Menor oferta e maior demanda é o resumo do que poderá acontecer em 2021 para o mercado de soja, mantendo-o elevado durante todo o período, com a continuação dos altos lucros para os sojicultores brasileiros.

Os fatores que estão presentes no mercado neste momento são os seguintes:

Fatores de alta

  • Baixos estoques nos EUA – últimos anos. Nos últimos 3 anos passaram de 24,74 MT na safra 2018/19, para 14,25 MT na safra 2019/20 e agora estão em 4,76 MT nesta safra de 20/21;
  • Problemas nas safras sulamericanas – El Niño poderá retirar entre 7-10 MT da produção da região. A BCBA, de Buenos Aires, informou que 77,2% dos hectares da soja argentina foram plantados em seu relatório semanal de safra;
  • A bolsa também citou preocupações com o plantio dos 3,9m hectares restantes, citando a seca prolongada e sugerindo uma possível redução para baixo futuramente. No Brasil a Aprosoja estimou a próxima safra em 127 milhões de toneladas, contra 134,45 MT previstas pela Conab no seu último relatório, uma redução de 7,45 MT, embora ainda recorde;
  • Forte demanda chinesa – importação de 100 MT, segundo o USDA de dezembro, deverá manter os prêmios altos. Na China, o volume de esmagamento de soja saltou para o nível mais alto em quatro semanas, para 2,01 milhões de toneladas, em meio ao reabastecimento de óleo de soja antes do feriado de Ano Novo. Os estoques de soja no país caíram 110.000 t para 6,25 milhões t, os estoques de farelo de soja caíram 30.000 t para 880.000 t e os estoques de óleo de soja recuaram 20.000 t para 1,03 milhão t;
  • Forte demanda interna nos EUA – Segundo a NOPA-Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais o esmagamento de soja atingiu 181,02 milhões de bushels em novembro (4,92 MT), ante 185,25 milhões no mês anterior (5,04 MT). A expectativa do mercado era de 180 milhões (4,89 MT), o que sinaliza que continua se mantendo uma forte demanda interna no país.
  • Forte demanda brasileira por óleo e farelo – O aumento da demanda por carnes, somada aos problemas com a safra de milho no sul, estão aumenta da demanda interna de farelo de soja. Da mesma forma, a demanda por óleo para biodiesel tem se mantido elevada, ao redor de 3,94 bilhões de m3 neste ano, segundo a ANP.
  • Greve portuária na Argentina atrasou vendas de farelo e óleo no Mundo (são os maiores exportadores).

Fatores de baixa

  • Vacinas permitirão melhora das economias e possível queda do dólar;
  • Alto nível de comprometimento da próxima safra versus problemas climáticos atuais fazem os agricultores brasileiros se tornarem mais prudentes em comprometer mais volumes daqui para frente, antes de saber exatamente do que disporão.


Recomendação da consultoria

Todos estes fatores fizeram a cotação de Chicago subir 54,39%, de $820/bushel em julho passado a $1266,75/bushel até agora. O mercado precisará de fatores novos para subir mais e se fixar em $ 13.00/bushel por exemplo.

Como o mercado já está proporcionando algo ao redor de 66,5% de lucro aos sojicultores brasileiros para a safra 2020/21 e eles já comprometeram mais de 65% do volume que esperam produzir, isto significa que já garantiram uma excelente lucratividade para o próximo exercício. A recomendação dos analistas da T&F, é o agricultor focar no lucro e não se deixar iludir pelo preço. Aqui para frente, seguir o clima com atenção para ver a produção real. Este é o foco.

Fonte: T&F Agroeconômica

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