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O uso dos herbicidas Inibidores do Fotossistema II em pós-emergência do milho

No texto de hoje vamos continuar falando sobre os herbicidas que podem ser utilizados na pós-emergência do milho.

No artigo anterior conversamos sobre os herbicidas inibidores da biossíntese de carotenóides, especificamente sobre o mesotrione e o tembotrione, ótimas opções para o manejo de plantas daninhas de folhas largas. Agora vamos continuar este tema com o uso dos herbicidas inibidores do Fotossistema II em pós-emergência do milho. 

Em milho, os herbicidas registrados para o uso em pós-emergência são a ametrina, a atrazina e o bentazon.

Herbicida Mecanismo de ação
2,4-D Auxinas Sintéticas
MCPA Auxinas Sintéticas
ametrina Fotossistema II
amicarbazone Fotossistema II
atrazine Fotossistema II
atrazine + simazina Fotossistema II
atrazine + s-metolachlor Fotossistema II + Divisão Celular
bentazon Fotossistema II
carfentrazone PROTOX
flumioxazin PROTOX
saflufenacil PROTOX
clethodim ACCase
glyphosate EPSPs
glyphosate + s-metolachlor EPSPs + Divisão Celular
glufosinate GS
isoxaflutole Biossíntese de Carotenóides
mesotrione Biossíntese de Carotenóides
tembotrione Biossíntese de Carotenóides
paraquat Fotossistema I
diquat Fotossistema I
nicosulfuron ALS
s-metolachlor Divisão Celular
trifuralin Formação dos microtúbulos
  • Atrazina

A atrazina é o herbicida mais utilizado na cultura do milho. Pode ser utilizado em pré-emergência antes ou após a semeadura do milho. Também pode ser utilizado em pós-emergência do milho e das plantas daninhas, neste caso deve ser acrescentado óleo vegetal.

Controla muitas espécies de plantas daninhas como:

  • Folhas largas: erva-quente, apaga-fogo, picão-preto, leiteiro, macela, caruru, joá-de-capote, guanxuma, serralha, maria-pretinha, carrapicho-de-carneiro,  carrapicho-rasteiro, corda-de-viola, beldroega, rubim e poaia.
  • Folhas estreitas: trapoeraba, capim-marmelada, capim-colchão e capim-pé-de-galinha.

É também uma importante ferramenta para o controle de soja voluntária (tiguera) no milho. A atrazina pode ser associada com outros herbicidas como o mesotrione, nicosulfuron, s-metolachlor e glyphosate em milho tolerante ao herbicida.

Em milho e sorgo, a seletividade de atrazina é devido ao metabolismo, neste caso as plantas conseguem detoxificar rapidamente o herbicida por meio da conjugação com glutationa (GHS).

Lembre-se que após o uso de atrazina você deve esperar 90 dias para o plantio de trigo, soja e feijão.

  • Ametrina

A ametrina é utilizada em pós-emergência do milho em jato dirigido, ou seja, sem entrar em contato com o milho. A aplicação deve ser feita nas entrelinhas do milho com 40 a 50 cm de altura (30 a 40 dias após a germinação).

Seletividade de herbicidas, aplicação em jato dirigido. Fonte: Oliveira Jr.

É muito utilizado como um tratamento complementar na pós-emergência do milho, para o controle de folhas largas e do capim-marmelada.  Controle de plantas daninhas de folhas largas: picão-preto (4 folhas) e leiteiro (3 a 4 folhas). A ametrina tem absorção foliar e radicular. A penetração nas folhas é rápida quando é adicionado surfactante.

  • Bentazon

O bentazon é um herbicida seletivo para a cultura do milho. Depois que o produto é absorvido, ele interfere na fotossíntese nos locais das folhas tratadas, não sendo sistêmico. Muitas plantas daninhas ciperáceas, monocotiledôneas e dicotiledôneas são suscetíveis ao produto.

A dose de 1,5 L/ha (0,72 g i.a./ha) de Basagran 480 é utilizada para o controle de carrapicho-de-carneiro, picão-preto, mostarda, trapoeraba, corda-de-viola, guanxuma, nabiça e carrapichão, todas no estádio de 2 a 6 folhas e de picão-branco (2 a 4 folhas).

Para o controle de carrapicho-rasteiro (2 a 4 folhas), utiliza-se 1,5 L/ha de Basagran 480 + 1 L de adjuvante oleoso. No caso de utilizar Basagran 600 as doses acima são de 1,2 L/ha (0,72 g i.a./ha). O bentazon tem absorção foliar e translocação reduzida. 

Em plantas tolerantes é rapidamente metabolizado formando conjugados glucosil.

Conclusão

No texto de hoje vimos sobre o uso dos herbicidas inibidores do Fotossistema II em pós-emergência do milho. Vimos quais as plantas daninhas que a atrazina, a ametrina e o bentazon controlam e qual sua importância para o sistema. Agora que você conhece um pouco mais sobre estes produtos, você tem mais uma opção de mecanismo de ação na cultura do milho.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre o uso de herbicidas em pós-emergência do milho? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Giraldeli é Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ), possuí MBA em Agronegócios e é professora na Unifeob.

Equipe Mais Soja
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2 COMENTÁRIOS

  1. No fim do texto se diz que agora que “Agora que você conhece um pouco mais sobre estes produtos, você tem mais uma opção de mecanismo de ação na cultura do milho.”
    Ou seja, o produtor que escolhe o que aplicar, não precisa mais de Engenheiro Agrônomo.

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