O controle de plantas daninhas é essencial para minimizar perdas de produtividade decorrentes da matocompetição. Entretanto, uma manejo eficiente deve levar em consideração além do controle eficaz das plantas daninhas, um manejo adequado da resistência dessas plantas aos herbicidas, visando diminuir a pressão de seleção e prolongar e efetividade dos herbicidas para o controle das daninhas.
Dentre as plantas daninhas com resistência conhecida ao glifosato, herbicida mais utilizado no controle de plantas daninhas no cultivo da soja RR, a Buva (Conyza spp.) já é velha conhecida dos agricultores brasileiros, causando perdas de produtividade consideráveis. Contudo, assim como o buva, outras plantas daninhas podem desenvolver resistência ao herbicidas, tornando o cenário do manejo de plantas daninhas cada vez mais complexo.
Uma delas é o picão-preto cujas principais espécies são a Bidens subalternans e a Bidens pilosa, comumente encontradas nas lavouras brasileiras.
Figura 1. Bidens subalternans

Figura 2. Bidens pilosa

Conforme observado por Mendes & Oliveira Junior, no trabalho intitulado “Picão-preto: identificação das espécies e resistência a herbicidas”, populações de picão-preto resistentes ao glifosato foram encontradas no Paraguai, pais vizinho do Brasil. O fato acende um alerta para o Brasil quanto a população de plantas resistentes em território brasileiro.
Dentre as principais diferenças entre as espécies de picão-preto, Mendes & Oliveira Junior destacam o segundo par de folhas que para o B. subalternans é igual ao primeiro par de folhas, já para o B. pilosa difere. Diferenças também são observadas na ramificação das plantas e inflorescência, sendo que a inflorescência do B. subalternans pode apresentar pétalas amarelas enquanto o B. pilosa pode apresentar pétalas brancas.
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No que diz respeito a resistência a herbicidas, Mendes & Oliveira Junior destacam que os primeiros casos de resistência das plantas daninhas foram observados na década de 1990, sendo que posteriormente com a condução de trabalhos científicos visando avaliar essa resistência, populações resistentes de B. subalternans e B. pilosa a inibidores de ALS foram encontradas no Brasil.
Em seguida, conforme destacado por Mendes & Oliveira Junior, casos de resistência múltipla dessas plantas daninhas também foram observados no Brasil, desta vez par inibidores de ALS e inibidores do fotossistema II. Entretanto, com o surgimento da soja e milho com a tecnologia RR, até então, o glifosato desempenha bom controle do picão-preto no Brasil.
Contudo, segundo Mendes e Oliveira Junior (2020), no ano de 2016 casos de resistência de B. subalternans ao glifosato foram observados no Paraguai, sendo confirmada a resistência em duas populações de plantas.
Tabela 1. Casos de resistência em espécies de picão-preto no Brasil.

O picão-preto é uma planta daninhas que pode apresentar preocupante participação no sistema de cultivo brasileiro caso seja manejada inadequadamente. Para evitar isso, é fundamental diminuir a pressão de seleção de plantas daninhas e uma das principais alternativas para isso é a rotação de mecanismos de ação.
Veja também: Perdas por matocompetição em soja – o caso da buva e do amargoso
Para tanto, alguns herbicidas com mecanismos de ação distintos podem ser utilizados. Dentre eles inibidores da protox, inibidores da glutamina sintetase, inibidores da síntese de carotenoides, inibidores do fotossistema I e mimetizadores de auxina (Mendes & Oliveira Junior, 2020).
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Referências:
LORENZI, H. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS PALNTIO DIRETO E CONVENCIONAL. Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, ed. 7, 2014.
MENDES, R. R.; OLIVEIRA JUNIOR, R. S. PICÃO-PRETO: IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES E RESISTENCIA A HERBICIDAS. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas – HRAC-BR, v.1, n.1, jun. 2020. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/1DFG7yOXcvdHN0h0P78KqR3xvEIMhN12e/view>, acesso em: 17/08/2020.