Das pragas que atacam a cana-de-açúcar, a principal é a broca da cana-de-açúcar (Diatraea sacchralis e Diatraea flavipennella) podendo estar presente durante todo o desenvolvimento da cultura (SANDOVAL & SENÔ, 2010). A Diatraea causa danos diretos (redução da produtividade agrícola) e indiretos (perdas na qualidade da matéria-prima), além de um custo de tratamento estimados em cerca de 1 bilhão de dólares anuais (PROMIP, 2019).

Danos

É uma praga que passa despercebida e de difícil controle, já que faz a sua postura na parte abaxial das folhas. A área foliar é o principal alimento para a lagarta jovem. Após, ela penetra pela bainha da planta e abre galerias de baixo para cima, causando danos na planta como:

  • Perda de peso da cana
  • Morte das gemas
  • Secamento dos ponteiros (conhecido como coração morto)
  • Enraizamento aéreo
  • Brotações laterais.
  • Além disso, causa prejuízos indiretos como a podridão vermelha do colmo, através da entrada de fungos (Colletotrichum falcatumFusarium moniliforme) pelos orifícios do colmo deixado pelas larvas. Esses fungos invertem a sacarose e reduzem a qualidade da cana.

Figura 1. Diatraea flavipennella raspando a bainha da folha e o dano do orifício deixado pela praga.

Fonte: Manual de Identificação de Pragas da Cana,2013.

Figura 2. Sintoma da broca da cana-de-açúcar nos colmos da cultura.

Fonte: Ageitec.

Segundo FREITAS et al. (2006), D. flavipennella corresponde a 98% dos exemplares de Diatraea encontrados, correspondendo com apenas 2% de D. saccharalis.

Figura 3. Ciclo de vida da praga.

Fonte: PROMIP, 2019.

Intensidade de infestação

O monitoramento é baseado na intensidade de infestação. Os índices de perda são determinados a partir da intensidade de infestação, que é calculado através da relação dos entrenós brocados pelos entrenós totais, multiplicado por 100 (equação 1). Ainda, deve-se analisar no mínimo 20 canas por hectare.

Equação 1. Intensidade de infestação.

Fonte: EMBRAPA, 2012.

Além dos levantamentos de infestação, pode-se realizar o levantamento populacional de D. saccharalis utilizando armadilhas de feromônio através de monitoramento da população de adultos iniciando na fase vegetativa e estendendo até a maturação da cultura.

Tabela 1.Graus de infestação de Diatraea para controle.

Fonte: TASSO JUNIOR, et al. 2013.

Se a intensidade de infestação estiver igual ou maior que 3%, deve-se realizar o controle da praga. Ainda, a cada 1% de intensidade de infestação, reduz-se as produções de cana, açúcar e álcool.

Tabela 2. Reduções da cana com 1% de Intensidade de Infestação.

Fonte: CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

Controle químico

Atualmente existem 39 produtos registrados para controle de Diatraea na cana-de-açúcar, distribuídos entre os grupos químicos antranilamida, piretroide, benzoilureia, diamida, neonicotinoide, pirazol, espinosina e diacilhidrazina (AGROFIT, 2020).

O controle químico não é eficaz para atingir a broca quando ela já está dentro do colmo. No entanto, os inseticidas podem reduzir o a população de lagartas neonatas (recém eclodidas). O controle ocorre, pois, as lagartas neonatas se alimentam das folhas por raspagem por um período de 2-6 dias, sendo possível entrar com controle químico neste momento (PROMIP, 2019).

Controle biológico

O principal modo de controle é realizado através de ferramentas biológicas, com ênfase na cultura da cana, pois 50% das áreas brasileiras da cultura usam a tecnologia com controle biológico. Além disso, possui alta eficiência e bons resultados a nível de campo (EMBRAPA, 2013).

O procedimento ocorre com liberação de vespas parasitoide de larvas Cotesia flavipes e parasitoide de ovos Trichogramma galloi. A associação destes inimigos naturais é uma estratégia eficaz dentro do MIP no controle da broca (PROMIP, 2019).

Figura 4. Cotesia parasitando a larva de Diatraea

Fonte: PROMIP, 2019.

Figura 5. Trichogramma parasitando ovos.

Fonte: PROMIP, 2019.

Controle cultural

Além do controle químico e biológico, pode-se utilizar de técnicas de controle cultural para prevenir que se atinja o nível de controle. As técnicas comuns para esse controle são a eliminação de plantas hospedeiras, o corte da cana sem desponte e a moagem rápida da cana.

Veja também: Redução da deriva alcança 79% em aplicações aéreas nas culturas da soja e cana-de-açúcar



Considerações finais

A principal praga da cultura da cana é a broca. Esta praga causa danos diretos e indiretos na cultura, acarretando em prejuízos nos canaviais. Existem diversas técnicas de controle, como química, biológica e cultural. No caso de controle químico, deve-se realizar o controle assim que houver a eclosão dos ovos ou antes das lagartas penetrarem no colmo. Por isso que o monitoramento deve ser realizado como forma preventiva de controlar Diatraea.

Entretanto, o manejo da broca é realizado na maioria das regiões produtoras, com liberação dos parasitoides de larvas Cotesia flavipes e pelo parasitoide de ovos Trichogramma galloi. Dessa forma, o controle biológico se torna de grande interesse no setor canavieiro.

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Referências

AGEITEC. Pragas no colmo. Disponível em: < https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-acucar/arvore/CONTAG01_131_272200817517.html>. Acesso em: 06.02.20

AGROFIT. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Disponível em: <http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons>. Acesso em: 12.03.2020

DOS SANTOS SANDOVAL, Sérgio; SENÔ, Kenji Cláudio Augusto. Comportamento e controle da Diatraea saccharalis na cultura da cana-de-açúcar. Nucleus, v. 7, n. 1, 2010.

EMBRAPA. Controle Biológico de Insetos-Praga na Soja. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/102097/1/cap.-8.pdf >. Acesso em: 12.03.2020

EMBRAPA. Diagnóstico dos Processos Tecnológicos Utilizados no Manejo Integrado de Pragas da Cana-de-açúcar em El Salvador. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/81420/1/Doc-174.pdf>. Acesso em: 12.03.2020

FREITAS, M. R. T., FONSECA, A. P. P., SILVA, E. L., MENDONÇA, A. L., SILVA, C. E., MENDONÇA, A. L., NASCIMENTO, R. R., SANT’ANA, A. E. G. The predominance of Diatraea flavipennella (Lepidoptera: Crambidae) in sugar cane fields in the State of Alagoas, Brazil. The Florida Entomologist, Florida, v. 89, p. 539-540, 2006a

GARCIA, J. F. Manual de Identificação de Pragas da Cana. Campinas – SP. Disponível em: <http://www.bio.ufpr.br/portal/pragasplantas/wp-content/uploads/sites/12/2013/11/Jos%C3%A9-F.-Garcia.pdf>. Acesso em: 12.03.2020

PROMIP. A broca Diatraea saccharalis na cultura da cana-de-açúcar e em outras culturas agrícolas no Brasil. Disponível em: < https://promip.agr.br/broca-diatraea-saccharalis-cultura-cana-acucar-outras-culturas-agricolas-brasil/ >. Acesso em: 12.03.2020

SILVA, R. D. BROCA DA CANA-DE-AÇÚCAR Diatraea saccharalis: MONITORAMENTO E CONTROLE. Disponível em: < http://www.cana.com.br/biblioteca/informativo/Broca%20da%20cana-de-a%C3%A7%C3%BAcar%20monitoramento%20e%20controle%20CTC.pdf>. Acesso em: 12.03.2020

TASSO JUNIOR, et al. INTENSIDADE DE INFESTAÇÃO DA BROCA-DA-CANA EM CULTIVARES TARDIOS DE CANA-DE-AÇÚCAR. VII Workshop Agro Energia, Ribeirão Preto – SP, 2013. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Agroenergia/CD_2013/Resumos/ResumoAgroenergia_2013_016.pdf>. Acesso em: 12.03.2020

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