A podridão dos grãos de soja e quebramento das haste tem assolado diversas lavouras, especialmente na região Centro-Oeste do país. A causa dessa doença ainda é pouco conhecida, atribuindo-se o desenvolvimento da anomalia principalmente ao complexo de fungos dos gêneros Diaporthe, Fusarium, Colletotrichum, os quais frequentemente estão associados a ocorrência da doença.
Dentre as estratégias adotadas pelos produtores para mitigar os efeitos da doença, destacam-se o uso de cultivares menos suscetíveis e o ajuste da época de semeadura. Esses fatores apresentam relação científica comprovada com o manejo da doença e são imprescindíveis para o controle da podridão. Conforme observado por Farias Neto et al. (2025), semeaduras mais precoces tendem a apresentar uma maior incidência da doença.
Sobretudo, mesmo com o ajuste da época de semeadura e uso de cultivares menos suscetíveis, o controle químico com o emprego de fungicidas ainda se torna vital para o sucesso no manejo da podridão de grãos. Nesse contexto, o posicionamento quanto ao fungicida aplicado (princípio ativo) e época de aplicação são determinantes para um controle eficaz da doença.
Conforme observado por Belufi et al. (2026), a época de aplicação dos fungicidas exerce influência substancial no controle da podridão dos grãos. Ao analisar os períodos de maior importância do ciclo da soja para a aplicação de fungicidas para o controle da podridão das vagens e grãos, os autores observaram que o intervalo entre 34 e 62 dias após a emergência (DAE) (pré-fechamento e presença de vagens completamente desenvolvidas) é o período mais crítico para a proteção da cultura, proporcionando maior redução da incidência da doença.
Figura 1. Soja com sintomas típicos de podridão das vagens e grãos.

De acordo com Belufi et al. (2026), embora aplicações precoces contribuam para a sanidade da cultura, a proteção dos estádios compreendidos entre 34 e 62 DAE com fungicidas com eficácia para podridão de vagens e grãos, mostrou-se mais eficiente na redução da incidência dessa doença. Além disso, os autores observaram que a rotação de fungicidas sem inibidores da succinato desidrogenase (ISDH; carboxamidas), apresentou desempenho semelhante ao de programas sequenciais contendo ISDH.
Vale destacar que, dado o grande intervalo compreendido durante a fase crítica para o controle da doença, torna-se necessário mais de uma aplicação de fungicida para manter uma proteção adequada durante todo o período crítico do pré-fechamento até a presença de vagens completamente desenvolvidas.
Confira o estudo completo desenvolvido por Belufi e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Eficácia de fungicidas para o controle da podridão das vagens e grãos de soja
Referências:
BELUFI, L. M. R. et al. ÉPOCA DA APLICAÇÃO DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE PODRIDÃO DE VAGENS E DE GRÃOS NA CULTURA DA SOJA: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Rede Fitossanidade Tropical: Séries Técnicas Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 8, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1189087/1/STFT-Com-Tec-n8.pdf >, acesso em: 09/09/2026.
FARIAS NETO, A. L. et al. TEMPO DA SEMEADURA: ESTUDO ANALISA A RELAÇÃO ENTRE ÉPOCAS DE SEMEADURA E A MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA CONHECIDA COMO PODRIDÃO DE GRÃOS DA SOJA. Cultivar grandes Culturas, 307, 2025. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1174000/tempo-da-semeadura-estudo-analisa-a-relacao-entre-epocas-de-semeadura-e-a-manifestacao-da-doenca-conhecida-como-podridao-de-graos-da-soja >, acesso em: 09/09/2026.





