Os percevejos são considerados, dentre todos os insetos-praga que atacam a soja, os de maior potencialidade de provocar danos à cultura. Isso se deve, principalmente, ao seu hábito alimentar, pois conseguem atingir diretamente o grão a ser colhido. Dos percevejos que atacam a soja, a espécie Piezodorus guildinii se destaca pelos danos que pode causar.

O percevejo-verde-pequeno, P. guildinii é uma espécie que tem sido registrada frequentemente nas Américas Central e do Sul. No Brasil, esse percevejo era pouco encontrado na década de 1970; posteriormente, tornou-se mais comum, ocorrendo desde o Rio Grande do Sul até o Piauí (PANIZZI et al., 2000).

Kuss-Roggia (2009), em trabalho realizado em Santa Maria/RS observou que essa espécie predominou nas duas safras avaliadas, com frequências de 75% (safra 2006/07) e 30,4% (safra 2007/08) do total de percevejos da soja. Isso indica que a frequência da espécie varia regionalmente e de uma safra para outra.

O percevejo geralmente aparece na soja durante o florescimento, porém, nessa fase, anterior à formação das vagens, o ataque não causa redução no rendimento e na qualidade das sementes. Geralmente, a espécie atinge o pico populacional mais cedo do que as demais espécies, porém é no final do enchimento de grãos e na maturação que tende a aumentar sua densidade populacional, causando maiores danos à soja.



Saiba mais sobre a praga

Essa espécie possui hábito sugador que injeta toxinas na planta. Seus ovos são colocados em número de 10 a 20 por vez, em fila dupla, com período de incubação de 3 a 9 dias. A postura pode ser feita nas folhas, ramos, vagens e caule, mas a vagem é o local mais comum. A partir do terceiro instar iniciam-se os danos na cultura da soja. Os adultos vivem de 34 a 38 dias (machos) e 41 a 45 dias (fêmea). A espécie também pode contribuir para a infecção da planta por fungos e outras doenças por lesionar o tecido vegetal, deixando-o exposto ao ataque de pragas secundárias.

Figura 1. Ciclo de desenvolvimento do percevejo-verde-pequeno, Piezodorus guildinii.

Fonte: Embrapa, Cividanes (1992).

Figura 2. Percevejo-verde-pequeno, Piezodorus guildinii, adulto (a), ovos (b), ninfa de primeiro (c) e quinto instar (d).

Fonte: Embrapa – J.J. da Silva.

Danos

O impacto desses percevejos pode causar perdas significativas no rendimento, na qualidade e no potencial germinativo da soja. São, também, responsáveis por reduções no teor de óleo, aumento na percentagem de proteínas e ácidos graxos livres nas sementes, e pela transmissão de patógenos e de distúrbios fisiológicos, como a retenção foliar que, normalmente, estão associados à atividade alimentar da espécie.

São consideradas plantas hospedeiras do percevejo-verde-pequeno as seguintes culturas de importância econômica: feijão, alfafa, ervilha, algodão e goiaba. Na cultura da soja ela completa três gerações e uma quarta geração é completa em leguminosas, tais como crotalária, feijão-guandu e várias espécies de anileiras.

Dessa forma, durante o inverno, o percevejo-verde-pequeno alimenta-se das leguminosas (anileiras), mas, em contraste com o percevejo-verde, N. viridula, não se reproduz nessa época. Após o inverno, uma quinta geração é completada nas anileiras, antes dos percevejos começarem a colonizar a soja no final da primavera. Em regiões mais frias, como no Rio Grande do Sul, P. guildinii utiliza hospedeiros alternativos como ervilhaca, nabo forrageiro e tremoço (SILVA et al., 2006).

Estudos em campo demonstram que a atividade alimentar de P. guildinii em soja aumenta de 7,3% do segundo ao quarto instar para 16,9% no quinto instar e 34,7% na fase adulta (KUSS-ROGGIA, 2009). Os parâmetros biológicos de P. guildinii podem variar dependendo do tipo de alimento e, se ocorre ou não, troca no alimento de ninfas para adultos.

Além disso, P. guildinii apresenta comportamentos de inserção e retirada dos estiletes que podem causar maior lesão às paredes celulares, em comparação às outras espécies (DEPIERI; PANIZZI, 2011). Sabe-se que o modo de inserção e a retirada dos estiletes estão associados a diferentes graus de destruição de tecidos (HORI, 2000).

Em trabalho realizado por Depiere e Panizzi (2011) avaliou-se os danos causados por quatro principais espécies de percevejos em sementes de soja. Os resultados podem ser observados na Tabela 1.

Tabela 1 – Profundidade média (± EP) do dano em sementes de soja causado pela alimentação de quatro espécies de pentatomídeos, após uma sessão de alimentação de 60 minutos (número inicial de insetos = 250). Entre parênteses, número de insetos observados.

Fonte: Adaptado de Depiere e Panizzi (2011).

Acesse o trabalho completo clicando aqui.

Panizzi et al. em estudo realizado a respeito dos efeitos dos danos de Piezodorus guildinii no rendimento e qualidade da soja concluíram que os estádios de desenvolvimento e enchimento de vagem são críticos ao ataque de P. guildinii.

Tabela 2 – Rendimento, número de vagens e perda de vagens, em plantas não infestadas (testemunha) e infestadas com dois P. guildinii adultos/planta em cinco estádios do desenvolvimento da soja. Ponta Grossa, PR, (20 plantas/tratamento).

Fonte: Anais do I Seminário Nacional de Pesquisa de Soja – Vol. Il.

Acesse o trabalho completo clicando aqui. 

Ao avaliar os danos ocasionados por Edessa meditabunda e Piezodorus guildinii em sementes de soja, HUSCH et al. (2012) contataram que P. guildinii foi a espécie que causou os danos mais severos (germinação, TZ 1-8), prejudicando significativamente a qualidade da semente de soja, principalmente no período de infestação R5.1-R9 (60 dias); além disso, o período compreendido entre a fase reprodutiva R7 a R9 (aproximadamente 20 dias), mostrou ser suscetível ao ataque de P. guildinii, podendo sofrer redução significativa na qualidade das sementes. Veja os resultados encontrados pelos autores abaixo.

Tabela 3. Porcentagem média (± EP) de germinação de sementes de soja, cv. NK 3363, de plantas infestadas com E. meditabunda e P. guildinii, em diferentes períodos de infestação, com 0, 2 e 3 adultos/m.

Fonte: HUSCH et al. (2012).

Tabela 4 – Média (± EP) do número de sementes de soja cv. NK 3363, danificadas por percevejos, determinado pelo teste de tetrazólio*, provenientes de plantas infestadas com E. meditabunda e P. guildinii, em diferentes períodos de infestação, com 0, 2 e 3 adultos/m.

Fonte: HUSCH et al. (2012).

Acesse o trabalho completo clicando aqui.



Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja. 

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