As plantas do gênero Amaranthus, popularmente conhecidas como caruru, possuem grande habilidade competitiva, rápido crescimento e desenvolvimento vegetal e grande capacidade de produzir sementes. Características como essas, quando analisadas de forma conjunta, fazem do caruru uma preocupante planta daninha, especialmente pelos danos ocasionados em culturas agrícolas.

Dependendo da espécie de caruru e da intensidade da infestação, perdas de produtividade superiores a 90% podem ser observadas em milho, e superiores a 70% em soja e algodão (Gazziero & Silva, 2017), destacando a agressividade com que as plantas de caruru matocompetem com plantas de interesse econômico.

Algumas espécies de caruru, podem produzir mais de 600.000 sementes por planta (Penckowsk et al., 2020), o que contribui significativamente para dispersão da espécie. Em virtude das características das sementes, a dispersão delas ocorre principalmente por animais (bovinos), canais de irrigação, sementes, insumos e fertilizantes contaminados, máquinas e equipamentos agrícolas.

As sementes dispersas alimentam o banco de sementes do solo, promovendo vários fluxos de emergência dessa daninha ao longo do desenvolvimento de culturas como a soja, dificultando ainda mais o controle do caruru em pós-emergência. Algumas espécies ainda apresentam resistência conhecida a herbicidas, o que torna extremamente difícil e complexo o controle e manejo do caruru.


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 13 – Casos de Resistência no Brasil


Dos métodos de controle disponíveis para uso, o controle químico com o emprego de herbicidas é o mais usual no controle do caruru. Entretanto, além do controle em pós-emergência, o controle em pré-emergência é essencial para um bom manejo e controle do caruru. Herbicidas pré-emergentes atuam diretamente no banco de sementes do solo, inibindo a germinação das sementes, reduzindo significativamente os fluxos de emergência do caruru.

Conforme destacado por Mário Bianchi – CCGL, os controles em pré e pós-emergência do caruru são essenciais para manejar de forma eficiente esse grupo de daninhas. Entretanto, se tratando do controle em pós-emergência, algumas características e orientações devem ser seguidas a fim de melhor eficiência de controle.

Mário chama atenção para o estádio de aplicação de herbicidas para controle do caruru, sendo essencial o monitoramento da lavoura. Embora algumas práticas de manejo sejam embasadas no estádio de desenvolvimento da soja, se tratando controle de plantas daninhas, “é mais importante o momento de aplicação do que o estádio da soja”.

Embora alguns genótipos de caruru por apresentar susceptibilidade ao glifosato possam ser controlados em estádios mais avançados do seu desenvolvimento, quando maior o tempo de convivência entre plantas daninhas e a soja, maior a matocompetição e os danos ocasionados à cultura. Sendo assim, recomenda-se o controle do caruru em pós emergência quando as plantas atingirem 4 folhas.

Figura 1. Planta de caruru em estádio de desenvolvimento adequado para controle em pós-emergência.

Com isso em vista, em algumas situações a antecipação da aplicação de herbicidas na cultura da soja se torna necessária a fim de melhor controle do caruru, atuando também na redução do período de convivência e consequentemente nos danos ocasionadas à cultura da soja.

Confira abaixo mais um Missão Caruru com as dicas e contribuições de Mário Bianchi.


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Referências:

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. et al. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf >, acesso em: 09/09/2021.

PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL: O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC – Abril/Maio 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 09/09/2021.

 

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