Ajustados à paridade de exportação, os preços domésticos do algodão acumulam queda de 2% neste mês de novembro. No final desta quarta semana, a média no CIF do polo industrial de São Paulo ficou em R$ 3,93/libra-peso. No FOB exportação do porto de Santos/SP a fibra brasileira fechou indicada a 73,46 cents de dólar por libra-peso (c/lb), com alta de 3,8% em relação ao mesmo período do mês passado.

Em relação ao contrato spot negociado na Ice Futures a pluma brasileira é cotada por um valor 1,5% superior. Há um mês era 2,7% inferior. No início do mês o produto brasileiro era indicado no porto paulista por um valor 10,7% inferior ao norte-americano, o que comprova novembro foi um mês de realinhamento do mercado doméstico em relação ao internacional.

Com uma produção estimada em 2,715 milhões de toneladas (pluma) e um consumo interno de 640 mil toneladas, a necessidade de escoar um montante superior a 2 milhões de toneladas ao exterior faz com que o balizamento dos preços domésticos tenha como referência a paridade de exportação.

“Em tese, o ponto de suporte para as cotações no país é aquele a partir do qual a venda aos compradores estrangeiros é mais interessante que vender à indústria local. Na atual temporada, a pandemia do Covid-19 distorceu essa realidade de formação de preços. Sem pressão de compra interna – devido às medidas de isolamento social que fecharam fábricas e lojas – e com uma produção cheia ingressando, o produto nacional passou a ser um dos mais acessível no mercado global. No cenário externo, as aquisições da China estavam voltadas para o mercado norte-americano visando o cumprimento do acordo comercial’, explica o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

Quando as fiações nacionais retornaram às operações já haviam comercializado praticamente todos os seus estoques e precisaram ingressar no mercado de forma mais ativa. Assim, o basis de Santos em relação à Nova York, que em meados de setembro chegou a ser negativo 8 c/lb, no final desta quarta semana de novembro estava positivo em 1,1 c/lb. Isso mostra o mercado ajustado à paridade de exportação.

“Os compradores nacionais seguem ativos no mercado. Porém mostram ceticismo quanto a alongar os estoques nos atuais patamares de preços. Isso porque, mesmo tendo a necessidade de repor os estoques que foram consumidos no período em que o isolamento social obrigou as máquinas a pararem ou operarem de forma parcial, ainda é difícil saber quando haverá uma retomada mais consistente da demanda no varejo”, completa o analista.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Dylan Della Pasqua - Agência SAFRAS

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.