Os principais motivos para a realização deste trabalho, que objetiva avaliar a produtividade de genótipos com diferentes grupos de maturidade relativa (GMR) submetidos a espaçamentos entre linhas.

Autores: Marcos D. Nora1; Cristian Savegnago1; Alencar J. Zanon2; Nereu A. Streck2; Eduardo L. Tagliapietra3; Lorenzo D. Meus3; Michel R. da Silva4

Introdução

As maiores produtividades de soja estão sendo observadas em ambientes que dispõem das melhores condições de solo e clima, com o mínimo de competição entre plantas. Dessa forma, propor modificações no espaçamento entre linhas permite ao produtor rural minimizar essa competição existente entre plantas, a fim de melhorar o aproveitamento da radiação solar e da absorção de água.

Os espaçamentos entre linhas mais utilizados nas lavouras brasileiras variam de 40 a 60 cm. Contudo, diversos trabalhos que utilizaram espaçamentos entre linhas de 17 até 100 cm verificaram acréscimos de até 40% na produtividade com a redução do espaçamento próximo a 20-25 cm (Herbert & Litchfield, 1982; Board et al., 1990). Esse incremento produtivo tem sido associado a vários fatores, como o melhor uso da água devido ao sombreamento mais rápido do solo pelo dossel, a menor competição com plantas daninhas e a maior eficiência na interceptação da radiação solar. Por outro lado, deve-se estar atento que a redução no espaçamento entre linha pode proporcionar maior umidade no interior do dossel, o que culmina no aumento da severidade de algumas doenças (Costa et al., 2002).

O cenário de incerteza que permeia essa temática, associado a existência de poucos trabalhos recentes na literatura que avaliam a resposta produtiva de cultivares modernas a diferentes espaçamentos entre linhas, foram os principais motivos para a realização deste trabalho, que objetiva avaliar a produtividade de genótipos com diferentes grupos de maturidade relativa (GMR) submetidos a espaçamentos entre linhas.

Material e Métodos

Foi conduzido um experimento na área experimental da Universidade Federal de Santa Maria, localizada na região Central do Estado do Rio Grande do Sul. O delineamento experimental utilizado foi em faixas, com parcelas subdivididas em três repetições. Como tratamento, foram utilizados quatro espaçamentos entre linhas (22,5 cm, 45 cm, 67,5 cm e 90 cm), alocados em duas cultivares comerciais de soja, de GMR 5.0 e 5.8, totalizando 8 tratamentos. A data de semeadura foi 18/11/2020, em área sob sistema de plantio direto, com adubação de base na quantidade de 350 kg/ha da formulação 05-20-20. O experimento foi irrigado sob sistema de aspersão (pivô central) e a densidade de plantas utilizada foi de 350000 plantas/ha para todos os tratamentos.

A coleta de dados teve como finalidade avaliar a densidade de plantas, a matéria seca acumulada e a produtividade de grãos. A densidade de plantas foi realizada cinco dias após a emergência da cultura e no momento da colheita da soja, com o auxílio de uma trena, que foi disposta paralelamente a uma linha de semeadura, no comprimento de três metros lineares, para a contagem do número de plantas na fase inicial e final da cultura, respectivamente. A coleta de matéria seca foi realizada nos estágios fenológicos R1 e R5 (Fehr & Caviness, 1977), com coletas a campo de um metro linear por parcela, que em seguida foram secas em estufa na temperatura de 65°C por 15 dias. Após a pesagem e a tabulação, os valores foram transformados para kg/ha. A colheita foi realizada quando a cultura atingiu a maturidade plena. Também, foi realizada a análise de regressão para verificar a curva de produtividade.

Resultados e Discussão

O espaçamento entre linha que apresentou a maior produção de matéria seca (Figura 1) no GMR 5.0 foi o de 22,5 cm, de 15845 kg/ha, sendo superior ao valor obtido pelos espaçamentos mais largos. Para o GMR 5.8, o espaçamento entre linha de 22,5 cm também proporcionou a maior produção de matéria seca, de 12870 kg/ha. A maior produção de biomassa está diretamente relacionada à adoção desse espaçamento entre fileira, que consegue interceptar uma maior quantidade de radiação solar em um menor período de tempo, que atua como uma variável explicativa da produtividade, de acordo com Sadras & Calderini (2009).

Figura 1. Matéria seca acumulada nos estágios R1 e R5 para o GMR 5.0 (A) e GMR 5.8 (C), nos espaçamentos entre linhas. Produtividade da soja no GMR 5.0 (B) e GMR 5.8 (D), nos espaçamentos entre linhas

Quanto ao fator produtividade, o espaçamento entre linha de 22,5 cm mostrouse superior aos demais para o GMR 5.0, com o rendimento de 5773 kg/ha, apresentando um incremento de 20% na produtividade quando comparado ao espaçamento entre linha de 45 cm. Para o GMR 5.8, o espaçamento entre linha de 22,5 cm também proporcionou a maior produtividade, de 6546 kg/ha, apresentando um incremento produtivo de 26% quando comparado ao espaçamento entre linha de 45 cm. A análise estatística apresentou significância entre os tratamentos quanto ao fator produtividade, com valor-p de 0.0187 para o GMR 5.0 e 0.0011 para o GMR 5.8. Portanto, a adoção do espaçamento entre linha de 22,5 cm proporcionou maior rendimento para a cultura da soja, sendo relacionado a uma maior captura de radiação solar pela melhor distribuição das plantas na lavoura. Além disso, os resultados desse experimento corroboram o de Herbert & Litchfield (1982), que também verificou acréscimos de até 40% na produtividade com a utilização de espaçamentos entre linhas próximos a 20-25 cm.

Conclusão

O espaçamento entre linha de 22,5 cm apresentou a maior produtividade de grãos de soja em ambos GMRs.

Informações sobre os autores:

  • 1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS. E-mail: marcosdallanora7@gmail.com; cris.savegnago@gmail.com
  • 2 Professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS. E-mail: alencarzanon@hotmail.com; nstreck2@yahoo.com.br
  • 3 Acadêmico do Curso de Pós Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: eduardotagliapietra@hotmail.com; lorenzo_meus@hotmail.com
  • 4 Dr. Engenheiro Agrônomo, Crops Team. E-mail: michelrs@live.com

Referências

BOARD, J.E.; HARVILLE, B.G.; SAXTON, A.M. Narrow-row seed-yield enhancement indeterminate soybean. Agronomy Jornal, Madison, v.82, n.1, 1990, p. 64-68.

COSTA, J. A., PIRES, J., RAMBO, L., & THOMAS, A. Redução no espaçamento entre linhas e potencial de rendimento da soja. Revista Plantio Direto, 2002 p. 22-28.

FEHR, W. R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Technology, 1977. 15p. (Special Report, 80).

HERBERT, S.J.; LITCHFIELD, G.V. Partitioning soybean seed yield components. Crop Science, Madison, v.22, n.5, 1982, p.1074-1079.

SADRAS, VICTOR; CALDERINI, DANIEL. Crop physiology: applications for genetic improvement and agronomy. Academic Press, 2009, 583 p.

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