O Nabo forrageiro (Raphanus sativus L.) é uma das plantas de cobertura mais utilizadas em rotação de culturas no sistema plantio direto, especialmente nas regiões Sul do Brasil, onde o clima favorece o desenvolvimento da planta. Dentre as principais característica do nabo forrageiro, podemos destacar sua grande capacidade em ciclar nutrientes do solo e libera-los posteriormente para a cultura sucessora pela decomposição e mineralização dos resíduos culturais, além da sua capacidade em atuar na descompactação do solo.

Conforme destacado por Wolschick et al. (2016), é possível observar acúmulo de até 74,6 kg ha-1; 10,5 kg ha-1 e 112,8 kg ha-1 de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K) respectivamente, na parte aérea do nabo forrageiro, os quais serão disponibilizados posteriormente para a cultura sucessora. Além disso, seu sistema radicular contribui significativamente para o manejo da compactação do solo, através da abertura de galerias após a decomposição das raízes da planta.

Figura 1. Raíz de nabo-forrageiro.

Foto: Maria da Penha Angeletti.

Conforme observado por Kochhann et al. (2003), o nabo-forrageiro também pode contribuir para o aumento da produtividade do trigo cultivado em sucessão, entretanto, para aumentos significativos de produtividade, é necessário a produção de pelos menos 3 t ha-1 de fitomassa de nabo forrageiro.

Figura 2. Rendimento de grãos de trigo, com e sem nabo forrageiro como cultura intercalar às culturas de milho-grão e de trigo, em Independência, em 2000.

Fonte: Kochhann et al. (2003)

Quando semear o nabo forrageiro?

O nabo forrageiro é uma ótima opção de cultivo em propriedades onde se observa um vazio outonal após a colheita da soja. Conforme recomendações técnicas da Embrapa, a semeadura do nabo entre abril e maio, sob condições de boa disponibilidade hídrica do solo possibilita maior produção de massa.

A semeadura pode ser realizada a lanço ou com o uso de semeadoras específicas, utilizando nesse caso, espaçamentos entre linhas variando de 20cm a 40cm. Embora possa variar de acordo com o sistema de produção, em média recomenda-se a densidade de 25 sementes por metro linear, e o uso de 3 a 15 kg ha-1 de sementes. Em virtude do pequeno tamanho das sementes, para facilitar a semeadura, podem ser feitas algumas misturas com calcário ou superfostato simples na proporção de 1 kg de sementes para 50 kg de corretivo ou fertilizante (Embrapa).



Além disso, o nabo forrageiro pode ser semeado na modalidade de mix de plantas de cobertura, misturando as sementes do nabo com as de outras plantas de cobertura a exemplo da ervilhaca, aveia preta, aveia branca, azevém, entre outras. O uso do mix de plantas de cobertura possibilita também a melhoria de atributos físico, químicos e biológicos do solo, além de estimular a fauna microbiana do solo e promover maior cobertura do solo pelo equilíbrio entre as relações C/N das plantas de cobertura.

Cabe destacar que visando prevenir a entradas de pragas e patógenos na lavoura, o uso de sementes com boa qualidade sanitária é essencial, sendo aconselhado, dar preferencia para a aquisição de sementes certificadas.


Veja mais: Contribuição das plantas de cobertura na disponibilidade de nutrientes das rochas


Referências:

EMBRAPA. AGÊNCIA EMBRAPA DE INFORMAÇÃO TECNOLOGICA: NABO-FORRAGEIRO. Disponível em: < https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agroenergia/arvore/CONT000fbl23vn002wx5eo0sawqe38tspejq.html >, acesso em: 30/03/2022.

KOCHHANN, R. A. et al. RENDIMENTO DE GRÃOS DE TRIGO CULTIVADO EM SEQUÊNCIA AO ADUBO VERDE NABO FORRAGEIRO. Embrapa, Circular Técnica, n. 116, 2003. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/co/p_co116.pdf >, acesso em: 03/03/2022.

WOLSCHICK, N. H. et al. COBERTURA DO SOLO, PRODUÇÃO DE BIOMASSA E ACÚMULO DE NUTRIENTES POR PLANTAS DE COBERTURA. Revista de Ciências Agroveterinárias, Lages, v.15, n.2, p.134-143, 2016. Disponível em: < https://revistas.udesc.br/index.php/agroveterinaria/article/download/223811711522016134/pdf_32/25737 >, acesso em: 30/03/2022.

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