu vêm se destacando como plantas daninhas de culturas agrícolas, causando significativa redução da produtividade de culturas como soja e milho.

Para dificultar o manejo e controle dessas daninhas, algumas espécies de caruru apresentam resistência conhecida a herbicidas, o que aliado a elevada produção de sementes e vários fluxos de emergência do caruru, contribui para a persistência da daninha em áreas de cultivo. Segundo Penckowski et al. (2020), dependendo da espécie, uma única planta de caruru pode produzir até 600.000 sementes, as quais são facilmente dispersas contribuindo para o aumento da infestação das lavouras.

Conforme destacado pelo professor Mauro Rizzardi, os fluxos de germinação do caruru se distribuem durante o estabelecimento da soja, podendo causar significativas perdas de produtividade na cultura. Durante o estabelecimento da lavoura de soja, sob condições de umidade, luminosidade e temperatura adequadas, as sementes de caruru presentes no banco de sementes do solo germinam de forma escalonada, durante vários fluxos, resultando em uma elevada densidade de plantas que irão matocompetir com a cultura da soja.

Ainda que em tese a soja possa conviver com plantas daninhas no início do seu desenvolvimento sem que haja maiores perdas produtivas, (período anterior a interferência – PAI), em virtude dos vários fluxos de emergência, o caruru pode causar danos desde o início do desenvolvimento da soja. Embora o PAI possa variar de acordo com a cultivar de soja e espécies de plantas daninhas, em médio esse período é de aproximadamente 25 dias após a emergência da soja. Após isso, reduções significativas de produtividade podem ser observadas em decorrência da matocompetição, conforme observado por Benedetti et al. (2009).

Figura 1. Produção da soja ‘Monsoy 7908 RR’, em resposta aos períodos de controle e de convivência com as plantas daninhas, considerando-se uma perda de 5 % na produtividade (Benedetti et al., 2009).

Fonte: Benedetti et al. (2009)

Dessa forma, fica evidente a importância do controle do caruru ainda no estabelecimento da cultura da soja, visando maior assertividade no momento de controle e redução dos danos futuros causados por plantas de caruru emergidas. Rizzardi chama atenção para o período crítico de matocompetição da cultura da soja que varia do estádio V2 aos estádios V6/V8, sendo essencial “manter a cultura no limpo” durante esse período.

Além da realização da semeadura da soja “no limpo”, em virtude dos vários fluxos de emergência do caruru é preciso estabelecer estratégias que possibilitem a redução desses fluxos e do estabelecimento da daninha. Algumas das principais estratégias são a manutenção da palhada visando boa cobertura do solo, o uso de herbicidas pré-emergentes e o adequado posicionamento de pós-emergentes, dando preferência para a aplicação nos estádios iniciais do desenvolvimento do caruru.


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 11 – Habilidade competitiva


Figura 2. Estádio indicado/limite para o controle do caruru utilizando herbicidas pós-emergentes.

Confira abaixo mais um episódio da MISSÃO CARURU, com as dicas e contribuições do Professor Mauro Rizzardi.


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Referências:

BENEDETTI, J. G. R. et al. PERÍODO ANTERIOR A INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS E, SOJA TRANSGENICA. Scientia Agraria, Curitiba, v.10, n.4, p.289-295, July/Aug. 2009. Disponível em: < https://revistas.ufpr.br/agraria/article/download/14801/10003#:~:text=Dias%20ap%C3%B3s%20a%20emerg%C3%AAncia%20da%20soja&text=Por%20ser%20uma%20planta%20daninha,com%20conviv%C3%AAncia%20de%2060%20dias. >, acesso em: 20/07/2021.

PENCKOWSK, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL: O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC, Abril/Maio, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 20/07/2021.

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