Com uma grande quantidade de variedades, feijão é uma das culturas de maior importância econômica e social do Brasil. Sua produção é complexa em virtude da elevada susceptibilidade da cultura a pragas e doenças, especialmente doenças fúngicas, as quais se desenvolvem com relativa facilidade em nas condições climáticas e ambientais brasileiras.

Além de pragas e doenças, da mesma forma que para as demais culturas agrícolas, a presença de plantas daninhas na cultura do feijão pode interferir em sua produtividade. Conforme destacado por Corrêa et al. (2015), no feijão caupi por exemplo, a infestação de plantas daninhas pode reduzir em até 46% a produtividade do feijão.

A principal causa dessa redução de produtividade é a matocompetição imposta por plantas daninhas, onde plantas daninhas competem com plantas cultivadas, por água, radiação solar e nutrientes. Sendo assim, o manejo e controle eficiente dessas plantas daninhas é fundamental pra reduzir a interferência delas na produtividade do feijoeiro.



Para tal manejo, é necessário conhecer o período em que a acultura pode conviver com plantas daninhas sem que hajam perdas significativas, denominado Período anterior a interferência (PAI) e o período crítico de prevenção a interferência (PCPI), período esse em que medidas de controle necessitam ser tomadas ou a convivência das daninhas com a cultura implicará em perdas produtivas. A soma entre o PAI e PCPI é denominado PTPI (Período total de prevenção a interferência).

Para o feijão comum (Phaseolus vulgaris), o período de interferência de plantas daninhas foi determinado por Borchartt et al. (2011). Os autores submeteram a cultura do feijão ao convívio com populações de plantas daninhas visando quantificar os períodos de interferência para a cultura. Para compor o estudo, Borchartt et al. (2011) realizaram dois ensaios, os quais foram conduzidos simultaneamente; no primeiro a cultura permaneceu livre da competição com plantas daninhas desde a emergência até os 7; 14; 21; 28; 35; 42; 49 e 64 dias; no segundo a cultura permaneceu em competição com a comunidade infestante pelos períodos citados no primeiro ensaio.



 Conforme observado pelos autores, assumindo perdas de 5% no rendimento de grãos do feijoeiro pela interferência da comunidade infestante o período anterior à interferência (PAI) foi de 4 dias, onde não foi necessária a realização do controle. O período total de prevenção da interferência (PTPI) foi de 18 dias após a emergência (DAE) e o período crítico de prevenção da interferência (PCPI) situou-se entre os quatro e os dezoito DAE (Borchartt et al., 2011).

Figura 1. Produtividade do feijoeiro em resposta aos períodos de convivência e controle de plantas daninhas. Admitindo 5% de perdas o PAI foi de 4 dias, o PTPI de 18 dias e o PCPI entre 4 e 18 dias após a emergência dos feijoeiros (Borchartt et al., 2011).

Fonte: Borchartt et al. (2011)

A comunidade de plantas daninhas que ocorreram durante a condução dos ensaios representou 32 espécies distribuídas em 28 gêneros e 13 famílias botânica, entretanto as daninhas com maior importância foram Digitaria horizontalis e Zea mays, destacando assim o elevado potencial competitivo dessas espécies. (Borchartt et al., 2011).

Ainda que o período de interferência e danos causados pela matocompetição na cultura do feijão possam variar de acordo com a espécie de daninha, por abordar um considerável número de espécies o trabalho conduzido por Borchartt et al. (2011) pode auxiliar no manejo e controle de plantas daninhas. Mesmo que o PAI represente um período sem maiores consequências para a produtividade do feijão comum, uma das melhoras estratégias de manejo de daninhas ainda é a “semeadura no limpo”, possibilitando com que a cultura se estabeleça em um ambiente livre de plantas daninhas.

Confira o Trabalho completo de Borchartt et al. (2011) clicando aqui!


 Veja mais: Principais plantas daninhas na cultura do feijão


Referências:

BORCHARTT, L. et al. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DO FEIJOEIRO-COMUM (Phaseolus vulgaris L.). Rev. Ciênc. Agron., v. 42, n. 3, p. 725-734, jul-set, 2011. Disponível em: < http://ccarevista.ufc.br/seer/index.php/ccarevista/article/view/1176>, acesso em: 26/05/2021.

CORRÊA, M. J. P. et al. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DO FEIJÃO CAUPI. R. Ciênc. Agroamb., v.13, n.2, p.50-56, 2015. Disponível em: < https://periodicos.unemat.br/index.php/rcaa/article/view/1183/1257 >, acesso em: 26/05/2021.

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