São percevejos que se alimentam de plantas de aveia, trigo, algodão, soja, milho e, principalmente, de arroz. Podem ser encontrados em arroz de várzea (predomina Oebalus poecilus) ou de terras altas.

A fase de ovo pode durar até 7 dias e de ninfas 28 dias em média, dependendo da temperatura. A alimentação inicia a partir do 2º instar. Os adultos de Oebalus poecilus são de cor marrom clara e possuem pontuações amarelas perto da cabeça e no escutelo, onde forma um desenho em “Y”.

Figura 1. Adulto de O. poecilus e O. ypsilongriseus, atacando as espiguetas

Foto: EMBRAPA

A praga inicia suas atividades quando a lavoura de arroz é reinstalada. Quando o capim-arroz floresce e outras plantas hospedeiras estão em desenvolvimento, o percevejo passa para essas plantas e inicia o acasalamento e postura. Essas são visualizadas em várias camadas de ovos com uma estimativa de 10.000 ovos por folha (FERREIRA, et al. 2001).

A postura em enxame é caracterizada quando diversas fêmeas ovipositam em grande quantidade, com diversas camadas sobrepostas e em poucas plantas de arroz.

Figura 2. Postura em enxame de O. poecilus

Foto: BARRIGOSSI (2008)

Posteriormente, quando surgem os primeiros grãos leitosos do arroz, migram para a cultura e se reúnem em enxames, se alimentando, em geral, das panículas (Defesa Vegetal).

Com a entrada do inverno, os adultos tornam-se inativos sexualmente e se abrigam nas partes inferiores das plantas, sob as folhas e palhas. No Rio Grande do Sul, o hospedeiro mais importante é o folhedo de bambu, sendo potencial fonte de infestação dos arrozais entre outras gramíneas (FERREIRA, et al. 2001).

Veja também: Quantos dias vive um percevejo? 

Danos

  1. poecilus afeta a qualidade e a quantidade de grãos. Os insetos sugam as ramificações, efetuando 30% das picadas e, nas espiguetas efetuam 70% do dano, reduzindo a massa e o potencial germinativo, bem como alterando o padrão comercial. Entretanto, o maior prejuízo ocorre quando se alimenta das panículas. A intensidade do dano depende do estádio de desenvolvimento das espiguetas e da densidade da infestação.

As espiguetas com grão leitoso ou pastoso, podem ficar totalmente vazias (perdas quantitativas) pela alimentação da praga. Ou então, originar grãos atrofiados e com presença de pontos escuros nas glumas (FERREIRA, et al. 2001).

Quando o ataque ocorre no final do desenvolvimento dos grãos, formam-se áreas escuras nas cascas e manchas brancas nos grãos (perda qualitativa). Como o endosperma/grão se torna enfraquecido e chocho, durante o beneficiamento ocorre a quebra do produto(Ferreira, 1999).

Figura 3. Sementes danificadas por percevejo-da-panícula em casca e após beneficiamento.

Foto: BARRIGOSSI (2008)

Podem causar danos indiretos, pois são vetores de diversos fungos que reduzem a qualidade do grão através da transmissão de manchas (AGEITEC). Devido as lesões provocadas pela praga durante a alimentação, ocorre possibilidade de entrada de microorganismos.

Estima-se que a permanência na fase de maturação de 1 adulto/panícula, pode destruir 61,7 espiguetas, o que na cv, BR Irga 410 corresponde a cerca 1,69 g de perda (Martins et al., 1989). FERREIRA & BARRIGOSSI (2006), relataram que a incidência de 2 adultos/panícula durante a fase de maturação, causam perdas qualitativas e quantitativas de 80%. Em terras altas, as perdas são de 25,2% para O. poecilus e 36,4 % para O. ypsilongriseus.

Tabela 1. Diferentes densidades de percevejos em dois estágios de arroz cultivar 6137.

Fonte: FERREIRA et al. (2011)

Percebe-se que o ataque durante a formação dos grãos, acarreta em quebras significativas e manchas em mais da metade da produção de arroz.  O arroz destinado a produção de sementes também sofre danos, com reduções médias de plântulas emergidas de 11,2% e 19,5% com infestações de 1 e 2 percevejos, respectivamente. (CHAVES, et al. 2001).

Figura 4. Lavoura de arroz com alta infestação de capim-arroz (Echinochloa sp.) servindo de hospedeiro para O. poecilus.

Foto: BARRIGOSSI (2008)

Monitoramento e Nível de Controle

O monitoramento deve ser iniciado quando houver entre 50-75% das panículas emitidas, no início do período de florescimento (BARRIGOSSI, 2008).  Utiliza-se uma rede de varredura com 0,38 m de aro, saco com 0,80 m de profundidade e cabo com 1,0 m de comprimento (BARRIGOSSI, 2008). Percorre-se a lavoura em zig-zag na diagonal e se retira amostras ao acaso.

  • LAVOURAS DE ATÉ 15 ha: amostras em 10 pontos e, em cada ponto, fazer 10 redadas (distância de um ponto a outro de 100m);

O nível de dano econômico é atingido quando forem encontrados: 5 percevejos adultos a cada 10 redadas, na fase leitosa; ou, 10 percevejos adultos, a cada 10 redadas, na fase de grão pastoso.

  • Método Nível de Ganho (LG): amostras devem ser tiradas depois de caminhar aproximadamente 70 passos de distância de um ponto a outro. O número de percevejos de cada amostra deve ser registrado e, depois, realiza-se a conta de Nível de Ganho (LG), de acordo com WALKER (1990).

Calcula-se a partir do custo de controle e do preço do kg do arroz:

Exemplo:

LG (kg/ha) = 40,08/0,99 = 40,48 kg/ha ou 4,048 g/m2

Considerando uma perda/m2/percevejo de 0,635 gramas (média estimada baseada em algumas cultivares), divide-se LG pelas perdas: 4,048 g/m2 por 0,635 gramas = 6,37 percevejos/m2 (Considerando valores estimados pela CONAB). O controle para ser econômico, só deve ser feito se no início da fase leitosa existirem mais de 6,37 percevejos/m2.

Figura 5. Perdas (em kg) com a presença de 1 percevejo O. poecilus e O. ypsilongriseus com produção em Terras altas e arroz Irrigado.

Fonte: Embrapa (2004)
  • Amostragem Sequencial em Arroz Irrigado (BARRIGOSSI, 2008)

Classifica a população com base nos dados de densidade populacional considerados subeconômicos (não justifica aplicar) ou quando a população atinge o nível de controle (justifica aplicar) (BARRIGOSSI, 2008).

Instruções:

  • São necessárias, no mínimo, 6 amostras;
  • Retirar uma amostra de 10 redadas e contar os percevejos capturados;
  • Na coluna “Total acumulado”, anota-se o número de percevejos capturados;
  • Quando o “Total acumulado” for igual ou menor ao “Limite Inferior”, não é necessário realizar o controle;
  • Quando o “Total acumulado” for igual ou maior que o “Limite Superior”, deve-se realizar medidas de controle da praga.

Figura 6. Método Sequencial para lavouras irrigadas.

Fonte: EMBRAPA (2004)

Manejos

  1. Práticas Culturais
  • Na região Sul: retardar o plantio de cultivares tolerantes a dias curtos (+ de 10,5h no escuro), pois induzem a diapausa na fase de florescimento do arroz (ALBUQUERQUE, 1993);
  • Evitar plantas hospedeiras na lavoura e nos campos, como Digitaria spp., Echinochloa spp.;
  • Destruir os restos da cultura após a colheita;
  • Semear uma cultura armadilha com arroz em 5 a 10% da área, plantado 10 a 15 dias antes do plantio geral e, pulverizada com inseticida se infestada na época de formação dos grãos;
  • Preservar os inimigos naturais para manter o controle biológico.


 

  1. Controle Químico

AGROFIT (2020), possui registro para 8 produtos abrangendo os grupos químicos de: neonicotinoide, piretroide, sulfoxaminas e éter difenílico.

Tabela 2. Produtos registrados para controle de Oebalus poecilus no arroz.

Fonte: AGROFIT (2020)

Considerações Finais

Os danos de O. poecilus podem chegar até 80% considerando perdas qualitativas e quantitativas. Além de atacar as panículas, reduz a massa e o potencial de germinação das sementes. Pode originar manchas nas cascas e nos grãos, tornando o produto quebradiço e desvalorizado.

O controle mais comum é o químico, porém, há problemas devido à pouca diversidade de ingredientes ativos registrados. Deve-se levar em conta as técnicas culturais para que o controle seja mais eficaz e econômico.

É importante retirar as plantas hospedeiras da lavoura e no entorno, bem como restos vegetais e palhada nas margens, evitar inseticidas de largo espectro de ação para manter a população de inimigos naturais e realizar o monitoramento da lavoura desde a floração, quando a praga incide nos arrozais.

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Referências

AGROFIT. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: < http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons>. Acesso em: 31.03.2020

ALBUQUERQUE, G.S. Planting time as a tactic to manage the small rice stink bug, Oebalus poecilus (Hemiptera, Pentatomidae), in Rio Grande do Sul, Brazil. Crop Protection, v.12, p.627- 630, 1993.

BARRIGOSSI, J. A. F. Manejo do percevejo da panícula em arroz irrigado. Embrapa Arroz e Feijão-Circular Técnica (INFOTECA-E), 2008.

CHAVES, G. S.; Ferreira, E.; Garcia, A. H. Influência da alimentação de Oebalus poecilus (Hemíptera: Pentatomidae) na emergência de plântulas de genótipos de arroz (Oryza sativa L.) irrigado. Pesq. Agrop. Trop. v. 31, n.1, p. 137-143, 2001.

DEFESA VEGETAL. Oebalus poecilus. Disponível em: < http://www.defesavegetal.net/oebapo>. Acesso em: 01.04.2020

FERREIRA, E. Pragas e seu controle. p. 197-261. In: VIEIRA, N. R. de A.; SANTOS, A. B.; SANT’ANA, E.P. A cultura do arroz no Brasil. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 1999. 633 p.

FERREIRA, Evane; BARRIGOSSI, José Alexandre Freitas. Produção e qualidade do grão do arroz irrigado infestado por adultos de percevejo-das-panículas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 41, n. 7, p. 1083-1091, 2006.

FERREIRA, Evane; BARRIGOSSI, José Alexandre Freitas. Reconhecimento e controle dos principais percevejos Oebalus spp. que atacam as panículas de arroz. Embrapa Arroz e Feijão-Comunicado Técnico (INFOTECA-E), 2004.

FERREIRA, Evane; BARRIGOSSI, José Alexandre Freitas; VIEIRA, NR de A. Percevejos das panículas do arroz: fauna heteroptera associada ao arroz. Embrapa Arroz e Feijão-Circular Técnica (INFOTECA-E), 2001.

HICKEL, Eduardo Rodrigues; WICKERT, Ester. EFICIÊNCIA DE INSETICIDAS NO CONTROLE DO PERCEVEJO-DO-GRÃO.

MARTINS, J. F. da S.; RIBEIRO, A.S.; TERRES, A.L.S. Danos causados pelo percevejo-do-grão ao arroz irrigado. In: REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 18, 1989, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: Irga, 1989. p.396-404.

WALKER, P.T. Insect pest-loss relationships: characteristics and importance. p. 171-83. In: IRRI, Crop loss assessment in rice. Manila, IRRI, 1990, 334 p.

Redação: Equipe Mais Soja.

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