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Por que em anos secos o desenvolvimento da giberela é pouco observado em trigo?

A giberela causada pelo fungo Gibberella zeae (Schw) Petch. (anamorfo Fusarium graminearum Schwabe) (Santana et al., 2020) é uma das mais preocupantes e agressivas doenças fungicas que acometem a cultura do trigo. A doença ocorre principalmente no período reprodutivo da cultura (florescimento), causando danos que podem refletir em significativas perdas de produtividade.

Figura 1. Sintomas de giberela em trigo.

Fonte: Danelli; Zoldan; Reis

Embora o controle químico, por meio do uso de fungicidas seja a ferramenta mais usual para o manejo da giberela em trigo, segundo Santana et al. (2020), estima-se a eficiência de fungicidas no controle dessa doença seja de no máximo 60%, fato que pode estar associado a dificuldade em atingir o ponto de infecção.

A giberela ocorrendo principalmente no período do florescimento do trigo, sendo que, o período de predisposição à infecção estende-se do início da floração (presença de anteras soltas e presas) até o grão leitoso (presença de anteras presas), ou seja, do estádio 60 ao 75 de Zadoks et al. (1974) (Joris et al., 2022).  Conforme destacado por Del Ponte et al. (2004), a extrusão das anteras é o período mais suscetível do trigo ao desenvolvimento da giberela, sendo esse, momento crucial para o manejo eficiente da doença.



Figura 2. Extrusão das anteras do trigo, período mais suscetível a ocorrência de giberela.

Foto: CCGL TEC – Caroline Guterres

Por que embora tão comum, em anos secos o desenvolvimento da giberela é pouco observado?

Conforme destacado por Santana et al. (2012), para que o patógeno causador da giberela se desenvolva, é necessário que ocorra precipitação pluvial durante 48h a 72 h, para que condições de “água livre” possam ser observadas no local de infecção. A faixa ideal para o desenvolvimento da giberela está entre 20°C e 25°C, sendo assim, a infecção é favorecida por anos chuvosos e temperaturas amenas.

Logo, condições de baixa umidade, tendem a dificultar o desenvolvimento da giberela em trigo, reduzindo a infecção pelo fungo. Entretanto, cabe destacar que o baixo volume de chuvas durante a floração do trigo não justifica a ausência do manejo da giberela, sendo fundamental para isso, atuar de forma preventiva a ocorrência da doença, fazendo uso adequado de fungicidas e intensificando o monitoramento das lavouras.


Veja mais: Importância do manejo da Gibberella zeae na cultura do Trigo



Referências:

DANELLI, A. L. D.; ZOLDAN, S.; REIS, E. M. GIBERELA: CICLO DA DOENÇA. OR Sementes. Disponível em: < https://www.orsementes.com.br/cockpit/storage/uploads/2021/11/07/6188374d7474eCiclo-giberela.pdf >, acesso em: 30/09/2022.

DEL PONTE, E. M. et al. GIBERELA DO TRIGO – ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E MODELOS DE PREVISÃO. Fitopatol. bras. 29(6), 2004. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/WHmhpn6NbZJDn49RvBqjQ7D/abstract/?lang=pt >, acesso em: 30/09/2022.

JORIS, H. A. W. et al. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRA 2022. 14° Reunião da Comissão Brasileira de pesquisado de Trigo e Triticale, Fundação ABC e Biotrigo Genética, 2022. Disponível em: < https://www.conferencebr.com/conteudo/arquivo/informacoes-tecnicas-para-trigo-e-triticale–safra-2022-1649081250.pdf >, acesso em: 30/09/2022.

SANTANA, F. M. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE GIBERELA DO TRIGO: RESULTADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS – SAFRA 2018. Embrapa, Circular Técnica, n. 52, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/215108/1/CirTec52-Flavio.pdf >, acesso em: 30/09/2022.

SANTANA, F. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 108, 2012. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/990828/manual-de-identificacao-de-doencas-de-trigo >, acesso em: 30/09/2022.

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Equipe Mais Soja
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