O percevejo-marrom (Euschistus heros) é uma praga-chave na cultura da soja, estando amplamente distribuída no país e em altas densidades populacionais. Porém, trata-se de um inseto de difícil controle, já que poucos grupos químicos são eficientes, possui elevado período de sobrevivência e alta capacidade de migração. O controle é de extrema importância visto que os percevejos dessa espécie causam danos diretos na produtividade, diminuindo peso e tamanho de grãos, além de afetar a maturação normal das plantas atacadas (“soja louca”) e ocasionar redução no vigor e poder de germinação das sementes (ALVES, 2020).

O controle químico é a ferramenta que possui maior nível de eficiência no controle de percevejos em soja (EMBRAPA, 2019). Porém, a eficiência de controle é dependente de uma tecnologia de aplicação adequada, isto é, boa cobertura e penetração no dossel da cultura, visto que o percevejo-marrom se concentra no terço médio das plantas e os inseticidas sistêmicos não são translocados para baixo (ROGGIA et al., 2018). Ainda, os ingredientes ativos registrados para o controle dessa praga pertencem basicamente a três grupos químicos: piretroides (p.ex. lambda-cialorina), neonicotinoides (p.ex. tiametoxam) e organofosforados (p.ex. acefato), sendo comum a combinação de diferentes grupos químicos em um mesmo produto formulado (AGROFIT, 2021).

Nas principais regiões produtoras de soja do Brasil, o monitoramento de pragas e a tomada de decisão com base no nível de dano econômico vêm sendo cada vez mais aprimorados e aplicados pelos produtores rurais. Por consequência, o número médio de aplicações tem reduzido quando o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é empregado. No levantamento de Conte et al. (2020), foi observado que em lavouras assistidas pelo programa MIP-Soja no Paraná obteve-se aplicações mais precoces, necessitando menor número de entradas com pulverização nas lavouras (Figura 1).

Figura 1. Número de aplicações para o controle de percevejos em unidades de referência (URs) e em lavouras não assistidas pelo programa MIP-Soja no Paraná, na safra 2019/2020.

Fonte: Conte et al. (2020).

Por outro lado, no trabalho do Lima et al. (2020), foi observado que o número de aplicações teve efeito sobre a produtividade de grãos de soja em parcelas submetidas à alta pressão de percevejos. Os resultados demonstraram que, no tratamento com apenas uma aplicação de inseticida, a produtividade de grãos não diferiu da testemunha sem controle de percevejo-marrom. No entanto, quando realizadas três ou quatro aplicações, a produtividade foi significativamente maior (Figura 2).

Figura 2. Produtividade de grãos de soja em função do número de aplicações para o controle de percevejo-marrom em Rio Verde (GO), safra 2019/2020.

Fonte: Instituto de Ciência e Tecnologia COMIGO.

Um fator importante na prevenção de alta pressão de percevejos é a data de semeadura. Como regra geral, deve-se evitar os plantios tardios, onde ocorrem as maiores concentrações desses insetos em virtude das condições climáticas. Além disso, cultivos tardios ficam submetidos a frequentes reinfestações em virtude da migração dos percevejos e, por consequência, demandam um maior número de aplicações durante o ciclo da cultura.

Outra questão importante é o controle antecipado, visto que desde o terceiro ínstar ninfal o percevejo-marrom já é capaz de causar danos significativos às plantas de soja. Conforme Grigolli (2016), o manejo antecipado ocasiona a quebra do ciclo da praga, proporcionando assim um ganho de tempo de controle e possivelmente reduzindo o número de aplicações necessárias.

Somado a isso, recomenda-se o monitoramento constante da população de percevejos a partir do aparecimento dos legumes (vagens) na cultura da soja, tendo cuidado especial entre os estágios R3 e R6, e realizando o controle preferencialmente de forma antecipada. Além disso, a rotação dos mecanismos de ação é essencial para evitar a seleção de populações resistentes aos inseticidas.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS:

AGROFIT. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Disponível em < http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >. Acesso: 08 de julho de 2021.

ALVES, E. B. O percevejo marrom da soja. PROMIP, Manejo Integrado de Pragas. 9 de mar. de 2020. Disponível em < https://promip.agr.br/o-percevejo-marrom-da-soja/ > Acesso: 06 de julho de 2021.

CONTE, O. et al. Resultados do manejo integrado de pragas da soja na safra 2019/2020 no Paraná. Embrapa Soja. Documento 431. 2020. Disponível em < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/217939/1/Doc-431.pdf >. Acesso: 06 de julho de 2021.

GRIGOLLI, J. Pragas da soja e seu controle. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016. Disponível em <https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/272/272/5ae094adae692b52cb18ab138a3cb3cb661f0692c97fc_capitulo-05-pragas-da-soja-somente-leitura-.pdf >. Acesso: 07 de julho de 2021.

LIMA, D.T.; FERNANDES, R.F; ALMEIDA, D.P.; FURTINI NETO, A.E. Número de aplicações de inseticidas no controle de percevejo-marrom (Euschistus heros) em duas cultivares de soja. Instituto de Ciência e Tecnologia Comigo (ITC). Anuário de Pesquisas – Agricultura. Volume 3, 2020.

ROGGIA, S. et al. Eficiência de inseticidas no controle do percevejo marrom (Euschistus heros) em soja, na safra 2013/14: resultados sumarizados de ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2018. 22p.

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